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Tal como aconteceu com o "thunderclap" islandês que marcou o Europeu de 2016, o cântico sincronizado de remada viking que acompanha as aparições da seleção norueguesa de futebol tornou-se um fenómeno viral no Mundial-2026.
Enquanto adeptos de futebol remaram em estádios em Boston e em Times Square, a população local na Noruega manteve a tradição, remando em escolas, hospitais e até no Parlamento, onde o primeiro-ministro também participou.
A Noruega, com o seu avançado estrela Erling Haaland, publicou um vídeo do plantel a remar após a vitória frente à Costa do Marfim e disse aos jornalistas: “Ver milhares a remar contigo, sente-se a energia. Dá-te arrepios.”
À medida que a equipa de Stale Solbakken alcançou a sua melhor campanha num Mundial desde 1998, ao chegar aos oitavos de final, multidões enormes de adeptos eufóricos elevaram o barulho a níveis tão inéditos que, segundo relatos, sismólogos registaram um terramoto em Oslo.
Para dinamarqueses e suecos, no entanto, a celebração dos vizinhos revelou-se muito mais um incómodo do que uma novidade.
"Nunca o vou fazer. Limitamo-nos a suspirar. Talvez principalmente para a equipa de televisão que decide fazer zoom sempre que acontece", disse o defesa da Suécia e do SC Braga, Gustaf Lagerbielke. aos jornalistas numa conferência de imprensa antes de a Suécia ser eliminada do Mundial frente à França.
"É muito parecido com o vulcão islandês, no fundo. Mas, cada um com o seu gosto", arcescentou.
Nem mesmo os escândalos da monarquia norueguesa e os extensos laços da princesa Mette-Marit com o falecido agressor sexual Jeffrey Epstein, bem como as acusações criminais do seu filho Marius Borg Hoiby, conseguiram abrandar a febre do Mundial na Noruega, já que o governo aliviou as restritas proibições ao álcool e os bilhetes para o evento no ecrã gigante no Estádio Ullevaal, em Oslo, para o jogo frente ao Brasil esgotaram em menos de dez minutos.
Quando a festa após a vitória por 2-1 frente à Costa do Marfim atingiu o seu auge, os adeptos noruegueses começaram a cantar "Comprar toda a Suécia" ("Kjøpe hele Sverige"), uma canção patriótica norueguesa que goza com a Suécia ao som da música popular americana "She'll Be Coming 'Round the Mountain".
A canção aborda um tema sensível entre a Noruega e os seus vizinhos escandinavos, já que dinamarqueses e suecos invejam geralmente a enorme riqueza financeira da Noruega. O país é constantemente classificado como um dos mais ricos do mundo, gerando receitas extraordinárias por cidadão devido à sua população modesta de cerca de 5,5 milhões de pessoas e às vastas reservas de petróleo e gás natural offshore.
Como se isso não bastasse, a Noruega pode ainda gabar-se de uma natureza incrível, que os seus vizinhos escandinavos só podem sonhar. Embora a Suécia tenha uma vasta natureza selvagem, belos arquipélagos e florestas densas, e a Dinamarca possua costas de grande beleza, nenhuma delas tem os impressionantes fiordes glaciais e picos montanhosos cobertos de neve que fizeram crescer a reputação da Noruega como paraíso natural de renome mundial.
Para aumentar ainda mais a inveja dos vizinhos escandinavos, a Noruega, há apenas quatro meses, reforçou a sua reputação de superpotência desportiva ao dominar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 em Milão Cortina, conquistando impressionantes 41 medalhas no total (incluindo 18 de ouro), com Johannes Klaebo a tornar-se o atleta com mais medalhas de ouro de sempre na história dos Jogos Olímpicos de Inverno, com 11 medalhas de ouro.
A Dinamarca e a Suécia costumavam ter o futebol como refúgio, pelo menos antes do Mundial-2026, já que sempre dominaram os rivais noruegueses em termos de qualificação para torneios, mas esses tempos parecem ter ficado para trás.
"No futebol, os dinamarqueses gostam de se considerar os brasileiros da Escandinávia", disse o selecionador norueguês Stale Solbakken numa entrevista que me concedeu para o livro "Indspark Udefra" de 2014.
"Os dinamarqueses sempre se viram como o irmão mais velho da Noruega no futebol e querem sempre sublinhar que são superiores nesta parte do mundo. Procuram sempre promover um futebol atrativo e preferem perder 5-4 num jogo muito animado e cheio de belas jogadas do que ganhar 1-0 num jogo aborrecido. Por isso, já nos ridicularizaram pelo nosso estilo mais direto", afirmou Solbakken.

No mesmo livro, a antiga campeã olímpica e uma das melhores andebolistas de sempre, Gro Hammerseng, afirma que os dinamarqueses têm algo a aprender com os noruegueses.
"Enquanto joguei na Dinamarca, senti muitas vezes que os dinamarqueses se focavam mais nos aspetos negativos do que nos positivos e talvez não tirassem tanto prazer das conquistas dos outros como sinto que fazemos na Noruega", afirmou.
Se a Noruega continuar o seu impressionante percurso frente à seleção mais titulada da história do Mundial, dinamarqueses e suecos provavelmente vão planear férias de verão no hemisfério sul, com receio de serem confrontados com as suas insuficiências caso optem por visitar Oslo, Bergen, Bodo ou Stavanger.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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