Há quatro anos, Marrocos surpreendeu Espanha e Portugal e chegou às meias-finais da última edição do Mundial, no Catar, antes de perder com a França.
Agora que os Estados Unidos, o Canadá e o México se preparam para acolher um número recorde de 48 países, o mundo do futebol interroga-se se África pode ir ainda mais longe ou se 2022 foi apenas um lampejo?
"Por que não?", respondeu Diouf, ex-avançado do Liverpool, quando questionado pela AFP se um capitão africano poderia levantar o troféu perto de Nova Iorque em 19 de julho.
"Veja o meu próprio país. Temos jogadores incríveis como Sadio (Mané), Idrissa (Gueye) e Edouard (Mendy). Eles podem ser iguais às estrelas de qualquer país. No Mundial-2026, África vai lá para ganhar o torneio".
Motsepe, um bilionário sul-africano de 64 anos, que passou de presidente do Mamelodi Sundowns, campeão africano de 2016, a diretor da CAF, partilha a opinião de Diouf.
"Estamos confiantes de que as 10 seleções africanas presentes no Mundial-2026 nos deixarão orgulhosos e que uma nação africana será campeã. O que nos faltava no passado era a auto-confiança. Marrocos mudou isso no Catar, há quatro anos. Podemos igualar os melhores do mundo. Vou trabalhar incansavelmente até ver o capitão de uma nação africana a levantar o maior prémio de futebol", disse à AFP.
Okocha foi o capitão da Nigéria em vários Campeonatos do Mundo, incluindo o de 1994, realizado nos Estados Unidos.
"A minha melhor recordação de 1994 é o ambiente fantástico. Se acrescentarmos o facto de ter sido a primeira participação da Nigéria no Mundial, foi especial", disse aos jornalistas.
"No que diz respeito ao torneio de 2026, estou preocupado com as hipóteses de uma equipa africana ir até ao fim. Falamos muito dos candidatos ao título da Europa e da América do Sul, mas e os norte-americanos e os asiáticos? Eles estão a melhorar rapidamente"
"Ficarei muito feliz se me provarem que estou errado. Os futebolistas africanos já chocaram o mundo antes. Esperemos que isso volte a acontecer".
Marrocos e Senegal mais fortes
A crença generalizada entre os futebolistas, treinadores e dirigentes africanos é que Marrocos e Senegal são os mais fortes dos 10 países do continente que se qualificaram.
O Senegal venceu Marrocos na final da Taça das Nações Africanas de 2025. No entanto, a CAF anulou o resultado após um recurso apresentado pelos vencidos, com base numa expulsão temporária de alguns senegaleses por causa de um penálti.
Os senegaleses reagiram à perda do título recorrendo ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) e aguardam o veredito.
Marrocos, comandado por Achraf Hakimi, está no Grupo C com o Brasil, pentacampeão mundial, a Escócia e o Haiti. Os marroquinos vão lutar para ficar pelo menos em segundo lugar.
O Senegal enfrenta a França, a Noruega e o Iraque no Grupo I, considerado um dos mais difíceis dos 12 grupos da prova.
Pape Thiaw, selecionador senegalês, era suplente quando o Senegal surpreendeu a então campeã França no jogo de abertura do Mundial-2002, em Seul.
"Isso (2002) é passado. Conhecemos bem a atual equipa francesa. Vai ser um jogo especial e esperemos ganhar de novo", disse em Dakar.
Enquanto os africanos sonham com a conquista do prémio máximo do futebol, alguns treinadores concorrentes têm objetivos menos imediatos.
"Chegar ao Mundial é complicado e jogar lá é ainda mais difícil", disse o treinador egípcio e antiga estrela Hossam Hassan aos jornalistas no Cairo.
"No entanto, vejo uma grande ambição nos meus jogadores. Eles querem alcançar mais do que o Egito fez no passado", afirmou.
O Egito disputou o Campeonato do Mundo pela primeira vez há 92 anos e só participou em duas edições posteriores. O sete vezes campeão africano ainda está à procura da primeira vitória no evento global.
O recém-nomeado treinador da Tunísia, Sabri Lamouchi, foi franco ao falar de uma nação que se qualificou para seis Mundiais, mas que nunca foi longe na prova.
"Não vou contar histórias, fingindo que vamos repetir o que Marrocos fez em 2022. Mas quem sabe, talvez um dia", disse à imprensa tunisina.
Os candidatos africanos são a Argélia, Cabo Verde, República Democrática do Congo, Egito, Gana, Costa do Marfim, Marrocos, Senegal, África do Sul e Tunísia.
