Mundial-2026: Granit Xhaka nasceu para liderar no palco do Mundial

Granit Xhaka, capitão da Suíça
Granit Xhaka, capitão da SuíçaIMAGN IMAGES via Reuters / Simon Fearn

O capitão da Suíça no Mundial-2026, Granit Xhaka, afirma que aprendeu a liderar aos quatro anos, quando recebeu as chaves de casa, enquanto os seus pais albaneses faziam horas extra para garantir o sustento da família no país de acolhimento.

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O médio de 33 anos tem agora a oportunidade de provar que essa experiência difícil valeu a pena, ao liderar a Suíça rumo aos quartos de final do Mundial pela primeira vez desde 1954, caso vença a Colômbia na terça-feira.

Aqueles primeiros anos, em que ele e o seu irmão Taulant, um ano mais velho, ficavam entregues a si próprios, deixaram marcas num jogador que, por vezes, deixou as emoções levarem a melhor sobre si dentro do relvado.

"Acho que aprendi o que é liderança logo aos quatro anos", disse Xhaka ao Stan Sport Football no início deste ano.

"Os meus pais trabalhavam durante o dia, faziam trabalho extra só para nos dar aquilo que queríamos e é por isso que estamos onde estamos hoje. Tinha quatro anos e deram-me as chaves de casa, por isso desde cedo tive responsabilidade", acrescentou.

Xhaka, que tal como Taulant nasceu na Suíça, contou que ele e o irmão passavam 18 horas sozinhos em casa.

"As minhas duas filhas mais velhas têm seis e quatro anos e não consigo imaginar as minhas crianças a ficarem sozinhas durante 18 horas hoje em dia", afirmou.

"Mas nós passámos por isso, o meu irmão e eu. A minha mãe (Elmaze) começava a trabalhar às quatro da manhã, preparava o almoço antes de sair, voltava às três e fazia o jantar antes de ir para o segundo emprego. O meu pai (Ragip) fazia o mesmo", acrescentou, emocionado.

"Houve agressões"

Os pais de Xhaka conheceram-se e casaram no Kosovo, na altura uma província autónoma da Jugoslávia e mais tarde da Sérvia, com maioria da população de origem albanesa.

Ragip entrou em conflito com o regime do líder sérvio Slobodan Milosevic e, aos 22 anos, foi condenado a seis anos de prisão por participar numa manifestação contra o governo.

"Ninguém sabia se ele ainda estava vivo ou não", contou Xhaka ao The Times em maio.

"Mesmo com esses 10 minutos (de exercício diário), por vezes passava meses sem falar com os membros da família", acrescentou.

O pai relatou aos filhos as agressões que sofreu na prisão. "Começa a contar um pouco, mas depois sente que tem de parar", disse Xhaka.

O pai saiu desse inferno ao fim de três anos e a família fez as malas e fugiu para a Suíça de autocarro. "A minha mãe (era) legal, o meu pai não", recorda.

Xhaka e Taulant recompensaram os pais pela coragem e sacrifícios tornando-se futebolistas de sucesso.

Ambos jogaram no Basileia, mas enquanto Xhaka optou por representar a Suíça – soma 150 internacionalizações – Taulant escolheu a Albânia.

Granit Xhaka celebra um golo pela Suíça
Granit Xhaka celebra um golo pela SuíçaREUTERS / Daniel Cole

Xhaka demonstrou a resiliência que ganhou na infância, ao conseguir dar a volta por cima nos momentos difíceis.

O ponto mais baixo talvez tenha sido quando perdeu a braçadeira de capitão do Arsenal, depois de ter perdido a cabeça ao ser substituído pelo então treinador Unai Emery, em outubro de 2019.

Xhaka teve uma relação de amor-ódio com os adeptos do Arsenal e, quando estes aplaudiram a sua substituição, respondeu-lhes de forma pouco simpática.

"A escuridão (após ser substituído) só existia quando estava sozinho, mas era uma escuridão boa porque aprendi muito com isso", disse ao The Times.

Permanecendo no clube, voltou a afirmar-se no plantel do Arsenal quando Mikel Arteta assumiu o comando e conquistou uma segunda Taça de Inglaterra antes de rumar à Alemanha.

Lá, desempenhou um papel fundamental na dobradinha do Bayer Leverkusen em 2024, conquistando a Liga e a Taça sem derrotas ao longo da época nacional.

Um regresso bem-sucedido a Inglaterra com o surpreendente Sunderland da Premier League e agora a possibilidade de um primeiro jogo dos quartos de final de Mundial para a Suíça em mais de 70 anos – a vida dificilmente poderia ser melhor.

No entanto, mantém-se com os pés bem assentes na terra.

"Nunca nos esquecemos de onde viemos", referiu.

Mundial-2026

O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.

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