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Vice-presidente afirma que a UEFA está "unida e concertada" no esforço para substituir Infantino

A vice-presidente da UEFA e membro do Comité Executivo, Laura McAllister
A vice-presidente da UEFA e membro do Comité Executivo, Laura McAllisterReuters / Leonardo Benassatto

A UEFA mantém-se no caminho certo para encontrar um adversário credível ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, e não permitiu que a sua campanha por mudanças se transformasse em meros desejos, afirmou a vice-presidente ⁠Laura McAllister esta quarta-feira.

McAllister afirmou que o candidato para as eleições de março próximo não precisa de ser europeu, mas tem de ser capaz de derrotar Infantino, unir as confederações do futebol e implementar uma reforma duradoura na governação.

Em declarações à Reuters no World Football Summit, em Madrid, após a reunião do Comité Executivo da UEFA em Salónica, rejeitou a ideia de que a oposição a Infantino tivesse perdido força, apesar de o presidente da FIFA parecer manter apoio suficiente para garantir mais um mandato.

Segundo McAllister, o objetivo da UEFA não é colocar uma figura europeia à frente de uma rebelião, mas sim reunir apoio para um candidato com um programa de reformas claro.

"Não creio que seja assim", disse McAllister quando questionada se os opositores de Infantino teriam sobrestimado os danos à sua autoridade: "Sempre soubemos que as coisas não mudariam de um dia para o outro. Seria ingénuo pensar o contrário. Sabíamos que haveria resistência à mudança, naturalmente. Estamos a avançar passo a passo, tanto do ponto de vista legal, no contexto político com um candidato alternativo, como no que diz respeito ao programa de reformas na governação que precisamos de ver."

UEFA "unida e muito concertada"

O suíço-italiano Infantino, de 56 anos, enfrentou o maior desafio à sua presidência após o colapso da sua proposta de vender até 20% das competições da FIFA, ⁠incluindo o Mundial, a investidores privados.

O plano gerou forte oposição, com a UEFA, a Confederação Asiática de Futebol e a CONCACAF entre os que exigiram mudanças na liderança da FIFA. Várias federações nacionais europeias retiraram entretanto o seu apoio à recandidatura de Infantino, sendo a Grécia a mais recente, na terça-feira.

Laura McAllister fala durante o World Football Summit
Laura McAllister fala durante o World Football SummitReuters / Leonardo Benassatto

McAllister afirmou que as nações da UEFA continuam "unidas e muito concertadas" na sua determinação em mudar a forma como a FIFA é gerida, mas sublinhou que a disputa vai para além de Infantino.

"Isto sempre foi sobre mais do que uma pessoa", afirmou.

McAllister referiu que a UEFA tem trabalhado discretamente em várias frentes e considera que a plataforma de reformas é mais importante do que a identidade ou nacionalidade do candidato final.

"Há muitos aspetos numa campanha para mudar algo", disse: "Existem táticas que é preciso seguir, mas sinto-me muito confiante de que estamos no caminho certo, que vamos tentar encontrar um candidato capaz de unir todas as confederações, porque não é só a UEFA; todas as confederações sentem fortemente a necessidade de mudança. E esse candidato apresentaria então um manifesto de reforma e modernização."

Infantino já anunciou que pretende candidatar-se a novo mandato nas eleições de março. McAllister afirmou que os seus opositores têm de encontrar um candidato capaz de fazer mais do que apenas lançar um desafio simbólico.

"Se estás numa posição em que sabes que o atual presidente se vai recandidatar, e Gianni Infantino já deixou claro que será candidato a menos que algo mude até março, então cabe aos que se opõem a ele encontrar o candidato certo", afirmou.

"Não se entra numa eleição se não se pode ganhar essa eleição."

Sem insistência num candidato europeu

McAllister afirmou que a UEFA não insistirá num candidato europeu caso surja um candidato credível à reforma de outra confederação.

"Isto tem a ver com o programa de mudança, e penso que temos de acertar nisso primeiro", afirmou: "Temos de ter um modelo muito claro do que é uma boa governação no futebol mundial, e não é aquilo que temos visto da FIFA nos últimos anos."

Laura McAllister speaks during the World Football Summit
Laura McAllister speaks during the World Football SummitReuters / Leonardo Benassatto

McAllister defendeu que o programa de reformas deve incluir maior responsabilização e transparência, reconhecimento adequado de conflitos de interesses, proteção reforçada para denunciantes e uma liderança mais diversa.

Questionada sobre se a UEFA conseguiria manter uma relação de trabalho com Infantino caso este fosse reeleito, McAllister afirmou que o futebol europeu continuará a ser uma força poderosa no panorama global, mas que a liderança da FIFA deve aprender com o que aconteceu.

"Esse problema não é tanto nosso, é mais dele", afirmou quando questionada sobre o que Infantino teria de fazer para recuperar a confiança da UEFA: "Se fosse eleito, esperar-se-ia que tivesse aprendido as lições de um período que o futebol viu como uma verdadeira crise existencial."

Nem a FIFA nem Infantino responderam de imediato ao pedido de comentário da Reuters.

McAllister afirmou que a UEFA vai concentrar-se em defender a necessidade de reformas em vez de olhar demasiado para o futuro antes de abrirem as nomeações.

"A nossa prioridade agora tem de ser convencer o mundo do futebol de que ele lhes pertence", afirmou, "mas que precisamos de uma mudança cultural na forma como o desporto é gerido."