Selecionador da África do Sul desafia o Azteca na estreia do Mundial-2026: "85 mil mexicanos não jogam"

Hugo Broos, selecionador da África do Sul
Hugo Broos, selecionador da África do SulREUTERS/Henry Romero

Se o México aposta na força dos seus adeptos e na figura histórica de Javier Aguirre, a África do Sul resolveu desembarcar na Cidade do México armada com a frieza e o pragmatismo. O belga Hugo Broos, selecionador dos Bafana Bafana, tratou de desmistificar o peso histórico do estádio Azteca e mandou um recado direto para blindar o equilíbrio emocional do seu grupo diante do ambiente hostil projetado para a estreia no Mundial-2026.

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Questionado sobre o impacto de encarar um estádio lotado por uma imensa maioria de adeptos locais, Hugo Broos foi utilizou um dos maiores clichés do futebol para tirar a responsabilidade das costas de seus atletas: "Os adeptos não jogam."

"Com certeza é um grande estádio. Serão 85 mil pessoas, 85 mil mexicanos. A única coisa que tenho a dizer aos meus jogadores é que se concentrem no plano de jogo. Isso é o mais importante. Porque 85 mil mexicanos não jogam. Eles apenas gritam", declarou Hugo Broos.

Conferência de imprensa de Hugo Groos no Azteca
Conferência de imprensa de Hugo Groos no AztecaREUTERS/Henry Romero

"Se és a equipa da casa, é muito importante ter 85 mil pessoas a apoiar e a cantar. Mas, repito, temos que focar na nossa estratégia. Se não formos influenciados pelo barulho deles, podemos fazer uma boa partida amanhã", acrescentou o treinador belga. 

2010 apenas na lembrança

Além de desarmar o fator bancada, Hugo Broos fez questão de cortar qualquer tentativa da imprensa de alimentar o ambiente com a nostalgia do último encontro entre as duas seleções em estreias em Mundiais.

Questionado se o emblemático empate 1-1 na abertura do Mundial-2010 — e o antológico golo marcado por Tshabalala em Joanesburgo — estava a ser utilizado como combustível para motivar o grupo atual, o selecionador sul-africano foi direto ao separar a história da realidade.

"Não acho que a equipa precise dessa inspiração. Aquele foi um grande momento para a África do Sul, mas foi há muito tempo. Agora é 2026", defendeu.

"Estamos a jogar a partida de abertura amanhã contra o México. Os jogadores já estão animados e motivados o suficiente, não precisam realmente daquele golo do Tshabalala. Mas sim, é uma lembrança muito bonita", concluiu Hugo Broos.