Mundial-2026: Lionel Scaloni, ex-interino, campeão do mundo, centenário com a Argentina

Lionel Scaloni, selecionador da Argentina
Lionel Scaloni, selecionador da ArgentinaReuters

"Um tipo porreiro, mas nem sequer consegue orientar o trânsito". A avaliação demolidora de Diego Maradona diz muito sobre o ceticismo que rodeava Lionel Scaloni quando foi nomeado selecionador interino em 2018. Esta sexta-feira, vai orientar a Argentina pela 100.ª vez.

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Cabo Verde pode ter sido a revelação da primeira fase, mas tudo indica que o sereno treinador de 48 anos deverá, em Miami, somar a 73.ª vitória ao seu registo como selecionador, em vez de uma 10.ª derrota, tal é a facilidade com que a Albiceleste tem jogado desde o início do Mundial. Tal como o seu líder, Leo Messi.

"Para ser sincero, 100 jogos, nunca na vida pensei nisso", admitiu o antigo lateral do Deportivo e da Lazio: "É um número enorme, e ainda mais com esta camisola, será um momento muito bonito quando acontecer".

Chegado em 2018 sem experiência como treinador principal, o antigo adjunto de Jorge Sampaoli foi inicialmente nomeado de forma provisória para tentar sarar as feridas do Mundial na Rússia, marcado pela eliminação nos oitavos de final após um jogo épico (4-3) frente à França, futura campeã do mundo.

Mas aquilo que era para ser um interinato de seis meses transformou-se num reinado dourado ao comando da 'Scaloneta', como os argentinos carinhosamente chamam à sua seleção, alcunha que se pode traduzir como "a carrinha de Scaloni". A Albiceleste já soma dois títulos de Copa América (2021 e 2024), uma Finalíssima (2022) e, claro, acima de todos, o de campeã do mundo no Catar-2022.

36 jogos sem perder

Quando Messi ergueu o troféu para o céu em Doha, a Argentina pôs fim a uma espera interminável desde o triunfo de 1986. Na altura, a equipa era capitaneada pelo lendário "Dez" Maradona, o mesmo que viria a enganar-se por completo no seu juízo 32 anos depois.

Em oito anos, Scaloni só perdeu nove vezes, e isso já não acontece desde um particular em setembro de 2025 frente ao Equador. Outro dado impressionante: conseguiu uma sequência de 36 jogos sem perder entre julho de 2019 e novembro de 2022.

"O que me interessa é que as pessoas se identifiquem com o futebol da equipa, com a sensação de que somos uma seleção que representa o seu povo, e nada mais. Só isso já seria muito bom", afirmou.

Antes deste jogo dos oitavos de final frente a Cabo Verde, tudo corre de feição ao técnico. Há três semanas em Kansas City – onde a equipa está instalada –, o treinador vive um início de torneio perfeito: três vitórias, muito graças ao brilhante Messi, que já marcou seis golos e tornou-se o melhor marcador da história do Mundial (19). E nenhum favorito se irá cruzar com os argentinos antes da meia-final.

Calmo e sereno

Sereno no banco, calmo perante a imprensa e respeitador da identidade futebolística e cultural argentina, o natural de Rosário construiu tudo à volta de Messi, líder indiscutível rodeado por um grupo extremamente unido.

Numa nação onde o futebol se vive com paixão, o equilíbrio tático e emocional instaurado por Scaloni, graças a uma gestão tranquila, permitiu à "Pulga" alcançar os tão desejados sucessos com a seleção. Lionel Messi, com 39 anos, marcou 58 golos em 74 jogos sob o seu comando (0,78 de média), contra 65 golos em 128 partidas anteriormente (0,51).

Para o médio Rodrigo De Paul, o selecionador "fez-me perceber que a vida pode ser vista de muitos ângulos, o futebol também" e sabe que "por trás de cada jogador, há uma pessoa com muitos problemas, alegrias e desilusões".

A Federação Argentina de Futebol (AFA) está tão satisfeita com o trabalho de Scaloni que, segundo a imprensa argentina, os dirigentes já iniciaram negociações para prolongar por cinco anos o contrato que termina a 31 de dezembro.

"Para já, o importante é pensar no Mundial (...) Não é um tema urgente para mim e creio que também não o é para a AFA", revelou à Radio La Red. Mas "se todos estiverem de acordo e encontrarmos um bom compromisso, não penso que haja problemas". Antes desse possível prolongamento, há um feito histórico por alcançar.

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