Recorde aqui as incidências do encontro
Sem Neymar na ficha de jogo, Ancelotti surpreendeu na frente de ataque ao apostar em Igor Thiago como avançado principal, mas também com Roger Ibañez a ocupar a lateral direita. Depois de afastar Espanha e Portugal na edição de 2022 e de se sagrarem campeões africanos em janeiro - com muita polémica à mistura -, os Leões do Atlas apresentaram o jovem diamante Ayyoub Bouaddi, de 18 anos, e aproveitaram o nervosismo e ansiedade da canarinha.

Domínio africano e a resposta do camisola 7
Achraf Hakimi e Brahim Díaz causaram os primeiros calafrios a Alisson, obrigando inclusivamente Bruno Guimarães a uma intervenção crucial perto da linha de golo para travar um remate perigoso de El Aynaoui. O escrete tentou responder na mesma moeda e dispôs de uma soberana oportunidade quando Vinícius Júnior cruzou para um cabeceamento falhado de Igor Thiago na pequena área. A superioridade marroquina acabou por se traduzir em golo aos 20 minutos, premiando a entrada autoritária. Brahim Díaz descobriu Ismael Saibari com um passe milimétrico a rasgar a linha defensiva brasileira; isolado perante Alisson, o médio não tremeu e assinou um chapéu artístico para inaugurar o marcador.
Nem mesmo a pausa para hidratação que se seguiu quebrou o ímpeto de Marrocos, que continuou a ameaçar em transições rápidas desenhadas pela criatividade do camisola 10 e pelas investidas de Hakimi. Contudo, o Brasil acabou por agarrar-se à inspiração individual para restabelecer o equilíbrio quando o cenário parecia mais cinzento. À passagem do minuto 31, Bruno Guimarães vestiu a pele de assistente e serviu Vinícius Júnior desmarcado no corredor esquerdo; o camisola 7 encarou o adversário, fletiu para o centro da área e desferiu um remate colocado, sem hipóteses de defesa para Bono, carimbando com classe a sua 50.ª internacionalização com o 10.º golo pela Seleção.
O empate acalmou o espetáculo, mas fez disparar os índices de agressividade na reta final do primeiro tempo, com o Brasil a ver-se obrigado a recorrer a faltas táticas para travar o fulgor adversário. Casemiro e Roger Ibañez acabaram com o cartão amarelo em lances sucessivos, num ambiente que se tornou muito mais físico e disputado a meio-campo. Perto do descanso, Lucas Paquetá ficou perto de uma reviravolta espetacular, com um excelente pontapé acrobático travado por defesa apertada de Bono.

Xadrez tático, fadiga e o monólogo de Bouaddi
No reatamento, Ancelotti deixou ficar os amarelados no balneário para lançar o ex-FC Porto Danilo e o ex-Rio Ave Fabinho. Já depois de uma entrada ríspida sobre Hakimi, os brasileiros voltaram a ameaçar a reviravolta num lançamento lateral rápido que apanhou a defensiva marroquina de surpresa, mas o remate forte de Igor Thiago foi travado por Bono. O desgaste começou a provocar erros de parte a parte e os treinadores recorreram aos bancos ainda antes da pausa para hidratação para tentar trazer algo novo ao jogo: Luís Henrique e Matheus Cunha renderam Paquetá e Igor Thiago, Talbi e Mourabet substituíram Ounahi e Brahim Díaz.

A pausa quebrou ainda mais o ritmo e permitiu a Marrocos refrescar ideias: a turma de Ouahbi quis e conseguiu ter bola, controlando os momentos da partida, embora não tivesse voltado a rematar desde os 30 minutos. No entanto, assim que o Brasil a recuperou, Matheus Cunha fez um excelente passe para encontrar Vini Jr. na profundidade, mas o cruzamento rasteiro do extremo foi rematado sem perigo por Raphinha. Esse lance não passou de um pequeno aparte no monólogo marroquino ditado por Ayyoub Bouaddi que parecia estar em todo o lado, mesmo com 90 minutos nas pernas.

Os 10 minutos de compensação convidavam ao drama tardio, mas quando Danilo Santos apareceu em boa posição só conseguiu rematar para as mãos de Bono. A poucos instantes do fim, El Aynaoui aproveitou uma bola perdida para atirar do meio da rua, com Alisson a brilhar para defender o primeiro remate e abafar a recarga de Ayoube Amaimouni.

Melhor em campo Flashscore: Ayyoub Bouaddi (Marrocos).

