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Frente ao Egito, no primeiro jogo da Bélgica neste Mundial-2026, Jérémy Doku sofreu cinco faltas, fez apenas um passe chave, assinou um único remate (fora da baliza) e não tentou qualquer drible em 86 minutos (empate 1-1). Estatísticas muito aquém do que normalmente se vê do irrequieto belga, que tinha feito duas assistências e um jogo completo frente à Tunísia num amigável mesmo antes do Mundial (vitória por 5-0).
No Manchester City, esta época, o antigo jogador do Rennes registava uma média de 2,8 dribles bem-sucedidos por jogo na Premier League, melhor marca do clube, e liderava também nas passes chave por partida, com uma média de 1,8. Contra o Egito, em Seattle, apresentou-se um Doku diferente, travado por Ahmed Fatouh e Mohamed Hany, limitado por problemas respiratórios, deslocado da ala esquerda para a direita e depois para o centro como falso número nove.
O extremo sofre de uma recaída da infeção respiratória que já o tinha afetado no primeiro treino da seleção em Seattle. A equipa técnica dos Diabos Vermelhos iniciou uma terapia suave para atenuar os sintomas, mas Jérémy Doku continua a sentir desconforto sempre que faz esforço. Apesar de ter viajado com o resto do grupo para Los Angeles, Doku não treinou na véspera do confronto com o Irão. E a sua ausência foi confirmada na noite de sábado. Isto obrigou Rudi Garcia a encontrar um substituto para o seu jogador que mais desequilíbrios cria, pelo menos para este segundo jogo da fase de grupos.
A dependência estrutural
A confissão de Thibaut Courtois após o jogo contra os Faraós confirmou a importância do extremo de 24 anos no sistema belga: "Falei com o Marmoush depois do jogo e ele disse-me que o plano deles era travar o Doku e não deixar o De Bruyne entrar no jogo." Os egípcios tinham como alvo as duas únicas fontes de desequilíbrio belga e conseguiram o seu objetivo. O resultado: um empate 1-1, graças a um autogolo de Mohamed Hany, forçado pela entrada de Romelu Lukaku, o único capaz naquela noite de fazer a diferença numa defesa exausta.
Para chegar longe num grande torneio, a Bélgica tem frequentemente sentido falta de um jogador capaz de virar um jogo quase sozinho. Neste grupo de 2026, esse fator X parecia ser Jérémy Doku. O próprio Pep Guardiola reconheceu esse papel especial: o seu extremo traz um "fator caos" que complementa a precisão de Kevin De Bruyne, transformando recuperações altas em contra-ataques imediatos.
A época 2025/2026 no City confirmou o salto dado pelo jogador, que marcou sete golos nas suas seis aparições em todas as competições no final de abril (cinco golos, duas assistências), tantos como nos vinte e quatro jogos anteriores, segundo a Opta. No total da época, somou 47 jogos, 8 golos e 11 assistências pelos Skyblues, o que o colocou entre os três finalistas na votação para melhor jogador do clube, juntamente com Nico O'Reilly e Abdukodir Khusanov.
Os candidatos ao lugar
Rudi Garcia conta com um grupo ofensivo numeroso. Oito avançados viajaram, mas nem todos têm o mesmo perfil ou estatuto. Leandro Trossard é titular indiscutível na outra ala e deslocá-lo para a esquerda para colmatar a ausência de Doku é a solução mais óbvia, mas priva a Bélgica da sua largura à direita. Foi precisamente isso que Rudi Garcia tentou durante o jogo contra os Faraós: os dois extremos trocaram de posição, depois Doku passou para o centro para dar profundidade, com pouco sucesso.
Dodi Lukebakio, extremo do Benfica, é outra opção. Capaz de atuar em ambos os flancos, explosivo nos espaços, oferece uma alternativa direta no capítulo da aceleração. Alexis Saelemaekers (AC Milan), por sua vez, alia instinto de finalização e visão de jogo, podendo atuar tanto à direita como à esquerda, mas o seu perfil é mais de médio ofensivo do que de verdadeiro extremo de linha.
Diego Moreira, jogador do Estrasburgo de 21 anos, e o lillois Matías Fernández-Pardo também podem ser chamados a substituir o seu colega de 24 anos. Diego Moreira é naturalmente extremo esquerdo, mas não é habitualmente titular no sistema de Rudi Garcia e foi utilizado tanto como extremo direito de pé trocado como lateral esquerdo ao longo da época, podendo faltar-lhe referências no momento de se estrear num Mundial.
Matias Fernandez-Pardo, que foi quem substituiu Doku no flanco esquerdo aos 86 minutos frente ao Egito, também é extremo esquerdo de formação, mas destacou-se sobretudo como número 9 no Lille esta época, colocando a mesma questão a Rudi Garcia: deve lançar-se na ala esquerda um jogador que já não tem referências nesse corredor? Ainda para mais, o jogador natural de Bruxelas vive o seu primeiro estágio com a Bélgica, depois de ter hesitado durante muito tempo em jogar pela Roja.
A opção Lukaku
Rudi Garcia tem ainda uma terceira via: abdicar do extremo esquerdo puro e lançar de início Romelu Lukaku na frente, deslocando De Ketelaere para um papel de segundo avançado. O napolitano, que entrou aos 66 minutos frente ao Egito, mudou o rumo do jogo em apenas vinte e dois segundos. A sua simples presença na área forçou o autogolo egípcio. Mas esta escolha teria um custo: a Bélgica perderia o seu corredor esquerdo como principal zona de ataque e o sistema em 4-2-3-1 fechar-se-ia, privando De Bruyne dos apoios em profundidade que normalmente procura.
A grande dúvida continua a ser precisamente Lukaku: o avançado jogou pouco esta época no Nápoles e chegou ao Mundial longe da melhor forma. O próprio Garcia admitiu que o seu avançado de referência não podia acumular minutos como gostaria e que seria mais prudente poupá-lo para as fases finais. Mas para isso, os belgas têm de conseguir lá chegar, estando obrigados a vencer o Irão para evitar um regresso antecipado a casa.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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