Em 12 tentativas anteriores em grandes torneios, a Escócia nunca conseguiu ultrapassar a fase de grupos.
No entanto, o novo formato, com uma fase final inédita de 48 equipas, traz esperança de que o enguiço possa ser quebrado, apesar de um sorteio complicado.
O jogo de estreia frente aos modestos haitianos em Boston é considerado obrigatório vencer pelos milhares de adeptos que atravessam o Atlântico, tendo em conta que depois seguem-se os campeões africanos Marrocos e o pentacampeão Brasil no Grupo C.
Mesmo uma derrota nos dois últimos jogos pode não ser fatal para as aspirações dos escoceses, caso consigam golear o Haiti, já que oito das 12 equipas que terminam em terceiro lugar seguem para os 32 finalistas.
Para um núcleo experiente que inclui o jogador do Liverpool Andy Robertson, o capitão do Aston Villa John McGinn e o jogador do Nápoles Scott McTominay, esta pode ser a sua única oportunidade de deixar marca no Mundial.
Os três desempenharam um papel fundamental ao levarem o seu país a três grandes torneios nos últimos cinco anos, após uma ausência de 23 anos.
No entanto, o entusiasmo pela qualificação para o Euro 2020 e 2024 rapidamente deu lugar à desilusão, já que a Escócia foi eliminada de ambos sem vencer qualquer jogo.
"Já estivemos em dois grandes torneios. Este será o nosso terceiro e, com sorte, a experiência dos jogadores que já participaram em grandes competições vai ser determinante e conseguiremos fazer algo que nenhuma equipa escocesa conseguiu até hoje", afirmou Clarke ao anunciar a convocatória.
Doak pode ser decisivo
O pontapé de bicicleta de McTominay na vitória por 4-2 frente à Dinamarca, que garantiu a qualificação, já entrou para o folclore nacional e foi impresso numa edição especial de notas escocesas.
O antigo médio do Manchester United e McGinn serão as principais esperanças de golo numa seleção com poucas opções de avançados de créditos firmados a nível internacional.
Clarke também tem poucas alternativas para a baliza, onde o veterano Craig Gordon, de 43 anos, está na corrida para ser titular, apesar dos poucos minutos ao serviço do Hearts esta época.
"Este núcleo de jogadores muito experientes é fundamental", afirmou o antigo selecionador escocês Andy Roxburgh à AFP.
"Sei que será difícil, mas se conseguirem repetir a exibição frente à Dinamarca na última qualificação, certamente terão uma boa hipótese. Podemos ser otimistas e acreditar que, pela primeira vez, podem alcançar a qualificação para a fase a eliminar".
O tempo é precioso para um plantel envelhecido, com apenas cinco jogadores abaixo dos 26 anos, mas um dos poucos jovens, Ben Gannon-Doak, de 20 anos, será fundamental para dar a velocidade e criatividade tão necessárias no último terço.
"A minha geração praticamente não se lembra disto e agora temos a oportunidade de liderar o nosso país num Mundial. Vai ser um dos momentos de maior orgulho da minha carreira", afirmou Robertson, vencedor da Liga dos Campeões e da Premier League pelo Liverpool.
"Fomos muito afortunados por nos qualificarmos para dois Europeus, mas o Mundial é um patamar acima".
A Tartan Army sonha que, desta vez, os jogadores também estejam à altura e lhes proporcionem algo para recordar.

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