Mundial-2026: Messi liderou forte candidatura da Argentina à revalidação do título

Lionel Messi celebra após marcar frente à Argélia
Lionel Messi celebra após marcar frente à Argélia Alexandra Fechete / Zuma Press / Profimedia

A atual campeã mundial, Argentina, iniciou a sua campanha no Mundial-2026 frente a uma seleção argelina que só tinha vencido um jogo em Mundiais nos últimos 10 desde 1982.

Lionel Messi, a envergar a braçadeira de capitão da Albiceleste como habitual, não só cumpriu a sua 200.ª internacionalização em todas as competições pela sua seleção, como ao entrar de início tornou-se o primeiro jogador da história a disputar seis fases finais de Mundiais diferentes (Alemanha-2006, África do Sul-2010, Brasil-2014, Rússia-2018, Catar-2022, EUA/México/Canadá-2026).

Ambas as equipas em grande forma

As duas seleções só se tinham defrontado uma vez antes, em junho de 2007, quando a Argentina venceu um emocionante duelo por 4-3.

A Argélia chegou ao jogo em boa forma, sem sofrer golos há 393 minutos, mas teria de estar ao seu melhor nível para travar Messi e companhia, tendo em conta que a Argentina tinha vencido todos os seis jogos anteriores antes do torneio, com 20 golos marcados e apenas um sofrido.

Naquela que deverá ser também a última presença de Messi numa fase final, era evidente antes do apito inicial que a equipa de Lionel Scaloni estava a encarar com seriedade o objetivo de se tornar apenas o terceiro país a revalidar o troféu.

O início do encontro foi sensacional, com dois golos anulados nos primeiros oito minutos, a Fares Chaibi e Messi, ambos travados pelo fora de jogo assinalado pelo assistente.

Messi desfaz o nulo

Apesar de a Argélia circular a bola com confiança e Aissa Mandi ter registado uns impressionantes 100 passes completos em 105 tentados (95,2%), foi a Argentina a adiantar-se no marcador, com Messi a disparar um autêntico míssil para o ângulo superior.

O 14.º golo de Messi em Mundiais aproximou-o a dois do recorde absoluto de Miroslav Klose, e foi um dos quatro remates enquadrados do número 10 no jogo (nenhum outro jogador teve mais do que um).

Coletivamente, a Argentina tinha 68% de posse de bola após meia hora de jogo, com Rayan Ait-Nouri a trabalhar incansavelmente na defesa argelina para travar o ímpeto adversário. 

Três desarmes bem-sucedidos em quatro tentativas acabaram por não ter impacto no resultado final, mas do ponto de vista individual, o craque do Manchester City pode estar satisfeito com o seu desempenho, que incluiu ainda 11 duelos individuais tentados, o registo mais alto do jogo, com seis ganhos, também o máximo partilhado.

Ímpeto do jogo
Ímpeto do jogoOpta by Stats Perform

Zidane compromete 

Infelizmente, os seus colegas de ataque não conseguiram igualar a sua qualidade, e apesar de Chaibi ter ainda mais dois remates antes do intervalo, a Argélia não conseguiu enquadrar qualquer remate até ao descanso.

Com Enzo Fernández, Rodrigo De Paul e Alexis Mac Allister a recuperarem a posse de bola por 19 vezes no total, a abordagem mais física da Argentina prometia trazer mais frutos, e à passagem da hora de jogo, um remate potente de Mac Allister foi mal defendido por Luca Zidane, permitindo a Messi estar no sítio certo para encostar para o segundo golo.

Um dos seus quatro toques na área adversária (ninguém teve mais) foi decisivo, pois praticamente sentenciou o jogo naquele momento.

A resposta da Argélia foi lançar três substituições em simultâneo; no entanto, com De Paul, Mac Allister, Enzo, Facundo Medina, Gonzalo Montiel, Thiago Almada, Nicolas Otamendi e o próprio Messi a conseguirem pelo menos dois desarmes cada, os adversários ficaram frustrados durante largos períodos.

Notas dos jogadores
Notas dos jogadoresFlashscore

Messi iguala Klose

Quando o jogo entrou nos últimos 15 minutos, o terceiro golo de Messi coroou uma exibição de homem do jogo e foi o seu último contributo relevante, já que saiu pouco depois sob uma ovação de pé.

Ao igualar o recorde de Klose, tornou-se também o jogador mais velho da história dos Mundiais (38 anos e 358 dias) a completar um hat-trick na competição.

Com Otamendi a assumir a braçadeira do compatriota, a Argentina já não precisou de se esforçar nos minutos finais do encontro.

O livre direto de Riyad Mahrez já perto do fim, batido diretamente contra a barreira, resumiu as dificuldades da Argélia, que terminou o jogo sem qualquer remate enquadrado pela primeira vez num Mundial desde pelo menos 1965/1966.

Argentina com entrada afirmativa

A exibição coletiva da Albiceleste serviu de aviso às restantes seleções presentes no torneio de que a Argentina está determinada e com Messi neste nível irresistível, tudo pode acontecer.

Pode ter sido segunda em posse de bola global (47,9% - 52,1%), ter tentado menos passes (563 - 608) e bem menos dribles (9 - 24) do que a Argélia, além de ter sido menos precisa na circulação coletiva (89,5% - 91,9%), mas o que realmente contou foi que os grandes jogadores da Argentina foram decisivos nos momentos que mudaram o jogo.

Estatísticas da partida
Estatísticas da partidaOpta by Stats Perform

Kylian Mbappé e Erling Haaland, ambos autores de bis para a França e Noruega, respetivamente, mais cedo no dia, podem ainda estabelecer o padrão de excelência em golos marcados neste torneio, mas não será de todo surpreendente se Messi escrever mais um capítulo incrível na sua carreira extraordinária.