A equipa de Ronald Koeman mostrou força ofensiva e regularidade, deixando para trás seleções como Polónia, Finlândia, Malta e Lituânia, que foi goleada por 4-0, com golos de Reijnders, Gakpo, Xavi Simons e Malen, na partida que carimbou o passaporte para disputar o 12.º Mundial do país.
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O ex-avançado Leonardo Santiago, brasileiro, que começou a carreira no Feyenoord, atuou no Ajax e fez carreira na Europa, analisou a campanha neerlandesa em entrevista ao Flashscore.
“Deu tudo certo no planeamento. Foram algumas dificuldades no começo, mas depois conseguiu melhores resultados. A seleção está a passar por uma reformulação, com uma geração totalmente diferente. Estávamos habituados com a qualidade de quem entrava e resolvia. Até para analisar a nova seleção fica complicado”, avaliou Leonardo, que vive em Amsterdão e virou treinador.

Estilo de jogo
Taticamente, os Países Baixos mantêm características históricas do futebol local: posse de bola, intensidade e ocupação ofensiva dos espaços. O técnico Ronald Koeman costuma utilizar uma equipa agressiva pelos flancos, explorando muito as subidas dos alas e a movimentação dos avançados.
A construção ofensiva normalmente passa pelos pés de Frenkie de Jong, médio do Barcelona, responsável por organizar o meio-campo e acelerar a transição ofensiva. Ao mesmo tempo, a equipa procura pressionar alto para recuperar rapidamente a bola. A seleção tem a posse de bola com propósito como filosofia de jogo.

A equipa procura progredir rápido e com objetividade. Os defesas e guarda-redes participam na saída de bola, com valorização do passe curto e controlo do jogo. Quando recupera a bola, acelera rapidamente utilizando alas velozes e avançados móveis.
O sistema defensivo é compacto, com linhas próximas e pressão no meio-campo para recuperar a bola cedo. O conjunto neerlandês pode jogar no 4-3-3 (mais ofensivo) ou no 3-5-2 (mais equilibrado / defensivo).
A estrela
Um dos principais destaques da equipa é Cody Gakpo. O avançado do Liverpool atravessa uma boa fase e tornou-se peça fundamental no setor ofensivo neerlandês. Na qualificação, Gakpo marcou golos decisivos e foi um dos líderes técnicos da equipa, formando uma parceria importante com jogadores como Memphis Depay, Xavi Simons e Reijnders.
A sua velocidade, capacidade de finalização e movimentação pelos flancos fazem dele a principal referência ofensiva dos Países Baixos. “O Gakpo é o jogador a ter debaixo de olho. Ele vai ser o homem da seleção neerlandesa. Rápido, alto (1,93m) e tem habilidade, mesmo para um jogador alto. É raro, mas ele é diferenciado”, analisou Leonardo.

Gakpo foi apontado como um dos principais jogadores da equipa no Mundial-2022. Costuma jogar aberto pela esquerda, mas vai para dentro para finalizar e, muitas vezes, vira referência ofensiva ao lado de outros avançados.
Candidato a surpresa
Uma possível surpresa dos Países Baixos pode ser Teun Koopmeiners, um médio moderno, muito versátil e inteligente taticamente. As principais características dele são: passe longo, inversão de jogo, finalização de média e longa distância. Versátil como jogador de meio-campo, Koopmeiners tem liderança para comandar os Países Baixos no Campeonato do Mundo.
Atualmente, o jogador está na Juventus e tem deixado ótima impressão nos adeptos italianos depois de ser contratado à Atalanta, em 2024, por 51,3 milhões de euros.
Adversários
Os Países Baixos estão no Grupo F, ao lado do Japão, adversário da estreia, Suécia e Tunísia. A seleção aparece como favorita para avançar à fase seguinte, pois possui um plantel mais qualificado e com experiência internacional do que a maioria dos adversários.
“Os Países Baixos são os favoritos no grupo do Mundial. Do meio-campo para a frente, a equipa está muito bem. A preocupação é com a defesa”, destacou Leonardo Santiago.
Ainda assim, a seleção terá de manter o equilíbrio defensivo e a maior criatividade em jogos mais fechados, principalmente contra equipas que apostam em marcação forte e contra-ataques rápidos.
Se conseguir manter o bom desempenho coletivo e contar com o protagonismo de Gakpo, a equipa neerlandesa tem potencial para ser uma das seleções mais perigosas do torneio.

Como é o ambiente de Mundial nos Países Baixos?
O clima de Mundial nos Países Baixos costuma ser extremamente festivo e marcado pela cor laranja, símbolo nacional do país e da seleção. Durante o torneio, ruas, casas, bares e lojas ficam decorados com bandeiras, faixas e adereços da cor da equipa, criando um ambiente de grande mobilização popular. O público neerlandês é conhecido mundialmente pelo entusiasmo e pelas festas antes e depois dos jogos.
Os adeptos da chamada “Laranja Mecânica” costumam acompanhar a seleção de maneira intensa, principalmente porque o país possui uma forte tradição no futebol. “Em dias de partidas importantes, é comum praças e bares lotados para transmissões públicas, além de muitas pessoas a utilizar roupas e acessórios laranja”, disse o ex-jogador do Feyenoord.
Outro aspeto marcante é a confiança dos adeptos no estilo ofensivo da seleção. Mesmo sem conquistarem um Mundial até aos dias de hoje, os Países Baixos mantêm o estatuto de uma das equipas mais respeitadas do futebol internacional por causa da sua história, do “Futebol Total” e das campanhas marcantes em Mundiais.
Além disso, existe sempre uma mistura de empolgamento e pressão. Como a seleção já foi vice-campeã três vezes, muitos adeptos veem o Mundial como uma nova oportunidade de conquistar o título inédito. Quando a equipa está bem, o país inteiro entra no clima, transformando o torneio num grande evento nacional.

Calendário dos Países Baixos no Mundial-2026:
14/6 (domingo)
• 21:00 - Países Baixos - Japão (Arlington, EUA)
20/6 (sábado)
• 18:00 - Países Baixos - Suécia (Houston, EUA)
25/6 (quinta-feira)
• 21:00 - Tunísia - Países Baixos (Kansas City, EUA)
