Garcia não viu o seu contrato renovado após o Mundial e, na primeira entrevista desde então, culpou o departamento médico da equipa pelos contratempos que, segundo ele, levaram a uma prestação pouco convincente, mesmo que a Bélgica tenha chegado aos quartos de final.
"Pusemos o nosso Mundial em risco devido a certas lesões e doenças que não foram tratadas corretamente", disse ao jornal de Bruxelas Le Soir, na segunda-feira.
A Bélgica começou o torneio de forma pouco impressionante, com empates frente ao Egito e ao Iraque, antes de uma vitória por 5-1 sobre a Nova Zelândia em Vancouver, que permitiu à equipa terminar no topo do grupo pela diferença de golos.
Depois, tiveram de recuperar frente ao Senegal para avançar para os oitavos de final, onde realizaram o seu melhor jogo do torneio frente aos EUA. O extremo do Manchester City, Jeremy Doku, era apontado como peça fundamental na campanha, mas teve problemas de saúde e acabou nas urgências durante o Mundial devido a líquido nos pulmões.
"Uma semana antes, por minha insistência, conseguimos marcar uma consulta para um exame. O médico achou que o exame não era necessário porque tinha dado antibióticos ao Jeremy. O Jeremy sentiu-se melhor e, no fim, também já não quis ir. Mas seis dias depois, passou a noite nas urgências", afirmou Garcia.
Outras lesões
Garcia referiu ainda as lesões do capitão Youri Tielemans, Charles De Ketelaere e Zeno Debast, do Sporting, durante o torneio. Não houve reação imediata por parte da federação belga de futebol. No entanto, Garcia considerou que, apesar dos contratempos, desempenhou bem o cargo e sublinhou várias vezes na entrevista que saiu sem ressentimentos.
"Vim para uma missão. Assumi a Bélgica porque se aproximava um Mundial com o Kevin De Bruyne, o Thibaut Courtois e o Romelu Lukaku. Pensei que esses três ícones ainda podiam carregar a Bélgica e que juntos poderíamos levá-los o mais longe possível. A minha missão terminou quando terminou o Mundial. Vivemos juntos momentos muito bonitos", afirmou o treinador.
Garcia disse que, se lhe tivessem proposto renovar contrato, poderia ter ficado.
"Penso que teria gostado de ficar, mas isso também teria sido uma escolha de conforto da minha parte. Conhecia o grupo, trabalhámos juntos durante 18 meses e criei laços com os jogadores e com o país. Não acho imodesto dizer que recolocámos a Bélgica no mapa do futebol mundial. Por isso, a minha missão foi cumprida. E depois é bom passar para outra etapa. Saí sem amargura. Hoje estou muito tranquilo e satisfeito com o que fiz", vincou.
A Bélgica avançou rapidamente após o Mundial para nomear o antigo internacional neerlandês Mark van Bommel como treinador.
