Mundial-2026: Coreia do Sul soma quarta reviravolta em Mundiais

Jogadores da Coreia do Sul comemoram com a torcida a vitória na estreia do Mundial
Jogadores da Coreia do Sul comemoram com a torcida a vitória na estreia do MundialULISES RUIZ/AFP

Se há uma marca da Coreia do Sul em Mundiais, é a resiliência. Sem vencer numa estreia desde o triunfo por 2-0 sobre a Grécia, em 2010, os sul-coreanos começaram o Mundial-2026 com uma vitória por 2-1 frente à República Checa, esta quinta-feira, depois de terem estado em desvantagem. O dado reforça uma tendência recente: 14 dos últimos 19 golos marcados pela seleção asiática em Mundiais surgiram na segunda parte.

Recorde as incidências da partida

Esta foi a quarta reviravolta da Coreia do Sul na sua história em Mundiais. O feito ganha ainda mais relevância perante o histórico geral da equipa. Entre as seleções que disputaram pelo menos 30 jogos em Mundiais, os sul-coreanos apresentam a menor percentagem de vitórias: apenas oito triunfos em 39 partidas, um aproveitamento de 20,5%.

Por outro lado, a equipa tem-se especializado em surpreender adversários europeus. Nos últimos três confrontos frente a seleções do continente em Mundiais, venceu todos: 2-0 frente à Alemanha, em 2018; 2-1 diante de Portugal, em 2022; e agora 2-1 contra a República Checa.

A arte sul-coreana de virar jogos em Mundiais

A reviravolta mais famosa da história sul-coreana aconteceu no Mundial-2002, disputado em casa. Naquela que continua a ser a melhor campanha do país na competição, a equipa eliminou a Itália nos oitavos de final. Os italianos colocaram-se em vantagem e seguraram o resultado até aos 43 minutos da segunda parte, altura em que Seol Ki-hyeon empatou. No prolongamento, Ahn Jung-hwan marcou o golo de ouro que garantiu a vitória por 2-1 e a qualificação para os quartos de final, numa das maiores surpresas da história do torneio.

Vinte anos depois, outra reação memorável voltou a colocar a Coreia do Sul entre as 16 melhores seleções do mundo. Na última jornada da fase de grupos do Mundial do Catar, em 2022, os sul-coreanos precisavam de vencer Portugal para seguir em frente. Depois de terem estado em desvantagem, empataram ainda na primeira parte e chegaram à vitória nos descontos, quando Son Heung-min arrancou em velocidade e serviu Hwang Hee-chan para marcar o 2-1. A qualificação surgiu graças à diferença de golos, num dos desfechos mais dramáticos daquele Mundial. Nos oitavos de final, os asiáticos acabaram eliminados pelo Brasil.

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A primeira reviravolta da seleção em Mundiais aconteceu em 2006, na Alemanha. Na fase de grupos, a Coreia do Sul derrotou o Togo por 2-1, depois de ter estado em desvantagem. Lee Chun-soo e Ahn Jung-hwan marcaram os golos da reação. Foi também a primeira vez que os sul-coreanos venceram uma partida de um Mundial depois de sofrerem o primeiro golo.

A história ganhou um novo capítulo na estreia no Mundial-2026, em Guadalajara. Frente à República Checa, os asiáticos voltaram a estar em desvantagem, mas responderam rapidamente por Hwang In-beom, antes de Oh Hyeon-gyu confirmar a vitória por 2-1. Mais uma vez, a capacidade de reação apareceu quando o cenário parecia complicado.

A melhor asiática

Esta é a 12.ª participação da Coreia do Sul em Mundiais, mais do que qualquer outra seleção asiática. Em 2026, os sul-coreanos disputam o 11.º Mundial consecutivo, numa sequência iniciada em 1986. Apenas Brasil, Alemanha, Argentina e Espanha têm séries mais longas de presenças consecutivas na competição.

Son, com seis tentativas, foi quem mais finalizou no jogo, sem sucesso
Son, com seis tentativas, foi quem mais finalizou no jogo, sem sucessoULISES RUIZ/AFP

Do lado checo, a derrota teve um sabor amargo. A seleção regressou a um Mundial 20 anos depois e conseguiu inaugurar o marcador precisamente através da sua principal arma: as bolas paradas. Na qualificação europeia para 2026, a República Checa marcou 11 dos 22 golos em lances desse tipo, mais do que qualquer outra equipa. Sete surgiram na sequência de cantos, também o registo mais elevado da competição.

A especialidade voltou a funcionar na estreia. Krejci marcou de cabeça, após um lançamento lateral, para colocar os checos em vantagem. Desta vez, porém, a eficácia nos lances aéreos não foi suficiente para evitar a reviravolta sul-coreana.