Em entrevista à Lusa, a técnica nacional recordou o "desempenho muito positivo" de Portugal no Europeu sub-19 de 2025, cuja presença nas meias-finais confirmou o inédito apuramento para o Campeonato do Mundo, mas alertou para a especificidade da competição que as suas comandadas irão enfrentar, um ano passado.
"O grande desafio desta competição, comparativamente com o Euro, é que o padrão e o estilo de jogo das quatro equipas são muito diferentes", transmitiu, destacando as particularidades que distinguem cada uma das equipas que a equipa das quinas irá defrontar no Mundial.
Na competição, Portugal terá pela frente a Coreia do Norte, detentora do título e três vezes campeã mundial no escalão, na partida de estreia, na segunda-feira, seguindo-se a Colômbia, na quinta-feira, e a Costa Rica, três dias depois.
"Vai ser interessante perceber como conseguimos impor o nosso jogo a uma Coreia do Norte que fisicamente tem uma capacidade muito forte e agressiva de impor o jogo, uma Colômbia que defende e é muito agressiva nas transições e assim costuma ganhar, e uma Costa Rica cuja diversidade de jogo por vezes até chega a ser um bocadinho caótica e, num prazo de 48 horas de recuperação, termos de conseguir mudar o chip", projeta a selecionadora lusa.
Em função das características distintas de cada adversário e do escasso período de recuperação entre cada jogo, Marisa Gomes vincou a importância de uma mentalidade forte e adaptabilidade para alcançar os resultados pretendidos.
"A convocatória foi um bocadinho a pensar nisso e já estamos desde o primeiro dia a pensar nesta diferença de culturas e por isso é que também sabemos perfeitamente que a maior dificuldade que vamos ter nesta competição é ter de mudar rapidamente o padrão de jogo", reconheceu.
A selecionadora portuguesa mostrou-se ainda crente de que a competição pode representar uma montra que poderá valorizar a carreira das suas comandadas e projetá-las para carreiras de sucesso.
"Acredito que a valorização das jogadoras nestes contextos internacionais é sempre muito grande. Um contexto desta dimensão, que é mundial, com certeza, dará uma visibilidade muito maior a estas jogadoras, uma experiência completamente diferente e acho que, com certeza, vamos conseguir ter benefícios na valorização das nossas jogadoras nesta competição", antecipou.
Por fim, Marisa Gomes partilhou o mérito da inédita presença lusa em Mundiais sub-20 com a sua equipa técnica e a própria FPF, não a olhando exclusivamente como um prémio pela sua longa carreira de 13 anos ao serviço das seleções jovens portuguesas.
"Acho que este prémio não é meu, eu sou o rosto de uma equipa e da estrutura nacional", indicou.
O Mundial sub-20 feminino decorre entre 05 e 27 de setembro, na Polónia. Portugal garantiu o apuramento em 2025, quando chegou às meias-finais do Campeonato da Europa de sub-19.
Portugal vai jogar os dois primeiros jogos do Grupo E, frente a Coreia do Norte e Colômbia, em Lodz, enquanto a última partida, com a Costa Rica, será disputada em Sosnowiec.
Os dois primeiros classificados de cada um dos seis grupos, bem como os quatro melhores terceiros, apuram-se para os oitavos de final da competição.
