"A organização do Campeonato do Mundo de futebol de 2030 em Portugal, para o qual se exigirá a construção, requalificação de estádios, infraestruturas e contratação maciça de bens e serviços, potenciando riscos típicos de grandes eventos (sobrefaturação, conluio, fraude em empreitadas e subcontratação opaca" são os riscos apontados pelo MENAC para a fase prévia ao Mundial.
Outro ponto prende-se com as sociedades anónimas desportivas, "com estruturas societárias opacas e complexas, investimento estrangeiro de origem pouco transparente e transferências nacionais/internacionais de jogadores, suscetíveis de utilização para branqueamento de capitais, fraude fiscal e dissimulação de fluxos financeiros".
O setor do desporto profissional e indústria do futebol apresenta "crescentes vulnerabilidades decorrentes da profissionalização, internacionalização do capital e forte circulação monetária", com "áreas de risco acrescido, tais como o match-fixing (viciação de resultados), manipulação de competições associada a apostas ilegais, corrupção de atletas, árbitros ou dirigentes, com possíveis ligações a redes internacionais".
O MENAC refere ainda "a dopagem e tráfico de substâncias proibidas, com cadeias de fornecimento ilícitas e corrupção de agentes desportivos ou técnicos".
O relatório dá ainda conta de terem sido registados 45 inquéritos de branqueamento de capitais relacionados à corrupção desportiva entre 2019 e 2023, resultando em duas condenações.
O Mundial-2030 vai ser disputado em Espanha, Marrocos e Portugal, que irá ter como recintos oficiais o Estádio da Luz, o Estádio José Alvalade, ambos em Lisboa, e o Estádio do Dragão, no Porto.
As primeiras partidas da competição vão ocorrer no Uruguai, na Argentina e no Paraguai, numa celebração do primeiro Mundial, que se disputou em 1930, no Uruguai.
