Mundial-2026: Messi volta a refugiar-se com a Argentina em "dias difíceis"

Messi durante um treino
Messi durante um treinoReuters

20 anos depois, toda a Argentina continua a girar em torno de Lionel Messi. A sua simples presença faz sonhar a campeã mundial, mas agora é o 10 quem também precisa da sua seleção e do ecossistema construído para o apoiar dentro e fora do relvado.

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A sexta participação do astro argentino no Mundial está a ser um cocktail de todo o tipo de emoções, mesmo que só vá disputar o seu segundo jogo na segunda-feira frente à Áustria.

Na estreia diante da Argélia, Messi voltou a surpreender o mundo do futebol ao marcar um hat-trick, chegando assim aos 16 golos na sua carreira em Mundiais, igualando o recorde que Miroslav Klose detinha sozinho.

Só por pisar o relvado de Kansas City, Messi já bateu o recorde de mais Mundiais disputados. Na quarta-feira fará 39 anos e, rodeado pela sua esposa e pelos seus três filhos, assume a esse nível o apaixonante desafio de conduzir a Albiceleste ao primeiro bicampeonato desde o de Pelé e do Brasil entre 1958 e 1962.

Números de Messi
Números de MessiFlashscore

O capitão está, para isso, rodeado de um grupo de incondicionais que o ajudam a lidar com a preocupação pelo delicado estado de saúde do seu pai.

"Passei por dias difíceis, complicados", reconheceu o próprio Messi depois de lhe escaparem lágrimas após o seu primeiro golo frente à Argélia.

Mas estou "agradecido a toda a delegação, aos meus companheiros porque estiveram, como sempre, ao meu lado, a dar-me muita força para que estivesse bem e nada mais", afirmou.

No dia seguinte, o grupo fechou-se ainda mais em torno do seu líder quando as especulações na Argentina dispararam ao ponto de, por erro, ter sido anunciada a morte de Jorge Messi num canal de streaming.

Ainda neste contexto de preocupação, Messi não perdeu o sorriso sempre que sai para treinar no relvado com os seus colegas.

 Os melhores parceiros 

Messi é a ponte entre duas gerações, uma que ficou tantas vezes à porta da glória e outra que se tornou o adversário a abater com os triunfos nas Copas América de 2021 e 2024 e no Mundial do Catar 2022.

Onde falharam técnicos experientes como José Pékerman ou Gerardo Martino, o jovem Lionel Scaloni encontrou a fórmula para maximizar o talento inigualável de Messi e libertá-lo das pressões que o tolheram no passado, ao ponto de ameaçar abandonar a seleção.

Companheiro do 10 na sua primeira aventura mundialista em 2006, Scaloni esforça-se para que esteja sempre o mais confortável possível em campo, rodeado de parceiros que o procuram nas posições mais favoráveis.

Resultados da Argentina
Resultados da ArgentinaFlashscore

Um exemplo disso foi o primeiro golo frente à Argélia, que nasceu de uma assistência de Rodrigo De Paul, o seu melhor amigo no balneário e sombra em todos os treinos.

Desde o seu meio-campo, o também jogador do Inter Miami fez um passe para Messi que, camuflado entre a linha média e a defesa, encontrou o espaço necessário para disparar um remate de pé esquerdo para o fundo das redes.

De Paul integra um triângulo no centro do terreno, juntamente com Enzo Fernández e Alexis Mac Allister, todos eles com tanta garra como qualidade técnica, encarregues de alimentar o capitão com bolas.

A "aura" de Messi 

Mas mais valioso ainda do que a tática, Messi compete agora ao lado de 10 devotos soldados que cresceram a idolatrá-lo.

"É o meu ídolo desde pequeno. Obviamente queres devolver-lhe bem, tentar coordenar os movimentos, ter essa química", disse Julián Álvarez, o seu atual parceiro de ataque, numa entrevista à DAZN.

"Faz com que queiras ir para a guerra se ele te pedir", afirmou de forma mais direta De Paul.

Sobre isso foi questionado em Kansas City o próprio Scaloni, numa das raras oportunidades para a imprensa que a seleção argentina concede.

Ao contrário de outros favoritos como Espanha ou Inglaterra, o bunker albiceleste é impenetrável e os seus protagonistas só falam com os meios de comunicação nos compromissos obrigatórios.

"Talvez tenha encontrado naturalidade, saber que tem ao lado um grupo de amigos, de pessoas que se vão entregar ao máximo por ele, que o veem como se fosse um Deus e que também o veem como se fosse um miúdo do bairro", disse o técnico sobre a relação entre o grupo e o líder.

"Quando têm de falar com ele, falam, isso é espetacular. O que transmite é algo difícil de explicar", explicou. "É preciso estar lá para sentir o que se sente, o aura que se gera ao estar ao lado dele".

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