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Mourinho: "Que nos deixem em paz depois desta maratona de viagens e jogos"

José Mourinho, treinador do Real Madrid
José Mourinho, treinador do Real MadridReuters

O Real Madrid saiu de Mestalla com uma vitória convincente sobre o Valencia (3-0), num encontro em que os merengues confirmaram a superioridade dentro das quatro linhas. No final da partida, o treinador português analisou a exibição da equipa e mostrou-se cansado com o calendário.

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José Mourinho referiu-se ao calendário com ironia. "Tenho de ser humilde, porque eles têm o poder. E peço que não nos façam o mesmo. Não quero dizer que seja sobre-humano, porque é possível fazê-lo, mas é muito difícil. E se querem fazer esta brincadeira, que a façam com outros. Que nos deixem em paz depois desta maratona de viagens e jogos, de domingo a sábado, que foi demasiado".

"Digo-lhe agora o que me preocupa? Preocupa-me que, se ficassem comigo e com a minha equipa técnica, teríamos uma atenção muito especial na recuperação desses jogadores. Mas eles vão para as seleções e, aí, consigo imaginar que os seus treinadores querem trabalhar. E estes jogadores agora não podem fazê-lo: precisam de descansar para poderem jogar mais tarde. Agora, precisam de muita atenção no seu processo de recuperação".

O português alcança uma percentagem de vitórias de 77%, a mais alta da história da competição. "Nesta vida, os números bonitos, os que têm algum significado... as pessoas esquecem-se deles. E não nos alimentamos dos números do passado, mas sim do presente. E temos de ganhar o próximo jogo. Mas não fazia ideia. E, obviamente, é um orgulho, porque a LaLiga teve tantos treinadores de topo... e estar ali é um orgulho. Mas, como digo, o próximo jogo é o mais importante".

O técnico português valorizou o trabalho defensivo do Real Madrid.  "O mérito é deles, dos jogadores. Não consigo identificar nada no meu trabalho que seja a chave para que o façam. Faço o meu trabalho normal e eles estão a responder individualmente e como equipa, de forma espetacular. Há uma grande evolução, mas o facto de hoje termos tido tanta posse de bola e pouco trabalho defensivo ajuda. Mas também é preciso dizer que, no momento em que perdemos a bola, tivemos sempre uma grande reação".

Por outro lado, avaliou a grande exibição da sua equipa em Valencia. "Mestalla é paixão. O Valencia, ao longo da história, foi sempre um estádio difícil. Exigente com as suas equipas e jogadores. Jogar contra um Real Madrid que é muito superior, individual e coletivamente, aumenta a frustração. E... leva os jogadores a um estilo de jogo que lhes permita discutir o resultado. O aspeto positivo para nós é que tivemos grande tranquilidade e não respondemos. A situação do cartão vermelho, à distância, parece-me muito clara".

Por outro lado, referiu-se às seleções nacionais. "Não vou falar, porque não sei se algum dia serei treinador de uma seleção. Mas tenho a sensação de que, se algum dia o fizer, serei muito exigente com os clubes. Vou pensar em mim e na minha equipa. É essa a sensação. E, por isso, não tenho lata para telefonar a ninguém, mesmo que seja o meu amigo Carlo".

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