Os adeptos da Escócia são mais conhecidos pelo impacto que deixam nos grandes torneios do que pelo desempenho da sua equipa dentro do relvado.
O país nunca conseguiu ultrapassar a fase de grupos em Mundiais e Europeus, em 12 tentativas anteriores.
No entanto, cerca de 200 mil escoceses receberam elogios pela atmosfera que criaram no Euro-2024, na Alemanha, apesar de não terem visto a sua seleção vencer qualquer jogo.
Espera-se que dezenas de milhares desafiem os preços exorbitantes para viajar até Boston e Miami nas próximas semanas.
"Se me tivessem dito há 28 anos que não voltaríamos a ver outro Mundial até agora, para ser sincero, teria desatado a chorar", disse Niall Fitzgerald, de 50 anos, à AFP, à porta do Hampden Park, que acolheu a vitória da Escócia num amigável frente a Curaçau no último fim de semana.
"Mas agora que vou, mal consigo acreditar. Todos os dias só penso nisso. Estou mais do que entusiasmado", acrescentou o escocês, vestido com um kilt e um chapéu de cowboy Stetson.
A presença da Escócia no palco mundial, pela primeira vez desde o torneio de 1998 em França, foi garantida com uma memorável vitória por 4-2 sobre a Dinamarca.
A sublinhar a importância do regresso da Escócia ao Mundial, o pontapé de bicicleta de Scott McTominay nessa vitória dramática foi imortalizado num mural gigante à porta do Hampden e numa nota de 20 libras de edição limitada.
Assombrada pelos fantasmas dos fracassos em Mundiais anteriores, a estreia da Escócia no torneio frente aos modestos caribenhos do Haiti traz esperança de que as multidões em viagem possam celebrar um início vitorioso na competição.
Mas desafios bem mais difíceis aguardam, frente aos semifinalistas de 2022, Marrocos e aos pentacampeões Brazil.
"Acho que provavelmente vão levar muita bebida e festa. Penso que vão ser dos melhores adeptos presentes", afirmou o adepto Ivor Much sobre a capacidade da Escócia para criar um ambiente de carnaval.
"Acho que é uma combinação perfeita ter o Brasil e a Escócia juntos".
"Roubado aos pobres"
A alegria da qualificação, no entanto, foi atenuada pelos preços exorbitantes dos bilhetes, viagens e alojamento.
O selecionador escocês, Steve Clarke, apelou aos adeptos para não acumularem dívidas avultadas no desejo de acompanhar a Escócia na América do Norte.
Os bilhetes de categoria um para o duelo com o Brasil custavam 700 dólares (600 euros), com valores a ultrapassar os milhares no mercado secundário.
"Os adeptos polacos exibiram uma faixa num dos estádios no ano passado a dizer 'Roubado aos pobres, dado aos ricos' e acho que isso resume tudo," disse o adepto Steven Webster, que não falha um jogo da Escócia em casa desde o confinamento devido ao coronavírus.
O escocês de 49 anos está, assim, entre os muitos que planeiam viajar para o sul de Espanha para ver os jogos em bares e viver o ambiente de festa, mesmo que fiquem a milhares de quilómetros do centro da ação.
"O custo de ir à América para os jogos dava para comprar um carro novo pelo mesmo valor. Em vez disso, vamos para Espanha. Neste momento, estou a sentir um pouco de FOMO (medo de ficar de fora)", afirmou Webster.
Mas para os que têm a sorte de acompanhar os seus heróis do outro lado do Atlântico nas próximas semanas, a festa está apenas a começar.
"Toda a gente estende a mão neste Mundial e tem sido uma pequena vergonha. Mas, dito isto, nada nos impediria de lá estar, custasse o que custasse", disse Fitzgerald.
"Toda a gente adora o Tartan Army. Mesmo que nunca tenham conhecido o Tartan Army, nunca querem que eles se vão embora, e querem sempre que regressem, uma e outra vez. É isso que levamos ao Mundial – a festa!".
