Normalmente, para o México, ser sede do Mundial e ter sucesso desportivo são coisas que andam juntas. Nas duas vezes que recebeu o torneio - 1970 e 1986 - os mexicanos obtiveram os seus melhores resultados em Mundiais, com queda nos quartos de final, diante de Itália e Alemanha Ocidental.
Confira a tabela completa do Mundial-2026
Contudo, desta vez, a expectativa dos donos da casa é baixa. O México obviamente não disputou as Eliminatórias e por isso fez um ciclo com jogos particulares, Copa América, Copa Ouro e Nations League. Apesar do título nos dois últimos, o futebol da seleção nacional não empolga os mexicanos. Na última Data FIFA, por exemplo, foram dois empates sonolentos, contra Portugal e Bélgica.
Um dos fatores para o futebol do México não engrenar é a falta de sequência dos selecionadores, apesar da evidente qualidade técnica do plantel. Entre os Mundiais de 2022 e 2026 foram três treinadores. O atual, Javier Aguirre, chegou a meio de 2024.
Rafael Carioca, brasileiro e ídolo do Tigres, contou, em entrevista exclusiva ao Flashscore, que os seus companheiros mexicanos queixavam-se dessa instabilidade.
"O principal fator do insucesso da seleção mexicana é a troca constante de treinador. Perde um campeonato regional e já manda o treinador embora. Conversando com os meus companheiros do Tigres — o Angulo, o Lainez, o Córdoba, jogadores convocados frequentemente — eles sempre falavam dessa dificuldade de ter um trabalho completo. Existem muitos jogadores de qualidade, mas falta um treinador que entenda o processo e deixe o trabalho acontecer", analisou Rafael Carioca.

Estilo de jogo
É claro que a falta de um ciclo completo para Javier Aguirre faz com que o México chegue menos consolidado do que deveria. A tónica é de uma equipa ainda sem muitos titulares definidos, até devido a diversos problemas físicos que alguns nomes importantes têm enfrentado. Edson Álvarez, por exemplo, autor do golo do título da Taça de Ouro de 2025, está fora de combate no Fenerbahçe.

O México apresenta-se no campo num esquema 4-3-3, com uma dupla consolidada de centrais, formada por César Montes e Johan Vásquez, além de dois laterais com papéis diferentes. Pela direita, Israel Reyes forma uma linha de três na fase ofensiva e, na esquerda, Jesús Gallardo sobe muito ao ataque.
Edson Álvarez, se estiver bem fisicamente, é o jogador que estabiliza o meio-campo do México para que Álvaro Fidalgo e Gilberto Mora possam chegar à área. A referência de ataque é Raúl Jiménez, que trabalha muito como pivô para municiar os extremos Roberto Alvarado e Alexis Vega. Em conversa com o Flashscore, Rafael Carioca contou que a predileção por esse esquema é algo característico dos mexicanos.

"O futebol mexicano é mais dinâmico, mais rápido. Não que o brasileiro seja lento, mas os jogadores mexicanos são muito rápidos, gostam de jogar com extremos pequenos que vão pra cima, têm muita movimentação", disse o brasileiro.
A Estrela

A grande esperança do México para o Mundial-2026 é Raúl Jiménez. Jogador do Fulham, é um dos dois titulares da seleção que joga numa das grandes ligas europeias. O outro é Álvaro Fidalgo, do Betis. Essa bagagem internacional do camisola 9 pode ser fundamental para os jogos de alto nível que ocorrerão no Mundial.
A atual temporada de Raúl Jiménez não é espetacular, mas está longe de ser negativa. O avançado de 34 anos regista 12 golos em 46 jogos, pelo Fulham e pela seleção mexicana, 9 deles na Premier League. Segundo Rafael Carioca, a dupla formada pelo avançado ex-Benfica e Alexis Vega é o ponto de destaque dos anfitriões no Mundial.

"Acredito que o Alexis Vega, que joga no Toluca, é um jogador que merece muita atenção — se ficar livre de lesões, porque ele tem sofrido bastante com problemas físicos. E gosto muito do Raul Jiménez também, o avançado que joga em Inglaterra. Para mim, são os dois jogadores que podem fazer a diferença na seleção mexicana", apontou.
Candidato a surpresa
A seleção mexicana, muito provavelmente, terá um titular com 17 anos e candidato a revelação por parte do país-sede. Gilberto Mora, jogador do Tijuana, jogou a última Taça Ouro e o Mundial Sub-20 com apenas 16 anos. Na segunda competição, marcou 3 golos, fez 2 assistências e levou o México aos quartos de final, quando caíram diante da Argentina.

Gilberto Mora pode cumprir um papel importante de elemento surpresa ao encostar no trio da frente. Outra valência importante do jovem destro é o drible, capaz de desequilibrar defesas fechadas.
Como é vivido o futebol no México?
É impossível falar de futebol sem citar o México. O país da América do Norte sediou duas das edições (1970 e 1986) mais marcantes de Campeonatos do Mundo de todos os tempos. Também por isso, possui um povo absolutamente apaixonado por futebol. Rafael Carioca, que jogou oito anos em Monterrey, uma das sedes do Mundial, contou que há imensa expectativa dos mexicanos para voltar a receber o torneio.
"O povo mexicano é apaixonado por futebol, muito parecido com o brasileiro. Monterrey é uma cidade muito estruturada, com muitas empresas, muitos estrangeiros, e o estádio é uma das paisagens mais bonitas do mundo. Tenho muitos amigos mexicanos até hoje e eles falam que este é o Mundial que eles vão poder assistir de perto. Tenho a certeza que vai ser um sucesso total", garantiu o brasileiro.

Rafael também contou que o país suspende as atividades em horários de jogos da seleção mexicana, inclusive os treinos do Tigres eram afetados.
"Tudo pára. Sempre que havia Mundial e eu estava no México, em pré-temporada em Cancún, era uma loucura. O hotel parava, toda gente se reunia. No último Mundial, era jogo do México e eles mudavam o horário do treino, a equipa juntava-se com os adeptos no hotel para assistir. Eles vivem aquilo de uma forma única. São muito recetivos, muito quentes, amam o futebol", relembrou o ídolo do Tigres.
Agenda do México no Mundial-2026:
11/6 (quinta-feira)
20:00 - México x África do Sul (Cidade do México)
19/6 (quinta-feira)
02:00 - México x Coreia do Sul (Guadalajara)
24/6 (quinta-feira)
02:00 - República Checa x México (Cidade do México)
