Quem é quem no Mundial: conheça a seleção do Iraque

Iraque está de volta ao Mundial após 40 anos
Iraque está de volta ao Mundial após 40 anosRodrigo Oropeza / Getty Images South America / Getty Images via AFP

O Iraque está de volta ao Mundial após 40 anos. A seleção árabe conquistou a última das 48 vagas do torneio, na repescagem intercontinental, e alcançou um dos maiores feitos de uma geração marcada pela guerra.

Uma outra façanha, em 2007, teve um brasileiro como protagonista. O técnico Jorvan Vieira levou a seleção iraquiana ao título inédito da Taça Asiática — até hoje o único — no meio das ruínas da guerra causada pela invasão dos Estados Unidos.

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Ídolo nacional no Iraque, Vieira conversou com o Flashscore para contar o que mudou entre a sua geração e a atual, explicar os impactos da guerra na formação do plantel e analisar de que forma é que a seleção chega ao Mundial-2026.

"Eles estão num grupo muito difícil, apanham uma candidata ao título. A glória é a participação. Não acredito que o Iraque vá surpreender como a Arábia Saudita, que ganhou à Argentina no Catar. Para eles, esse apuramento é como se tivessem ganhado o Mundial, principalmente devido ao tempo que estiveram fora", afirma Jorvan Vieira.

O Iraque está no Grupo I, ao lado de França, Senegal e Noruega. Se a vaga para a fase a eliminar parece distante, a seleção sonha pelo menos com o primeiro ponto em Mundiais, já que perdeu todos os três jogos em 1986.

"O futebol é decidido dentro do campo. Tudo é possível. São 11 contra 11. Nós falamos da boca para fora e depois queimamos a língua", pondera Vieira.

Dados do Iraque no Mundial-2026
Dados do Iraque no Mundial-2026Flashscore

Estilo de jogo do Iraque

O Iraque apurou-se a utilizar um 4-4-2, mas Jorvan Vieira acredita numa mudança para o torneio. A seleção árabe deve adaptar-se aos adversários e apostar numa formação conservadora para defender.

"É uma equipa que joga num 4-4-2, mas tenho a certeza que vai jogar num 4-5-1 quando chegar ao Mundial. Vai ser completamente diferente, porque vão se resguardar. Podem até jogar num 5-4-1", prevê o treinador campeão em 2007.

Onze do Iraque na partida de apuramento para o Mundial
Onze do Iraque na partida de apuramento para o MundialFlashscore

"Às vezes nem é pelo nível técnico ou tático. Há um receio que já vem naturalmente do jogador. Por mais que o treinador diga 'vamos para o 4-3-3', eles reúnem e dizem 'vamos fechar-nos atrás, porque quanto menos golos levarmos, melhor'", acrescenta.

O técnico do Iraque é o australiano Graham Arnold, no comando há um ano. Curiosamente, Arnold esteve no caminho de Jorvan Vieira na Taça Asiática de 2007. Treinava a Austrália que perdeu 3-1 com os iraquianos na fase de grupos, quando o título ainda era um sonho distante.

Graham Arnold, técnico do Iraque
Graham Arnold, técnico do IraqueDivulgação/IFA

Filhos da guerra

Dos 23 jogadores que garantiram a vaga do Iraque no Mundial, só oito atuam no país. O resto divide-se entre ligas árabes mais fortes e polos alternativos da Europa, como Polónia, República Checa, Chipre e até terceira divisão da Inglaterra.

"São campeonatos secundários, mas são jogadores úteis para a seleção, porque já têm uma experiência completamente diferente de jogar o Campeonato Iraquiano. São muitos jogadores que nasceram nesses países porque os pais emigraram do Iraque", conta Jorvan Vieira.

"Muitos deles nem falam árabe. Ou é o inglês, ou é a língua alemã, da Dinamarca, do Chipre, e por aí vai. É uma seleção mista, vamos dizer assim". 

Pré-convocados do Iraque
Pré-convocados do IraqueDivulgação/IFA

A "seleção mista" citada por Vieira é um reflexo claro da Guerra do Iraque, pois o número de atletas nascidos em outros países é bem maior entre os mais jovens. Um dos talentos é Zidane Iqbal, que começou a vida em Manchester, na Inglaterra, e atua no Utrecht, dos Países Baixos.

A situação era bem diferente na época de Jorvan: todos os campeões de 2007 nasceram no Iraque. E quando não atuavam no campeonato local, o raio limitava-se a países árabes.

A estrela

A referência do Iraque é o avançado Ayman Hussein. Foi dele o golo que garantiu a vaga no Mundial, contra a Bolívia. É um dos capitães da seleção e atua no futebol local, pelo Al-Karma, mas já passou por Marrocos, Catar e Tunísia.

Apesar de ter 30 anos e ser um dos mais experientes do grupo, Hussein também carrega os traumas da guerra. O pai dele foi morto num ataque da Al-Qaeda, em 2008, enquanto o irmão foi sequestrado pelo Estado Islâmico em 2014 — e continua desaparecido.

Ayman Hussein, do Iraque
Ayman Hussein, do IraqueJulio Cesar AGUILAR / AFP

"É um jogador voluntarioso, um leão. Teve uma série de dificuldades para poder jogar futebol, lutou muito para chegar onde chegou. Além de tudo é um dos capitães, um líder nato, e todos o seguem", relata Jorvan Vieira.

"É um jogador que vai aparecer no Mundial mesmo num grupo forte. Eu sei que ele vai dar trabalho", aposta.

Os números de Ayman Hussein
Os números de Ayman HusseinFlashscore

Adeptos fanáticos

O apuramento para o Mundial já foi motivo de grande comemoração para os iraquianos, com direito a desfile da seleção num autocarro panorâmico. E a festa deve ser ainda maior na fase final do torneio, independentemente dos resultados. 

"O povo iraquiano é louco pelo futebol. Eles vivem o futebol. Respiram, bebem, comem o futebol. Em 2007, a cada jogo que ganhávamos, morriam menos pessoas nas ruas. Eles saíam para comemorar com as armas, davam tiros para o alto, corriam com a bandeira", garante Jorvan Vieira.

"A comemoração é muito grande e emotiva porque é o único balão de oxigénio que eles têm devido aos conflitos e aos problemas no país. É uma forma de extravasar aquela alegria que não podem extravasar em nenhum outro momento. Tenho a certeza que vai ser uma euforia. Mesmo que percam o jogo, vão comemorar", afirma.

Calendário do Iraque no Mundial-2026:

• 16 de junho (terça-feira)

23:00 - Iraque - Noruega

• 22 de junho (segunda-feira)

22:00 - França - Iraque (Lincoln Financial Field, Filadélfia, EUA) 

• 26 de junho (sexta-feira)

20:00 - Senegal - Iraque (BMO Field, Toronto, Canadá)