Analise: Dez nações em busca de um triunfo histórico no Mundial-2026

Haiti regressa ao Mundial, depois da primeira experiência em 1974
Haiti regressa ao Mundial, depois da primeira experiência em 1974REUTERS

Se para alguns países a simples qualificação para o Mundial-2026 já representa um feito notável, outros já não se contentam apenas em marcar presença e apontam agora a um primeiro triunfo histórico.

A edição de 2026, a mais imponente da história da competição, colocará frente a frente nove nações lançadas na perseguição de um verdadeiro santo graal: um primeiro triunfo no palco prestigiado do Mundial. Se algumas já estiveram perto da glória ou regressam ao topo após décadas de ausência, quatro delas preparam-se para fazer a sua estreia absoluta. Todas, contudo, partilham uma ambição comum à medida que se aproxima o verão norte-americano.

Canadá quer confirmar a evolução

A história recente do Canadá no Mundial é marcada por uma evolução sem recompensa em termos de resultados. O regresso ao Catar pôs fim a 36 anos de ausência e proporcionou um momento memorável quando Alphonso Davies tornou-se o primeiro jogador canadiano a marcar num Mundial. No entanto, apesar do entusiasmo gerado por essa campanha, os canadianos carregam um registo de que prefeririam prescindir, tendo perdido os seis jogos disputados nas suas participações em 1986 e 2022. Colocados no caminho da Bósnia-Herzegovina, do Catar e da Suíça por um lugar na fase a eliminar, os coanfitriões estarão determinados a garantir que a sua terceira presença mundialista lhes traga finalmente um triunfo marcante.

Oportunidade para o Iraque abrir um novo capítulo

A passagem do Iraque pelo Mundial foi tão breve quanto simbólica. A participação em 1986 permanece motivo de orgulho nacional, apesar de ter terminado sem qualquer ponto conquistado. Quarenta anos depois, uma nova geração tem a oportunidade de inscrever o seu próprio nome na história. Com a qualificação assegurada, o Iraque integra um grupo exigente composto pela França, pela Noruega e pelo Senegal. Apesar de este grupo se apresentar temível no papel, oferece também uma montra ideal para uma seleção determinada a provar que pode competir com a elite mundial. Uma primeira vitória no Mundial representaria muito mais do que três pontos; seria um marco fundamental para o futebol iraquiano.

Nova Zelândia quer dar o salto

Poucas nações desta lista podem afirmar que mereceram tanto uma vitória no Mundial como a Nova Zelândia. Em 2010, os 'All Whites' deixaram a África do Sul invictos, depois de terem empatado com a Itália, então campeã em título, bem como com o Paraguai e a Eslováquia. Notavelmente, foram eliminados sem perder qualquer jogo, falhando por pouco o apuramento para a fase seguinte. Essa campanha mudou radicalmente a perceção do futebol neozelandês e continua a ser um dos maiores feitos desportivos do país. Dezasseis anos depois, cresce a convicção de que a geração atual pode ir ainda mais longe. A Bélgica, o Egito e o Irão aguardam-nos no grupo G, mas o objetivo da Nova Zelândia é claro: transformar exibições dignas num primeiro triunfo histórico.

Haiti, o regresso com sede de vingança

Apenas uma mão cheia de seleções teve de esperar mais do que o Haiti para garantir uma segunda presença numa fase final. A sua única experiência remonta a 1974, numa altura em que a nação caribenha descobriu as exigências implacáveis do mais alto nível perante os gigantes da modalidade. Mais de cinco décadas depois, surge uma nova oportunidade para se medir com os melhores. A qualificação reacendeu a paixão em todo o país, com os adeptos a sonharem com um novo capítulo glorioso em vez de reviverem as sombras do passado. O desafio, contudo, será enorme: o Brasil, o Marrocos e a Escócia compõem um grupo C exigente que não permitirá qualquer deslize.

Catar em busca de legitimidade

Se a primeira presença do Catar esteve intrinsecamente ligada ao estatuto de anfitrião, o cenário é agora bem diferente. A nação do Golfo garantiu o apuramento para 2026 em campo, um marco que as entidades desportivas locais consideram prova da solidez da sua evolução. Embora o Catar não tenha conseguido somar pontos em 2022, essa experiência acelerou a maturação da seleção nacional. Sob o comando de Julen Lopetegui, chegam agora munidos de experiência valiosa e ambições reforçadas. Um grupo equilibrado com a Suíça, o Canadá e a Bósnia-Herzegovina oferece uma oportunidade real de entrar na história e confirmar o progresso constante do futebol catariano.

Egito pronto para provar o seu valor

O Egito, uma das seleções mais tituladas de África, continua à espera de conquistar a sua primeira vitória num Mundial. A melhor prestação remonta a 1990, quando se revelou um adversário difícil para a República da Irlanda e os Países Baixos, mas acabou por não conseguir o apuramento. Os Faraós encaram 2026 com otimismo renovado depois de ultrapassarem a qualificação sem sobressaltos. 

Quatro estreantes ansiosos por deixar marca

O formato alargado da competição abriu igualmente a porta a novos protagonistas. Cabo Verde, Curaçau, Jordânia e o Uzbequistão vão todos estrear-se no Mundial em 2026, após campanhas de qualificação históricas. Ao contrário das restantes nações referidas, estas seleções não carregam o peso de desilusões passadas. Encaram o torneio com a liberdade e entusiasmo próprios de uma estreia absoluta no maior palco mundial.

Cada ponto conquistado será inédito, cada golo histórico. E qualquer vitória tornar-se-á de imediato um dos momentos mais marcantes das respetivas histórias desportivas. À medida que o relógio acelera para o Mundial, os holofotes estarão inevitavelmente apontados aos favoritos. No entanto, os relatos mais emocionantes do torneio poderão muito bem ser escritos por estas nações em busca de uma primeira consagração.

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