Mundial-2026: México defende escrita histórica no Azteca em reencontro digno de cinema, 40 anos depois

Vista do Estádio Azteca, palco da abertura do Mundial-2026
Vista do Estádio Azteca, palco da abertura do Mundial-2026WILLIAM VOLCOV / BRAZIL PHOTO PRESS / BRAZIL PHOTO PRESS VIA AFP

O jogo de abertura do Mundial-2026 traz um roteiro cinematográfico que parece ter sido escrito pelos deuses do futebol. Quando México e África do Sul entrarem no relvado do Estádio Azteca esta quinta-feira, não estarão apenas a dar o pontapé inicial no maior Mundial de todos os tempos, mas conectarão quatro décadas de história.

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Pela primeira vez na história dos Mundiais, entre todos os 19 confrontos inaugurais anteriores disputados em formato de partida única, um duelo de abertura vai repetir-se.

Exatamente 16 anos depois do memorável empate entre África do Sul e México (1-1) em Johannesburgo, em 11 de junho de 2010, as duas nações voltam a encontrar-se no dia mais importante do calendário do futebol.

E no centro dessa simetria perfeita estão os dois comandantes à beira do relvado.

1986: O primeiro duelo

Para compreender o peso do confronto de hoje, é preciso voltar exatamente 40 anos no tempo. Em 3 de junho de 1986, o mesmo Estádio Azteca fervia com 110 mil adeptos para a estreia do México no seu próprio Mundial.

Dentro das quatro linhas, defendendo as suas pátrias, estavam dois atletas implacáveis: o médio mexicano Javier Aguirre, então com 27 anos, e o central belga Hugo Broos, na época com 34.

Naquela tarde, o México de Aguirre levou a melhor, vencendo a Bélgica de Broos por 2-1. Ambos os jogadores foram fundamentais para campanhas históricas daquele ano. Agora, nas funções de selecionadores do México e da África do Sul, fecham um ciclo perfeito da vida desportiva, retornando ao exato palco onde mediram forças na juventude. 

"Nem o melhor roteirista de Hollywood faria melhor. Joguei uma partida de abertura de Mundial e agora, quarenta anos depois, estarei no banco como treinador em outra abertura", disse Hugo Broos à AFP

"Não há vingança. A história de há 40 anos repete-se, mas não tem nada a ver com a partida. Eu simplesmente quero vencer como treinador. O passado ficou para trás", pontuou Broos aos jornalistas que lotaram o centro de media do Azteca na véspera da abertura do Mundial.

Aguirre e Broos voltam a encontrar-se num Mundial
Aguirre e Broos voltam a encontrar-se num MundialCARL DE SOUZA / AFP

Do outro lado, Javier Aguirre recordou o confronto de 1986 e elogiou o trabalho que vem sendo feito por Broos à frente dos Bafana Bafana.

"Naquela ocasião, o técnico da África do Sul, Hugo Broos, estava com a Bélgica. Ele tem feito um grande trabalho agora como treinador e respeito-o muito. Como jogador, era forte e incomodou-nos naquela oportunidade, mas vencemos na pura força mental", explicou. 

Encontro de longevidades

Enquanto Javier Aguirre já conhece a pressão de abrir um Mundial, sendo o técnico do próprio México no empate de 2010 contra a África do Sul, Broos conseguiu a façanha de reconstruir os Bafana Bafana, qualificando o país para o Mundial, por mérito desportivo, pela primeira vez desde 2002.

Outra grande ponte viva desse reencontro é o guarda-redes Guillermo Ochoa, o único atleta dos plantéis atuais que esteve presente na partida de 2010.

Ochoa, o veterano da seleção mexicana
Ochoa, o veterano da seleção mexicanaLUKE HALES / GETTY IMAGES SOUTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

O tabu mexicano no seu território

Jogar no Azteca, para a seleção mexicana, é sinónimo de invencibilidade na competição. O histórico do El Tri transforma o estádio numa fortaleza intransponível. Foram sete jogos disputados em Mundiais no Azteca, com 5 vitórias dos anfitriões e 2 empates. O México defende o feito de nunca ter perdido um jogo inaugural atuando nos seus domínios.