Para conhecer melhor esta nova Espanha, o Flashscore conversou com o avançado brasileiro Raí Nascimento, que construiu grande parte da sua carreira no futebol espanhol, com passagens marcantes por Zaragoza, Ibiza e Deportivo La Coruña.
O caminho dominante nas Eliminatórias
O trajeto da seleção espanhola rumo ao Mundial-2026 atestou a força deste novo trabalho. A Espanha passou com facilidade nas Eliminatórias Europeias e garantiu a sua vaga com uma campanha intocável e invicta. Liderando o Grupo E, contra Turquia, Geórgia e Bulgária, a equipa liderada por Luis de la Fuente conquistou cinco vitórias e um empate em seis jogos, registando um impressionante saldo de 21 golos marcados e apenas dois sofridos.
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Esse desempenho dominante retirou qualquer dúvida sobre a renovação do plantel e provou que o país chega pronto para apagar as quedas precoces das últimas duas edições do torneio.

Fim do monopólio da posse: uma Espanha mais vertical
A identidade espanhola no futebol confunde-se quase sempre com o controlo absoluto da bola. No entanto, ao analisar a forma como a equipa joga, Raí Nascimento destaca que a principal nuance desta formação de Luis de la Fuente é a capacidade de ser mais direta e agressiva, fruto da irreverência da juventude do seu plantel.
"Acredito que a ideia mudou bastante nos últimos anos. É um futebol um pouco mais dinâmico, também por ser uma equipa mais jovem", analisa Raí.

Essa versatilidade tática permite à equipa adaptar-se aos diferentes momentos do jogo. O treinador tem à sua disposição a velocidade vertiginosa nas alas, mas também opções de peso para um ataque mais posicional.
"Tendo o Borja Iglesias no banco de suplentes ou não, é um jogador típico de presença na área, com golo e capacidade de segurar a bola. Quando a seleção de Espanha não quiser muita correria, ele vai ajudar bastante", acrescenta o avançado brasileiro, lembrando os tempos em que dividiram o balneário no Zaragoza.
Mais do que Yamal: o peso de Pedri na engrenagem

Quando se procura a grande estrela desta geração, o nome de Lamine Yamal salta aos olhos de forma quase automática. Contudo, numa seleção repleta de talento, o estatuto de figura principal divide-se por vários setores. Para Raí Nascimento, o meio-campo é a peça-chave para o sucesso espanhol.
"Tudo vai depender de como o De la Fuente vai levar o Mundial, mas o Pedri também é um nome a ser destacado. O Gavi perdeu um pouquinho da temporada por lesões, mas será um jogador muito importante", salienta.
A surpresa: a personalidade dos mais jovens

No que diz respeito às possíveis revelações que podem surpreender os adeptos mais desatentos, Raí não tem dúvidas em apontar para os jovens talentos que continuam a dar nas vistas. A ousadia dos mais novos, exemplificada em nomes como Yeremy Pino, é a grande arma espanhola.
"Acredito que podem ser a surpresa. Os jovens estão a aparecer muito fortes. Hoje têm uma personalidade e um avanço incríveis", refere.
"Vão ajudar outras gerações, demonstrando aquele poder de: 'Mister, conta comigo, pode contar que eu vou fazer a diferença, estou aqui para ajudar'. Antigamente era muito difícil ter essa facilidade", acrescentou o avançado brasileiro.
"Peñas" e paixão: a semelhança com o Brasil

Longe das quatro linhas, viver um Mundial em Espanha é uma experiência intensa, marcada pela forte cultura associativa. Em vez das grandes multidões misturadas nas ruas, como é hábito na América do Sul, os espanhóis reúnem-se nas chamadas "peñas" (casas ou grupos de adeptos de um determinado clube).
"É bem animado, porque lá é muito de 'peña'. Tens a 'peña' do teu clube, vais para um bar, restaurante ou reúnes com a família. A maneira como se vive o futebol como adepto pode ser um pouco diferente do Brasil, onde estás na rua com quem nem conheces, mas a sensação de querer ganhar e a paixão é muito parecida", explica Raí.
Essa vibração atinge o seu auge em regiões como a Andaluzia, onde o clima e a alegria do povo até fazem lembrar o calor brasileiro. Um sentimento de pertença que transforma os adeptos no verdadeiro 12.° jogador da La Roja.
Agenda de Espanha no Mundial-2026:
15 de junho (segunda-feira)
17:00 - Espanha x Cabo Verde (Mercedes-Benz Stadium, Atlanta, EUA)
21 de junho (domingo)
17:00 - Espanha x Arábia Saudita (Mercedes-Benz Stadium, Atlanta, EUA)
27 de junho (sábado)
01:00 - Uruguai x Espanha (Akron, Zapopan, México)
