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Os antecessores de Mourinho, Carlo Ancelotti, Xabi Alonso e Álvaro Arbeloa, tiveram dificuldades em encontrar o equilíbrio entre ataque e defesa ao alinharem com Kylian Mbappé, Vinicius Junior e Jude Bellingham.
O Real Madrid conquistou a Liga dos Campeões em 2024, com o internacional inglês Bellingham e o extremo brasileiro Vinicius a desempenharem papéis fundamentais, mas desde a chegada do astro francês Mbappé nesse verão, o clube não voltou a erguer nenhum troféu de grande relevo.
"São jogadores incríveis e jogadores incríveis querem jogar com outros jogadores incríveis. Taticamente, pode ser complicado. O Ancelotti encontrou um sistema perfeito para o Vini no Brasil, o (Didier) Deschamps encontrou um para o Kylian na França, o (Thomas) Tuchel um para o Jude; é mais difícil para o Mourinho encontrar um para os três juntos", afirmou Mourinho aos jornalistas.
"Estamos a trabalhar nisso. Quero que os três, quando jogarem juntos, se sintam confortáveis no relvado... são três jogadores de enorme qualidade. Eles não atuam em posições incompatíveis. Vamos ter uma grande época com eles", sustentou.
No entanto, as estrelas do Real Madrid ficam desde já avisadas – esta época terão de ajudar a defender.
"Temos de defender com 11 jogadores. Se uma equipa nos empurrar para trás e nos criar problemas no nosso último terço, todos temos de defender", disse Mourinho.
Mourinho afirmou que, nesta segunda passagem pelo Real Madrid, depois de já ter orientado a equipa entre 2010 e 2013, espera que os seus jogadores lhe dificultem a vida na escolha do onze.
"Vão existir momentos de frustração, devido aos resultados – ou frustração pessoal. Disse aos jogadores que amanhã muitos vão sentir frustração, porque será a primeira vez que terei de escolher um para titular e outro irá para o banco e ficará frustrado; têm de saber lidar com isso individualmente e como grupo", disse o treinador de 63 anos.
"Estou aqui para os ajudar, mas não posso começar um jogo com 15 jogadores; só 11 podem jogar. Espero que cada jogo seja difícil para mim, porque continuam a trabalhar como têm trabalhado. No dia em que alguém baixar o nível por causa da frustração, as decisões tornam-se fáceis para mim. Quero decisões difíceis... a equipa precisa de saber ultrapassar momentos de frustração", acrescentou.

Paz no balneário e pressão positiva
Os merengues não conquistam um troféu de relevo há duas épocas e, na temporada passada, uma discussão no balneário entre Aurelien Tchouaméni e Fede Valverde acabou com o segundo a ser assistido no hospital.
No entanto, o experiente treinador português garantiu que os jogadores lhe transmitiram que agora não existe qualquer ressentimento entre eles.
"Decidi começar do zero... não foi preciso falar com o Tchouameni... ao ver como se dão, nem se imagina o que aconteceu na época passada. Disseram-me praticamente que não era necessário falar sobre o assunto, que não precisava de tentar influenciar para trazer paz", afirmou Mourinho.
"Pelo que vi, nem se trata de paz, é normalidade, amizade, e parece que nada aconteceu", prosseguiu.

Mourinho disse que não sente pressão antes da sua segunda estreia ao comando do Real Madrid.
"Não lhe chamaria pressão, chamaria adrenalina. É uma sensação positiva", acrescentou Mourinho. "No dia em que não sentir isso, algo não está bem."
