“As Ligas Europeias rejeitam firmemente esta proposta”, lê-se numa nota enviada à agência Lusa, na qual, o dirigente italiano lembra que “o valor do campeonato do mundo da FIFA é construído todos os dias pelas ligas, pelos clubes, pelos jogadores e pelos adeptos, que estão a ser deixados sem voz nem direito de voto nesta matéria”.
Alberto Colombo critica a condução do processo, que descreve como “opaca” e inserida “num padrão de longa data na tomada de decisões da FIFA”.
O responsável recorda que esse padrão levou a EL a apresentar uma queixa junto da Comissão Europeia, sobre decisões relativas ao calendário internacional, que constituíam “um abuso de posição dominante e viola o direito europeu da concorrência”.
Para Alberto Colombo, qualquer proposta que altere competições ou calendário deve ser construída “através de processos transparentes, responsáveis e inclusivos, com envolvimento significativo e consentimento de todos os stakeholders”, tal como solicitado pelo Tribunal de Justiça da União Europeia na decisão de 2023 sobre a Superliga Europeia.
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O dirigente sublinha que a organização mantém “reuniões produtivas com a Comissão Europeia” e expressa confiança de que as decisões jurídicas futuras “continuarão a servir os melhores interesses dos adeptos e das comunidades do futebol”.
A EL junta-se assim à crescente contestação internacional ao plano da FIFA, já criticado por várias federações e confederações continentais.
A UEFA anunciou esta quinta-feira que as federações europeias vão boicotar as provas de clubes e seleções organizadas pela FIFA em protesto contra o modelo de comercialização dos Mundiais proposto pelo organismo regulador do futebol mundial.
“Como resultado da discussão de hoje, nenhuma associação da UEFA participará em qualquer competição da FIFA enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que sejam abandonadas por completo e que sejam dadas garantias vinculativas de que a FIFA jamais abrirá a sua governança ou as competições à propriedade privada”, pode ler-se em comunicado publicado no sítio oficial da confederação europeia na Internet.
A UEFA pronunciou-se no fim de uma reunião com as suas 55 federações-membro, após ter contestado nos últimos dois dias a intenção revelada na terça-feira pela FIFA de angariar até 4,2 mil milhões de dólares com a venda de participações dos campeonatos do mundo a privados.
O jornal britânico The Times avançou na quarta-feira que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, deu um prazo de 53 dias às 211 federações-membro, entre as quais a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), para aceitarem o modelo, a troco de alguns milhões de euros.
Para operacionalizar o projeto, a FIFA está a trabalhar com o banco J.P. Morgan, surgindo entre os potenciais investidores a Thrive Capital, fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, que é genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
