O problema é que a equipa já chega envolta em confusão nos bastidores. O selecionador Dick Advocaat, que qualificou Curaçao para o Mundial-2026, pediu demissão em fevereiro. O novo treinador, Fred Rutten, durou apenas dois meses no cargo – caiu após revolta dos jogadores, que queriam o regresso de Advocaat.
No início de maio, o ex-comandante dos Países Baixos foi reconduzido ao cargo de selecionador de Curaçau.

Inclusive, Dick Advocaat foi contactado pelo Flashscore para falar sobre a seleção caribenha, quando já estava a trabalhar no Feyenoord, mas acabou por recusar – provavelmente devido à tensão nos bastidores.
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A histórica qualificação para o Mundial-2026 foi alcançada com 7 vitórias e 3 empates nas Eliminatórias da CONCACAF.
Esta foi apenas a quarta vez que Curaçau disputou as Eliminatórias para um Mundial. A pequena ilha passou a competir como um país independente apenas após o Mundial-2010. O seu grande feito antes da qualificação para o Mundial-2026 foi atingir os quartos de final da Taça Ouro de 2019.
A missão no Mundial da América do Norte, no entanto, não vai ser fácil, já que Curaçau caiu no grupo de Alemanha, Costa do Marfim e Equador.
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"Nós fizemos história. Somos a menor ilha a ir a um Mundial. Aqui toda a gente está feliz. A ilha está feliz. Esta não foi uma jornada normal, foi uma jornada espiritual", disse Dick Advocaat num documentário recente da TV neerlandesa Goedemorgen.
Aos 78 anos, o treinador neerlandês será o mais velho treinador a comandar uma seleção na história dos Mundiais.

Estilo de jogo
A "Onda Azul” coroa um projeto de longo prazo focado em convencer jogadores de origem curaçaense – nascidos ou criados nos Países Baixos – a defenderem o país dos seus pais ou avós. O resultado foi uma equipa madura e competitiva.
Por ter um plantel quase todo formado nas escolas de clubes neerlandeses, Curaçau tem uma identidade tática muito europeia. A equipa comandada por Dick Advocaat joga num esquema 4-3-3 ou 4-2-3-1 bem organizado, focado no controlo de espaços e saídas rápidas.

Ao contrário de seleções que apenas defendem, Curaçau gosta de colocar a bola no chão. A linha defensiva tem a experiência do guarda-redes Eloy Room e laterais que apoiam com inteligência. O meio-campo, liderado pelos irmãos Leandro e Juninho Bacuna, é o coração da equipa, combinando combatividade física e passes rápidos para acionar os alas.
Por tentar propor mais o jogo, porém, a seleção de Curaçau não tem uma defesa sólida.
Quem é a estrela da equipa?
Leandro Bacuna é a alma de Curaçau. O versátil médio de 34 anos, com longa passagem pelo futebol inglês (Aston Villa e Reading) e agora no futebol turco, é o líder do balneário.
Enquanto o seu irmão Juninho traz muita qualidade na criação de jogo, é a liderança, a bola parada e a capacidade de organização de Leandro que ditam as ações da equipa. O médio é o rosto de uma geração que acreditou no projeto curaçaense, mesmo quando o amadorismo ainda assombrava a federação.

"Nós viemos de muito longe. Lembro de estar num aeroporto no passado e não ter nenhum voo marcado para nós. Eu pensava: 'Como vamos voltar para casa depois de um jogo da seleção?'. Mas agora tudo está organizado e temos uma seleção forte. Isso é muito maior que jogar por um clube, é pelo nosso país", disse o capitão à agência Reuters.
O melhor marcador de todos os tempos de Curaçau é Rangelo Janga. O avançado de 34 anos tem 21 golos com a camisola da seleção, mas não vem sendo muito aproveitado no Eindhoven, equipa da 2.ª divisão neerlandesa.

Candidato a surpresa
No setor ofensivo, um nome pode surpreender as defesas adversárias: Tahith Chong, avançado do Sheffield United.
O jogador de 26 anos é formado no Manchester United e tem passagens pelo Werder Bremen e Club Brugge.
Na última temporada no Championship, Chong teve uma nota média de 6,5 no Flashscore. Por Curaçau, balançou as redes duas vezes nos 2 jogos em que entrou.
Como é o clima de Mundial no país?
Para entender o clima em Curaçau, basta imaginar uma ilha de cerca de 150 mil habitantes onde o basebol reinava de forma absoluta, mas que agora foi completamente "abduzida" pelo futebol. A qualificação para o Mundial-2026 transformou-se no maior evento sociopolítico e cultural da história do pequeno território.
As praias, bares de Willemstad e as coloridas ruas históricas da ilha estão mergulhadas num carnaval fora de época. De acordo com Dick Advocaat, o futebol mudou o clima na nação caribenha: "Há algo que agora os conecta de verdade. O país inteiro está orgulhoso".
Curaçau tem uma pequena liga local com 10 equipas, mas todos os jogadores da seleção vêm de fora.

Agenda de Curaçau no Mundial-2026:
14/6 (domingo)
18:00 - Alemanha x Curaçau (Houston)
21/6 (domingo)
01:00 - Curaçau x Equador (Kansas City)
25/6 (quarta-feira)
21:00 - Costa do Marfim x Curaçau (Filadélfia)
