Ir para o conteúdo principal

Tempestade em Valência: Último lugar, plantel curto e sem qualidade de jogo

Carlos Corberán em apuros no Valência
Carlos Corberán em apuros no ValênciaFRAN SANTIAGO / GETTY IMAGES EUROPE / GETTY IMAGES VIA AFP

A derrota por 1-0 frente ao Sevilha prolongou o péssimo início da equipa che, que soma apenas um ponto em 15 possíveis. Corberán continua sem encontrar um bloco reconhecível, enquanto as lesões e as lacunas do planeamento reduzem a sua margem de manobra.

Reveja aqui as principais incidências da partida

O Valência já não atravessa apenas uma má fase. O  arranque de época transformou-se numa crise que afeta o jogo, os resultados e a confiança de um balneário incapaz de reagir. Cinco jornadas depois, a equipa mantém-se no último lugar com apenas um ponto, quatro derrotas consecutivas, só um golo marcado e dez sofridos.

A derrota pela margem mínima no Ramón Sánchez-Pizjuán aprofundou todas as dúvidas. A formação de Carlos Corberán manteve a organização em alguns momentos, mas voltou a mostrar muito pouco com bola e quase não encontrou mecanismos para incomodar o Sevilha. Juan Iglesias resolveu o encontro com um cabeceamento aos 81 minutos, enquanto um remate de David Otorbi ao poste representou a ocasião mais clara dos visitantes. O 1-0 confirmou mais uma exibição marcada pela falta de argumentos ofensivos.

O resultado da partida
O resultado da partidaFlashscore

O resultado ganhou ainda mais gravidade por surgir depois do 0-5 sofrido diante do Barcelona em Mestalla. Esperava-se uma resposta competitiva após essa goleada, mas o Valencia voltou a mostrar-se vulnerável e sem capacidade para alterar o rumo do jogo. Mudaram o cenário e o adversário, mas mantiveram-se a insegurança defensiva, a pouca profundidade e a sensação de que qualquer golpe pode deitar a equipa abaixo.

Corberán também não conseguiu construir uma formação estável. As contratações tardias, os desempenhos irregulares e uma longa lista de lesionados obrigaram-no a alterar constantemente o onze. Só Dimitrievski disputou todos os minutos e o treinador não repetiu a mesma equipa inicial nas primeiras jornadas, uma instabilidade que impede consolidar dinâmicas e automatismos.

O plantel apresenta alternativas, mas não transmite equilíbrio. Existem jogadores com talento e experiência, embora faltem certezas em posições determinantes e vários reforços ainda tenham de adaptar-se. Harvey Elliott chegou no fecho do mercado, Arnau Martínez e Pablo Maffeo juntaram-se já com a competição em andamento e jogadores chamados a segurar a equipa ainda não conseguiram dar continuidade. O Valencia parece reunir peças individuais em vez de dispor de um bloco preparado para competir com regularidade.

A classificação do Valência
A classificação do ValênciaFlashscore

As lesões também não dão tréguas. O crédito de Corberán diminui a cada jornada, embora a responsabilidade vá além do banco. A direção desportiva construiu o plantel com atraso e não corrigiu totalmente algumas lacunas que já se adivinhavam durante uma pré-época irregular. O técnico tem de encontrar soluções imediatas, mas trabalha sobre uma estrutura frágil e com pouca margem perante qualquer contratempo.

A deslocação ao terreno do Alavés surge agora como um teste de sobrevivência. O Valencia precisa de vencer, mas acima de tudo de recuperar uma identidade reconhecível e mostrar que consegue aguentar-se quando o jogo se complica. A época está apenas a começar, mas a classificação e as sensações já fizeram soar todos os alarmes em Mestalla. Os adeptos já ouviram promessas a mais: depois da derrota em Sevilha, só aceitarão uma reação dentro das quatro linhas.