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O treinador de 48 anos transformou a equipa liderada em campo por Lionel Messi numa formação habituada a conquistar troféus, tanto na América do Sul como no palco mundial.
Lionel Scaloni foi inicialmente nomeado interino, apenas algumas semanas após o Mundial de 2018, quando substituiu Jorge Sampaoli. Nessa altura, era um nome sem grande experiência como treinador principal.
Desde então, conduziu a Argentina a dois troféus da Copa América, em 2021 e 2024, e ao triunfo na Finalíssima, o encontro intercontinental entre a campeã da Europa e a campeã da América do Sul, disputado em 2022.
O momento mais importante do seu mandato foi, no entanto, a conquista do Mundial do Catar, em 2022, após a final espetacular frente à França.
Lionel Messi ergueu o troféu no Estádio Lusail e pôs fim a uma espera de 36 anos para a Argentina, que não vencia o Mundial desde 1986, quando a equipa liderada por Diego Maradona triunfou no México.
Maradona cético no início
Diego Maradona foi um dos que olharam com reservas para a nomeação de Lionel Scaloni, antigo defesa que jogou, entre outros, no Deportivo da Corunha e na Lazio.
“Scaloni é um rapaz extraordinário, mas não conseguiria dirigir nem o trânsito”, afirmou de forma dura o antigo grande futebolista argentino, que teria preferido o regresso de Gerardo Martino.
A experiência internacional de Lionel Scaloni era, de facto, limitada.
Como jogador, somou apenas sete internacionalizações pela Argentina e jogou por pouco tempo ao lado de um jovem Lionel Messi no Mundial-2006, na Alemanha.
Antigo defesa-direito, Scaloni foi adjunto de Jorge Sampaoli no Mundial-2018, na Rússia, onde a Argentina foi eliminada nos oitavos de final.
Aquele momento marcou o fim do mandato de Sampaoli e o início de uma oportunidade inesperada para Scaloni, cujo interinato se transformou numa fase de enorme sucesso.
A Argentina é agora também chamada de “Scaloneta”, em homenagem ao selecionador que construiu uma das equipas mais fortes dos últimos anos.
Uma equipa com a qual as pessoas se identificaram
Lionel Scaloni orientou a Argentina em 99 jogos, com um registo de 72 vitórias, 18 empates e nove derrotas. Durante este período, a “Albiceleste” alcançou ainda uma série de 36 partidas sem perder, entre julho de 2019 e novembro de 2022.
O selecionador vai atingir a marca dos 100 jogos na sexta-feira, em Miami, frente à surpresa Cabo Verde, nos oitavos de final do Mundial-2026.
O percurso da Argentina até uma eventual meia-final parece, pelo menos no papel, bastante favorável.
“Nunca imaginei na minha vida chegar aos 100 jogos”
Scaloni admitiu que não esperava chegar aos 100 jogos no comando da seleção, mas sublinhou que, para já, não pensa no seu legado, mas sim no objetivo de voltar a conquistar o Mundial.
“Sinceramente, não pensei muito nisso”, disse Scaloni.
“Não me preocupa propriamente o que as pessoas vão dizer. O importante para mim é que as pessoas se identificaram com a forma como a equipa jogou, com o sentimento de termos sido um grupo que representou verdadeiramente o seu povo. Nada mais. Só isso já seria suficiente", acrescentou.
“Nunca imaginei na minha vida chegar aos 100 jogos”, assumiu.
“É um número enorme, sobretudo com esta camisola. Vai ser um momento maravilhoso quando acontecer", disse ainda.
Scaloni e o impacto em Messi
Calmo, equilibrado e respeitador da identidade futebolística e cultural da Argentina, Scaloni formou um grupo extremamente unido em torno de Lionel Messi, o líder incontestável da equipa.
O selecionador proporcionou a estabilidade tática e a gestão humana de que Messi precisava para, finalmente, alcançar o tão desejado sucesso com a seleção.
Lionel Messi, de 39 anos, lidera a corrida pela Bota de Ouro do Mundial, com seis golos. Sob o comando de Scaloni, a estrela argentina marcou 58 golos em 74 jogos, com uma média de 0,78 golos por partida.
Em comparação, antes do mandato de Scaloni, Messi tinha marcado 65 golos em 128 jogos pela Argentina, com uma média de 0,51 golos por encontro.
AFA quer prolongar-lhe o contrato
A Federação Argentina de Futebol, segundo a imprensa local, já iniciou negociações para prolongar o contrato de Scaloni. O atual vínculo termina a 31 de dezembro, e o novo acordo poderá ser válido por mais cinco anos.
O selecionador, que em 2023 deu a entender, por breves instantes, que poderia sair após a vitória sobre o Brasil no Maracanã, nas qualificações sul-americanas para o Mundial, afirmou estar aberto a uma renovação.
“Neste momento, o foco está no Mundial”, disse Scaloni à Radio La Red.
“Não é uma questão urgente para mim e não creio que o seja para a AFA", acrescentou.
No entanto, o treinador deixou claro: “Se todos estivermos de acordo e as coisas correrem bem, não vejo que existam problemas.”
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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