Mundial-2026: Os números que fazem de Rabiot um dos pilares de França

Rabiot é titular absoluto no meio-campo da França
Rabiot é titular absoluto no meio-campo da FrançaREUTERS/John Sibley

Há menos de um ano, Adrien Rabiot deixou o Olympique de Marselha depois de uma discussão no balneário que pôs fim, de forma traumática, à sua passagem pelo clube. Foi mais um episódio de uma carreira frequentemente marcada por turbulências fora das quatro linhas. Na seleção francesa, porém, a história seguiu um rumo completamente diferente.

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Aos 31 anos, o camisola 14 está a realizar o Campeonato do Mundo mais consistente da carreira e afirmou-se como o principal pilar tático da equipa de Didier Deschamps.

Os números ajudam a explicar esta transformação. Titular nos quatro jogos disputados pela França até aos quartos de final, Rabiot soma uma assistência, seis ocasiões criadas, 90% de eficácia no passe e uma média de 7,5 nas avaliações do Flashscore, a melhor entre os médios franceses.

Surge também como o terceiro jogador da equipa com mais passes longos certos, atrás apenas de Dayot Upamecano e Mike Maignan, e partilha com Manu Koné o melhor índice de precisão de passe do plantel.

As estatísticas, porém, contam apenas uma parte da história. Numa seleção construída para potenciar o talento ofensivo de Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé, Michael Olise e Désiré Doué, é Rabiot quem assegura o equilíbrio do sistema.

O gráfico de Rabiot no Mundial-2026
O gráfico de Rabiot no Mundial-2026Opta by Stats Perform

Esquerdino e com 1,91 metros, reúne atributos pouco comuns num só jogador: força física, inteligência posicional, qualidade técnica e capacidade para percorrer grandes distâncias ao longo de todo o encontro.

Atua como um verdadeiro médio de área a área, protegendo a defesa, recuperando bolas, acelerando as transições e quebrando linhas através da condução ou de passes verticais. É o jogador que liga os vários setores da equipa e permite que os avançados tenham liberdade para decidir os jogos.

Evolução

A importância de Rabiot cresceu ainda mais na fase a eliminar. Com Aurélien Tchouaméni ausente em parte desta etapa da competição, Deschamps reorganizou o meio-campo sem alterar a função do camisola 14.

Ao lado de Manu Koné frente ao Paraguai, coube a Rabiot controlar o ritmo do jogo, dar cobertura aos laterais, coordenar a pressão sobre o adversário e organizar a saída de bola.

Mais do que um médio defensivo, tornou-se a principal referência do setor e o grande responsável por manter o equilíbrio coletivo de uma França que aposta na intensidade, na velocidade e numa ocupação agressiva dos espaços.

Rabiot e a circulação do jogo da França pela esquerda
Rabiot e a circulação do jogo da França pela esquerdaStats Perform/Opta

Este momento representa o ponto mais alto de um percurso marcado por várias reviravoltas. Em 2018, nas vésperas do Mundial da Rússia, Rabiot recusou integrar a lista de suplentes da seleção francesa depois de ter ficado de fora da convocatória principal.

A decisão provocou uma rutura com Didier Deschamps e com a Federação Francesa, deixando o jogador afastado da seleção durante quase dois anos. O regresso aconteceu em 2020, impulsionado pela evolução demonstrada na Juventus e pela convicção do selecionador de que o seu futebol voltaria a ser útil à equipa.

A redenção definitiva começou no Catar, em 2022. Perante as ausências de Paul Pogba e N’Golo Kanté, Rabiot assumiu um papel de destaque no meio-campo francês e respondeu com exibições consistentes ao longo de toda a campanha, que terminou com o segundo lugar no Mundial.

Esse desempenho reforçou a sua relação com Deschamps e abriu caminho para que chegasse ao Mundial de 2026 num patamar diferente.

Toques na bola do meio para a frente
Toques na bola do meio para a frenteStats Perform/Opta

Hoje, o jogador que durante vários anos chamou mais a atenção pelas polémicas do que pelo futebol tornou-se uma das lideranças silenciosas da seleção francesa. Sem o mediatismo de Mbappé ou Dembélé, Rabiot cumpre o trabalho menos visível, mas talvez o mais indispensável.

É ele quem dá equilíbrio, organiza o jogo e sustenta a estrutura tática de uma equipa que continua entre as principais candidatas ao título mundial.

Mundial-2026

O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.

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