Em conversa com a agência EFE, Joan Laporta confirmou a intenção de contratar um médio nesta reabertura do mercado. O objetivo passa por alguém por empréstimo e o presidente do Barcelona deixou um exemplo significativo.
“A ideia é contratar um médio para compensar a lesão do Gavi. Seria um empréstimo até ao final da temporada, como fizemos com o Edgar Davids, por exemplo. Acho que somos capazes de criar espaço para isso”, explicou.
A escolha de Edgar Davids não foi, certamente inocente. Um dos grandes nomes do futebol neerlandês, o médio passou apenas seis meses na Catalunha, mas acabou por ser vital para uma era de sucesso que arrancou em Camp Nou, na primeira passagem de Joan Laporta como presidente do clube blaugrana.
A garra que faltava
Com Frank Rijkaard a arrancar o consulado no Barcelona, a equipa teve um arranque de 2003/04 para esquecer. Após 19 jornadas era o sétimo classificado da LaLiga e parecia muito atrás de um Real Madrid galáctico, acabado de arrancar David Beckham ao Manchester United.
A equipa do Barcelona não era certamente desprovida de qualidade. Carles Puyol, Xavi Hernández, Ronaldinho Gaúcho, Javier Saviola, Patrick Kluivert e Marc Overmars estavam à disposição de Rijkaard, que também tinha visto chegar o prodígio português Ricardo Quaresma. Contudo, dentro de campo o conjunto estava desequilibrado.
Tudo mudou a 17 de janeiro de 2004. Pilar da Juventus, onde tinha passado as últimas sete temporadas, Edgar Davids entrou na nova temporada a perder espaço. Viu o lugar de médio-defensivo entregue a Appiah, numa tentativa de Marcelo Lippi de renovar a equipa.
Sem minutos, procurou uma outra solução para ter mais tempo de jogo e encontrou. Chegou à Catalunha por empréstimo até final de época e foi a cola que a equipa precisava, com uma garra que o caracterizava em campo. Depois do empate com o Athletic Bilbao na estreia (1-1), ajudou a equipa a vencer em Sevilha (1-0) e deu início a uma sequência de nove jogos consecutivos a vencer.

A mudança foi clara. Se nos primeiros 19 jogos sofreu 25 golos, o Barcelona sofreu apenas 14 nos 18 em que Davids esteve presente. No ataque a equipa também se libertou, com 37 golos marcados, mais 11 que nas 19 primeiras rondas.
A epítome foi, talvez, o clássico com o Real Madrid, na 34.ª jornada. Davids travou Zidane, então considerado o melhor médio ofensivo do mundo, e estabeleceu a base para uma vitória do Barcelona por 1-0, com um golo de Xavi Hernández, aos 86 minutos.
Feitas as contas, o Barcelona terminou no segundo lugar, a cinco pontos do Valência e à frente do Real Madrid, mas permitiu a Rijkaard continuar no comando técnico dos catalães. O treinador neerlandês ganhou o campeonato na época seguinte (2004/05) e a Liga dos Campeões em 2006.
Seis meses de Davids (que depois seguiu para o Inter) que tiveram um impacto imenso no Barcelona,. Atualmente no terceiro lugar, a nove pontos da liderança e com a equipa a atravessar uma nova crise de confiança, de certo que Laporta não se importava mesmo de encontrar um novo Edgar Davids.

