Mundial-2026: Brasil, de 1958, e Alemanha, de 2014, contrariaram fator casa

Alemanha conquistou o ouro em 2014
Alemanha conquistou o ouro em 2014FRANK HOERMANN/SVEN SIMON / SVEN SIMON / DPA PICTURE-ALLIANCE VIA AFP

O Brasil, campeão na Suécia, em 1958, e a Alemanha, vencedora em solo canarinho, em 2014, são as únicas seleções com cetros conquistados na casa dos rivais, em 22 edições do Campeonato do Mundo de futebol.

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No século XX, o escrete foi mesmo a exceção, em 16 fases finais, e, no século XXI, com a descentralização da prova, os alemães foram uma de quatro seleções a vencer em continente alheio, em apenas seis certames.

A Alemanha foi, porém, a única que triunfou fora, pois as vitórias do Brasil (na Coreia do Sul e Japão), da Espanha (África do Sul) e da Argentina (Catar) foram em campo neutro, no que respeita ao confronto UEFA versus CONMEBOL.

Na história dos Mundiais, iniciada no longínquo ano de 1930, a regra é uma seleção europeia vencer no velho continente, o que aconteceu em 10 de 11 edições, e uma sul-americana triunfar na América, o que sucedeu em sete de oito.

Quatro das vitórias europeias foram mesmo em casa, seladas por Itália (1934), Inglaterra (1966), RFA (1974) e França (1998), tal como duas sul-americanas, de Uruguai (1930) e Argentina (1978).

Tendo em conta a supremacia das seleções do continente organizador - ainda mais vincada se forem retiradas as edições em campo neutro (2002, 2010 e 2022), já que só seleções da Europa e da América do Sul venceram a prova -, os títulos arrebatados fora foram claros marcos na história da competição.

Depois dos triunfos do Uruguai, em casa (1930) e no Brasil (1950), da Itália, em casa (1934) e em França (1938), e da RFA, na Suíça (1954), o Brasil tornou-se a primeira seleção a vencer fora em 1958, ao ganhar na Suécia.

O triunfo canarinho, que ainda é hoje o único de uma seleção sul-americana no velho continente - onde as formações europeias venceram as restantes 10 edições -, ficou marcado pela explosão de Pelé.

Com apenas 17 anos, Edson Arantes do Nascimento começou a transformar-se no rei com uma série de exibições para a lenda, incluindo golos em todos os três jogos a eliminar, num total de seis, depois de ficar em branco na fase de grupos.

Pelé marcou o golo da vitória sobre o País de Gales (1-0), nos quartos de final, logrou um hat-trick face à França (5-2), de Just Fontaine (acabou com 13), nas meias-finais, e, a rematar, bisou face à anfitriã Suécia (5-2), na final.

O Brasil espetou esta lança na Europa e, durante muitos anos, mais de meio século, ostentou o registo de única seleção a vencer fora do seu continente, já que se seguiu o bis e o tri dos canarinhos, no Chile (1962) e México (1970), intercalados pelo triunfo caseiro da Inglaterra (1966).

Depois, a RFA (1974) e a Argentina (1978) ganharam em casa, a Itália em Espanha (1982), a Argentina no México (1986), a RFA em Itália (1990), o Brasil nos Estados Unidos (1994) e a França no seu reduto (1998).

Em 2002, o Mundial foi atribuído à Ásia, disputando-se pela primeira vez em dois países (Coreia do Sul e Japão), e, no que foi a primeira batalha entre Europa e América do Sul em campo neutro, foi novamente o Brasil a impor-se.

Sob o comando de Luiz Felipe Scolari, que depois viria a orientar a seleção portuguesa, os canarinhos, após uma fase de qualificação caótica, foram demolidores, chegando ao penta após sete vitórias em outros tantos encontros.

ressuscitado Ronaldo, o Fenómeno, foi a grande figura dos brasileiros, que bateram Turquia (2-1), China (4-0) e Costa Rica (5-2), na fase de grupos, Bélgica (2-0), nos oitavos, Inglaterra (2-1), nos quartos, novamente Turquia (1-0), nas meias, e Alemanha (2-0), na final.

Ronaldo marcou os últimos três golos dos canarinhos, depois de Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho, os outros dois super craques do escrete, terem arrumado os ingleses.

Na edição seguinte, a regra voltou a prevalecer, com a vitória da Itália na Alemanha (2006), para, em 2010, o Mundial, agora mais descentralizado, voltar a campo neutro, desta vez com a África do Sul a receber a primeira edição em continente africano.

A vitória acabou por cair para a Espanha, que ganhou o seu primeiro Mundial, e ainda único, com uma equipa pautada pelo tiki taka imposto por Pep Guardiola no Barcelona.

Mesmo sem Lionel Messi, o craque desse Barça, os espanhóis impuseram-se na África do Sul, num trajeto em que, a eliminar, ganharam os quatro jogos por 1-0, face a Portugal (oitavos), Paraguai (quartos), Alemanha (meias) e Países Baixos (final).

David Villa afastou consecutivamente portugueses e paraguaios, Carles Puyol arrumou os germânicos e, na final, Andrés Iniesta marcou no prolongamento, aos 116 minutos, o golo mais importante da história da roja.

Quatro anos volvidos, em 2014, o Brasil acolheu a oitava edição em solo americano e, depois de sete vitórias das seleções do continente, a corda quebrou pela primeira vez, com a vitória da Alemanha, numa final com a Argentina (1-0).

Um golo do suplente Mario Götze, aos 113 minutos, selou o primeiro sucesso europeu na América, depois de um trajeto da Mannschaft marcado pela impiedosa goleada por 7-1 face ao anfitrião Brasil, nas meias-finais: o Mineirazo.

Antes, os germânicos somaram dois triunfos (4-0 a Portugal e 1-0 aos Estados Unidos) e um empate (2-2 com o Gana), na fase de grupos, um sofrido 2-1 após prolongamento face à Argélia, nos oitavos, e um 1-0 à França, nos quartos.

Em 2018, a França materializou a supremacia total da Europa na Rússia, com quatro seleções nas meias-finais, e, em 2022, foi a vez de a Argentina triunfar pela primeira vez fora do seu continente, onde vencera em 1978 (em casa) e 1986 (México).

Lionel Messi, com sete golos – só não marcou à Polónia, jogo em que falhou um penálti – e três assistências, liderou a Argentina, que até começou escandalosamente a perder, ao cair por 2-1 perante a Arábia Saudita, depois de estar a vencer.

Contra a parede, a Argentina venceu depois México (2-0) e Polónia (2-0), na fase de grupos, e, depois, a eliminar, afastou Austrália (2-1), nos oitavos, Países Baixos (2-2 após prolongamento e 4-3 nos penáltis), nos quartos, e Croácia (3-0), nas meias, antes de superar a França na final.

O encontro com os franceses só foi decidido nos penáltis (4-2), depois de 3-3 após 120 minutos, num embate em que, como nos outros três a eliminar, a Argentina liderou, em determinado momento, por 2-0. Acabou por sofrer mais do que devia.

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