Futebol francês em estado de choque e sob pressão após incidentes entre Marselha e Lyon

O Velódromo no domingo à noite.
O Velódromo no domingo à noite.CHRISTOPHE SIMON/AFP

O futebol francês está em choque e sob forte pressão após os graves incidentes que levaram ao cancelamento do jogo Marselha-Lyon no domingo, com o governo a apontar o dedo aos clubes e à Liga.

Três semanas após a interrupção do jogo entre o Montpellier e o Clermont, na sequência do lançamento de um petardo para o relvado, em 08 de outubro, a violência em torno dos jogos da Ligue 1 atingiu um novo nível com o apedrejamento do autocarro da equipa do Lyon a caminho do Estádio Vélodrome. Uma fotografia impressionante do rosto ensanguentado do treinador do Lyon, Fabio Grosso, foi publicada na primeira página do diário L'Équipe e vai ficar na história como mais uma noite de pesadelo no campeonato francês.

O adjunto do treinador italiano, Raffaele Longo, também ficou ferido e autocarros de adeptos do Lyon foram igualmente atacados antes de o jogo ser adiado pela Ligue de Football Professionnel (LFP) após uma reunião da unidade de crise.

Numa altura em que a LFP está envolvida em negociações delicadas para a atribuição dos direitos televisivos nacionais e internacionais a partir da época 2024/25, estes acontecimentos surgem num momento muito mau e constituem uma péssima publicidade para o futebol francês, que parece incapaz de encontrar uma solução para travar a brutalidade dos grupos de adeptos marginais.

No entanto, o diário L'Équipe referiu que os adeptos do Lyon, na bancada dos visitantes no Velódrome, entoaram cânticos e gestos racistas, que podem ser alvo de castigos, da mesma forma que o PSG depois dos cânticos homofóbicos durante o Clássico contra o Marselha no Parque dos Príncipes, a 24 de setembro.

Esta segunda-feira, o Lyon também "condenou fortemente o comportamento racista inaceitável de indivíduos nas bancadas" e "solicitou os vídeos para identificar os autores de qualquer ato contrário à lei, mas também contrário aos seus valores".

Nas bancadas podia ver-se adeptos do Lyon a mostrar o passaporte francês (uma provocação aos adeptos e à cidade de Marselha) e a fazerem a saudação nazi.

"Reação global"

Em todo o caso, as autoridades apressaram-se a colocar a bola de volta no campo das instituições desportivas. A Ministra dos Desportos, Amélie Oudéa-Castera, afirmou no canal France 2 que "caso se verifique que há adeptos envolvidos" em atos de violência, "os clubes não podem ignorar isso", defendendo "uma resposta global" em que "todos os organismos do setor desportivo devem ser responsabilizados".

O Ministro do Interior francês, Gérald Darmanin, afirmou na BFMTV/RMC que os incidentes eram "inaceitáveis", acrescentando que tinham levado a "nove detenções". O ministro afirmou ainda que "500 polícias e gendarmes (polícia militar francesa) foram mobilizados" para garantir a segurança do jogo. Na sua opinião, não houve "nenhuma falha" por parte da polícia e "caberia ao clube gerir os seus adeptos".

O responsável pela polícia de Marselha, Frédérique Camilleri, tinha uma opinião ligeiramente diferente no domingo à noite, afirmando que os incidentes foram obra de "um punhado de pessoas irresponsáveis e sem noção" e insistiu na "preparação" do jogo com os grupos de adeptos dos dois clubes para "voltar a autorizar o Lyon a vir ao estádio Velódrome".

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, também subiu ao palco numa mensagem publicada no Instagram, apelando às " autoridades competentes" para que "assegurem que sejam tomadas as medidas adequadas".

Futebol