Quem é quem no Mundial: conheça a seleção da Costa do Marfim

Costa do Marfim está de regresso ao Mundial, depois de ter falhado as edições de 2018 e 2022
Costa do Marfim está de regresso ao Mundial, depois de ter falhado as edições de 2018 e 2022 ČTK / AP / Sunday Alamba

A Costa do Marfim chega ao Mundial-2026 com uma mistura de euforia e desconfiança. Após o título "milagroso" na CAN-2023, onde esteve perto da eliminação precoce e terminou com a conquista do título, os Elefantes tentam provar que podem sair-se bem no maior palco do planeta.

O regresso ao Mundial, após as ausências em 2018 e 2022, marca uma fase de transição geracional. Sem os nomes de peso da "Geração de Ouro" de Drogba e Yaya Touré, a seleção aposta numa safra de jovens talentos que atuam nas principais ligas europeias para tentar, pela primeira vez na história, passar aos oitavos de final.

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Este será o quarto Campeonato do Mundo da seleção costa-marfinense.

A qualificação para 2026 chegou de forma sólida – a equipa terminou como líder invicta do seu grupo. E os particulares da Data FIFA de março animaram os adeptos (0-1 contra a Escócia e 0-4 sobre a Coreia do Sul).

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Quem ajuda a entender este momento da Costa do Marfim é Goba Zakpa, atual jogador do Mafra, que define a atual seleção como uma equipa ainda em busca de identidade.

"Comparada com os anos anteriores, quando tínhamos vários jogadores de classe mundial como Drogba, Gervinho e Kalou, a nossa seleção hoje está em reconstrução. A nossa seleção é inconstante. Um dia faz um jogo brutal e, no outro, perde com uma equipa acessível", analisou Zakpa em entrevista exclusiva ao Flashscore.

O histórico da Costa do Marfim em Mundiais
O histórico da Costa do Marfim em MundiaisFlashscore

Estilo de jogo

A Costa do Marfim atualmente joga com um 4-3-3 que depende muito do talento de seus alas: Amad Diallo, craque do Manchester United, pela direita; e Diomandé, estrela do RB Leipzig, pela esquerda.

Diomandé é um dos principais dribladores da atual temporada da Bundesliga.

Diomandé joga pela direita no Leipzig, mas troca de lado na seleção
Diomandé joga pela direita no Leipzig, mas troca de lado na seleçãoReuters/Opta

Sob o comando técnico de Emerse Faé – campeão da CAN-2023 –, a equipa tem também jogadores altos e fortes fisicamente na sua linha defensiva.

O nosso estilo de jogo não é tão atrativo; é mais baseado no físico, no impacto e um pouco no jogo individual de alguns jovens que estão a ganhar experiência", explica Zakpa, avançado de 33 anos do Mafra.

A principal dúvida da Costa do Marfim é quem será o ponta de lança no Mundial.

Kessié, o dono do meio-campo
Kessié, o dono do meio-campoProfimedia

Quem é a estrela da equipa?

O pilar e a voz da experiência no plantel costa-marfinense é Franck Kessié. Atualmente na Arábia Saudita, o ex-médio de AC Milan e Barcelona é o termómetro da equipa. Com bagagem internacional, é o responsável por dar equilíbrio a uma equipa repleta de jovens.

"Kessié tem um grande impacto e uma bagagem de experiência muito grande. Dá para dizer que ele é um dos jogadores acima dos outros em termos de patamar", afirma Goba Zakpa, que nasceu em Abidjan, maior cidade marfinense.

Aos 29 anos, Kessié vem de uma temporada mediana com o Al Ahli. O médio teve uma nota média de 6,9 na liga saudita, segundo os dados do Flashscore.

Os números de Franck Kessié
Os números de Franck KessiéFlashscore

Candidatos a surpresa

Se Kessié é a segurança, o trio de ataque, formado por Amad Diallo, Simon Adingra e Diomandé, são as apostas para levar a Costa do Marfim à fase a eliminar do Mundial-2026.

Para Zakpa, esses jovens são o fator diferencial: "Esses três podem ser as surpresas da nossa seleção. Eles fazem a diferença e esperamos ganhar alguns jogos".

Diallo brilhou na última CAN
Diallo brilhou na última CANAFP

Como é o clima de Mundial na Costa do Marfim?

Durante o Mundial, o país praticamente entra em recesso informal, conta Goba Zakpa.

Todos os dias da semana, quando há jogo, independente de quem joga, é festa. Como é o desporto favorito, as pessoas vão para as mesas na calçada, para os bares. É alegria total, porque é a única maneira de juntar o povo e de conviver com as pessoas. Na nossa terra, futebol é sempre festa", explicou o jogador do Mafra.

Curiosamente, o Brasil exerce um fascínio histórico sobre os marfinenses. Embora a idolatria tenha diminuído após a retirada de nomes como Ronaldo e Kaká, a memória da seleção canarinha ainda é forte.

"Na Costa do Marfim, quando se falava de futebol, todos eram do Brasil. Antes mesmo de começar o Mundial, todos torciam pelo Brasil, sem nem olhar quem ia jogar", revela o jogador.

Mas depois a história mudou e craques como Ronaldo, Rivaldo, Romário, Kaká e Robinho pararam, o povo começou a desistir um pouco e a apostar em outras equipas. Lembro-me de quando era pequeno, o Brasil a jogar uma meia-final contra os Países Baixos (Mundial-1998)... quando o Brasil passou nos penáltis, foi uma festa total! Toda a gente saiu para a rua com a camisola do Brasil. Hoje em dia não se vê tanto isso, mudou muito", concluiu.

Histórico contra rivais do Mundial

A seleção africana está no Grupo E do Mundial-2026, juntamente com Alemanha, Equador e Curaçao.

Contra a tetracampeã mundial, o histórico tem apenas uma partida: empate 2-2 num jogo particular de 2009.

Já os duelos contra Equador e Curaçao serão inéditos na história do futebol.

Agenda da Costa do Marfim no Mundial-2026:

15/6 (segunda-feira)

• 00:00 - Costa do Marfim x Equador (Filadélfia)

20/6 (sábado)

• 21:00 - Alemanha x Costa do Marfim (Toronto)

26/6 (sexta-feira)

• 21:00 - Costa do Marfim x Curaçao (Filadélfia)

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