Mundial-2026: "Surpresa" com o custo de certos transportes, FIFA quer que sejam "a preço de custo"

Gianni Infantino, presidente da FIFA
Gianni Infantino, presidente da FIFAPABLO PORCIUNCULA / AFP

A FIFA afirmou esta quinta-feira que "todos os detentores de bilhetes" para um jogo do Mundial-2026 (11 de junho a 19 de julho) "devem poder aceder aos transportes a preço de custo", numa altura em que se anuncia uma subida acentuada dos preços dos bilhetes, sobretudo em algumas cidades da costa este.

"Os acordos iniciais do Mundial-2026, assinados em 2018, previam a gratuitidade dos transportes para todos os jogos", explicou o organismo esta quinta-feira, em comunicado.

"Consciente das dificuldades financeiras que tal implicava para as cidades anfitriãs, a FIFA reviu em 2023 as exigências desses acordos: todos os detentores de bilhetes e pessoas acreditadas devem poder aceder aos transportes a preço de custo para se deslocarem aos estádios nos dias de jogo", clarificou ainda.

Em Boston (leste), a empresa local de transportes anunciou que uma viagem de ida e volta entre o centro e o estádio de Foxborough, a 25 km, custará 80 dólares (68 euros). Isto representa quase dez vezes mais do que o valor habitual (8,75 dólares) e quatro vezes mais do que para um jogo da NFL ou um concerto no Gillette Stadium (20 dólares).

O comité organizador local anunciou também que uma viagem de ida e volta em autocarro Expresso, reservada a detentores de bilhete, custará 95 dólares, ou seja, 80 euros.

E segundo o The Athletic, a empresa de transportes do Nova Jérsia prevê cobrar mais de 100 dólares – contra os habituais 12,90 dólares – pela viagem de ida e volta entre Manhattan e o MetLife Stadium, que vai receber oito jogos do Mundial-2026, incluindo a final a 19 de julho.

Em Nova Iorque e em Nova Jérsia, este aumento dos preços deve-se ao custo de colocar em funcionamento a rede de transportes públicos durante os oito jogos no estádio, que ascenderá a 48 milhões de dólares, devido sobretudo às necessidades de segurança.

Um custo que a governadora de Nova Jérsia, a democrata Mikie Sherrill, não quer ver recair sobre os seus contribuintes, o que provocou "a surpresa" da FIFA.

"A FIFA trabalha há anos com as cidades anfitriãs nos seus planos de transporte e mobilidade, nomeadamente defendendo a obtenção de milhões de dólares em financiamentos federais para as apoiar nesta área", recordou ainda o organismo.

O Ministério dos Transportes dos Estados Unidos (FTA) atribuiu na primavera 100 milhões de dólares às onze cidades-anfitriãs do Mundial-2026, consoante a dimensão do estádio e o número de jogos disputados, para melhorar as suas redes e realizar obras de infraestruturas.

"A FIFA não tem conhecimento de qualquer outro grande evento realizado no MetLife Stadium (...) em que os organizadores tenham sido obrigados a assumir o transporte dos adeptos", conclui o organismo.

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