Os 22 anos de espera do Arsenal para voltar a ser campeão inglês terminaram sob o comando de Mikel Arteta, antigo adjunto de Guardiola.
Unai Emery foi declarado "rei" da Liga Europa depois de conquistar a competição pela quinta vez e garantir o primeiro troféu do Aston Villa em três décadas, na passada quarta-feira.
Andoni Iraola tem sido associado ao Liverpool depois de conduzir o Bournemouth à estreia nas competições europeias, um feito inédito na história do clube.
"É evidente que a influência espanhola está a crescer em Inglaterra, mas também noutros pontos da Europa", afirmou o médio da seleção espanhola e do City Rodri, vencedor da Bola de Ouro em 2024, à AFP.
Arteta vai defrontar outro treinador espanhol na final da Liga dos Campeões, a 30 de maio, quando Luis Enrique tentar igualar Guardiola ao conquistar o maior troféu europeu pela terceira vez, e será acompanhado por Xabi Alonso em Londres na próxima época, depois de o basco ter chegado a acordo para se juntar ao Chelsea.
"Acho que a contribuição (dos treinadores espanhóis) começa, antes de mais, pela oportunidade que este país, esta liga, dá a muitos treinadores estrangeiros, permitindo-lhes cumprir um sonho e dar-lhes a possibilidade de fazerem aquilo que mais amam, na melhor liga", disse Arteta.
"É futebol e, por vezes, resulta e outras vezes não, mas penso que estamos muito gratos, sobretudo pela forma como somos tratados aqui e pela oportunidade que nos é dada".
O legado de Guardiola
Guardiola foi o pioneiro de uma mudança fundamental de estilo que se espalhou do topo até à base do futebol inglês.
Os seus métodos, aliados ao forte investimento do Estado de Abu Dhabi, permitiram ao City conquistar 20 troféus nos 10 anos em que esteve ao comando.
O estilo inglês mais tradicional e físico deu lugar a equipas de todos os escalões a tentarem sair a jogar desde trás.
"O segredo é que (os treinadores espanhóis) trabalham muito bem desde cedo a nível tático, nas metodologias, para compreender o jogo", afirmou Guardiola ao canal oficial do Man City.
"Num desporto coletivo, é preciso perceber porque é que as coisas acontecem. Os treinadores espanhóis trabalham muito bem para entender o jogo".
No entanto, a mudança não foi recebida de forma unânime entre os adeptos.
"É mais admirada do que amada", afirmou John Williams, investigador em Sociologia na Universidade de Leicester e autor do livro "Football in Wind and Rain".
"Os britânicos apreciam a objetividade e a ação, e isso nem sempre é o foco do estilo espanhol. O Manchester City praticou um futebol bonito sob o comando de Pep, mas onde estava a alma ou a luta? Por vezes, eram simplesmente bons demais, demasiado dominadores".
Ironia das ironias, é Arteta quem oferece um contrapeso à filosofia de Guardiola.
Nascido no País Basco e formado na academia do Barcelona, Arteta passou quase todos os últimos 24 anos no Reino Unido, desde que se juntou aos Rangers com 20 anos.
Conseguiu fundir com sucesso alguns dos métodos de Guardiola com uma vertente física, tendo a sua equipa sido impulsionada para o título pela força nas bolas paradas e por um registo defensivo sólido, assente em vários defesas possantes.
