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“O facto de não terem Nico Williams (por lesão) retira-lhes alguma profundidade, um contra um e desequilíbrio no jogo ofensivo, sobretudo do lado esquerdo. Têm um ponta de lança (Mikel Oyarzabal) um pouco diferente do que os defesas estão habituados a encarar, pois não é fixo, surge muitas vezes entre linhas e faz uma posição quase de ‘10’”, disse à agência Lusa o técnico, de 46 anos, que manteve o Levante em 2025/26.
Portugal defronta a Espanha, campeã do mundo em 2010 e frente à qual conquistou a Liga das Nações em 2025, na segunda-feira, às 14:00 locais (20:00 em Lisboa), no Estádio AT&T, em Arlington, nos Estados Unidos, para os oitavos de final do Mundial-2026, na segunda ronda a eliminar de uma prova que está a ser disputada pela primeira vez por 48 seleções.
“Até agora, a Espanha dominou cada partida e teve mais posse de bola, o que faz com que a sua identidade esteja lá. Eles gostam de sair de trás e fazer um jogo apoiado, tentando sempre ter a bola. Por isso, concedem pouco. Agora, vão haver mais ataques em situações de um para um e à profundidade do lado do Lamine Yamal. Do outro, mais trabalho de posse e conexões para entrarem no último terço”, avaliou Luís Castro, numa altura em que Álex Baena leva três titularidades seguidas na esquerda do ataque.

O vencedor vai encontrar nos ‘quartos’ os Estados Unidos ou a Bélgica, adversários no mesmo dia em Seattle, sendo que, nos 16 avos, Portugal ganhou à Croácia (2-1), finalista derrotada em 2018 e terceira classificada em 1998 e 2022, e a Espanha, recordista de títulos europeus (quatro), bateu a Áustria (3-0), voltando a superar uma eliminatória 16 anos depois.
“Os espanhóis olham claramente para a sua seleção como uma candidata a vencer o Mundial. É normal. Também veem que Portugal lhes pode fazer frente pelas características dos jogadores. A opinião é de que Portugal é muito forte individualmente, mas ainda não mostrou coletivamente o nível que podia ter. Disse-lhes que estávamos à espera deste jogo, vamos ver”, referiu, convencido de que quem passar vai reforçar a candidatura ao título.
Luís Castro vê os lusos a alternarem entre “momentos mais fortes e menos fortes” em três anos e meio sob orientação do espanhol Roberto Martínez, que termina contrato no fim do Mundial-2026 e leva um período idêntico ao do compatriota Luis de la Fuente, vencedor de uma Liga das Nações em 2023 e do Euro2024 pela roja, já depois dos títulos de sub-19 em 2015 e de sub-21 em 2019, nos quais contou com alguns dos atuais convocados.

“Ele já conhecia os jogadores das camadas jovens e ter esta continuidade na seleção principal permite que a Espanha encontre alguma estabilidade. Conhece ainda a forma de jogar do país e também se nota que existe uma ótima relação entre todos e um ambiente positivo. Isso traz alguma vantagem em torneios deste tipo, que são curtos e em que a criação de um grupo forte demora por vezes algum tempo”, explicou.
Espanha é o terceiro país com maior representação dos seus campeonatos no Mundial-2026, ao ter 85 futebolistas convocados antes do início da prova, atrás de Inglaterra e Alemanha, dos quais 17 atuam pela roja e pertencem a seis clubes, sinal de uma “realidade competitiva forte, que lhes permite estar sempre a um bom nível e gerar jogadores de alto nível”.

“O Pau Cubarsí é mais um que dá a impressão que vai ter 10 ou 15 anos de seleção pela frente e será referência na linha defensiva. Há o Yamal, que, para todos os efeitos, ainda é um jovem. Eles têm sempre jogadores de grande nível a aparecer e, depois, conseguem fazer uma mescla com alguns mais experientes e de meia-idade, o que os torna numa seleção forte. Quando pensamos que Xavi e Iniesta desapareceram, mas agora têm Pedri, Yamal e outros a aparecer, vê-se que o país continuará a estar no topo do futebol mundial nos próximos anos”, ilustrou Luís Castro, encontrando paralelismos com outras modalidades naquela nação ibérica.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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