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Camisola de apoio a Ceuta: ultras do Real Madrid exigem "pedido de desculpas público" a Mbappé

Mbappé e a camisola de apoio a Ceuta
Mbappé e a camisola de apoio a CeutaREUTERS/Omar Arnau Cerezo

Ultras do Real Madrid, proibidos de entrar no Estádio Santiago Bernabéu e frequentemente associados à extrema-direita, exigiram "um pedido de desculpas público" a Kylian Mbappé por ter recusado vestir totalmente uma camisola em apoio à população de Ceuta, o que gerou em Espanha uma polémica que ultrapassou o âmbito desportivo.

"Temos a certeza de que qualquer adepto do Real Madrid e qualquer espanhol sente vergonha da imagem transmitida por estes três indivíduos (Mbappé, Vinicius Junior e Ibrahima Konaté)", afirmou na noite de quarta-feira o grupo Ultras Sur, num comunicado publicado na rede social X, considerando a sua atitude "inaceitável".

"Exigimos um pedido de desculpas público", acrescentou, lamentando o silêncio do presidente do clube madrileno, Florentino Pérez, sobre o caso, com quem estão em conflito aberto desde a sua expulsão do Bernabéu há mais de dez anos.

Antes do jogo da Liga na terça-feira em Elche (2-3), Kylian Mbappé e os seus dois colegas de equipa Vinicius Junior e Ibrahima Konaté recusaram vestir totalmente uma camisola de apoio à população de Ceuta.

Desde então, os três jogadores têm sido acusados por alguns adeptos e por parte da população de terem tentado esconder a mensagem "Somos todos carapaus" (alcunha dos habitantes de Ceuta) impressa nessas camisolas, ao vestirem-nas apenas pela metade.

No final de julho, dezenas de milhares de migrantes vindos de Marrocos entraram em Ceuta, na esperança de serem acolhidos. Dezenas deles morreram, principalmente no mar, segundo os balanços das autoridades espanholas e marroquinas.

A grande maioria destas pessoas em situação irregular foi rapidamente devolvida a Marrocos, mas vários milhares continuam na cidade autónoma, onde a situação se agravou e é fonte de tensão com os habitantes.

Desde então, o Partido Popular (direita) e o Vox (extrema-direita) acusam diariamente o governo do socialista Pedro Sánchez de ter falhado na proteção da soberania do território espanhol, alimentando fortemente as críticas à sua atuação, a poucos meses de eleições legislativas muito aguardadas.