Protesto no México leva à queda de estátuas ligadas ao Mundial-2026

Situação tensa no México
Situação tensa no México REUTERS/Henry Romero

Estátuas no chão, camisolas queimadas, uma bola gigante no meio da rua. Professores em protesto atacaram na terça-feira uma exposição alusiva ao Mundial erguida numa emblemática avenida da Cidade do México para pressionar pelas suas reivindicações laborais.

A manifestação foi convocada por um grupo dissidente do sindicato da educação, a CNTE, que ameaçou com mobilizações massivas durante a inauguração do Mundial de futebol dentro de nove dias.

As estátuas de cinco metros de altura decoravam o Paseo de la Reforma e representavam futebolistas dos países participantes.

Com cordas, os manifestantes puxaram as estruturas até as derrubarem, retiraram-lhes as camisolas e incendiaram-nas.

"A CNTE vive", escreveram em graffiti vermelho sobre o manequim despido. "Se não houver solução, a bola não rolará", lê-se noutra inscrição.

Uma marcha da CNTE foi dispersada na véspera com gás lacrimogéneo perto da central Praça do Zócalo, onde estará um 'fan fest' do Mundial. A Polícia manteve até terça-feira um bloqueio dos acessos com barreiras metálicas, constatou a AFP.

A CNTE exige salários mais altos e a revogação de uma lei das pensões. Rejeita um aumento salarial de 9% acordado pela direção oficial do sindicato com o Governo.

"Devemos ser coerentes"

Os manifestantes derrubaram estátuas da Bélgica, França e Espanha. Uma com a camisola verde do México ficou de pé. A presidente, Claudia Sheinbaum, apelou ao protesto pacífico. O seu Governo emitiu um comunicado apelando ao regresso à mesa de diálogo.

"Se (Sheinbaum) chama crime a deitar abaixo umas estátuas, como chamará a tirar-nos os direitos; devemos ser coerentes", afirmou Juan Pablo de la Cruz, professor de 44 anos com duas décadas de experiência.

Os manifestantes fecharam faixas da Reforma e causaram caos no já caótico trânsito da capital.