À margem do primeiro evento do movimento UNUM, em Lisboa, António Simões reagiu ao extenso comunicado de Cristiano Ronaldo, publicado esta terça-feira.
"É melhor encontrar-se forma de criar paz do que continuar a guerra. Não faz nenhum sentido isto. Então, se há condições para que o Cristiano volte, seja bem-vindo, mas seja bem-vindo por todos — não é alguns, e uns contentes aqui ou acolá. Nós não temos de dar razão ao Cristiano Ronaldo, e eu acho que ele não tem razão. Agora, se ele reconhece que cometeu um erro, bom, então não tem que ser hostilizado. Vamos lhe dar a oportunidade de que ele tenha, sobretudo, um momento de despedida digno, à altura e no prestígio dele", afirmou António Simões.
"É o que se pede: bom senso, tolerância. Mas nós estamos neste mundo sem tolerância? Então teremos conflitos com toda a gente. A questão de nós às vezes estarmos sozinhos não é ter solidão; o problema é se a gente não tem com quem falar. Esta é a grande questão para todos eles: tenham gente com quem possam falar. Se o Cristiano o quer fazer, dêem-lhe essa chance. Eu não estou aqui a defender o Cristiano, ou o Jesus, ou outra pessoa qualquer; não, eu estou aqui a defender o bom senso. Que se encontrem, conversem e resolvam. Olha que bonito que ficaria. É essa a minha grande esperança, que assim aconteça", acrescentou o antigo internacional português, recordando uma conversa que teve com Cristiano Ronaldo.
"Às vezes ficamos com a sensação de que ele é um ególatra, que só pensa nele. Eu tive essa experiência no Campeonato do Mundo na África do Sul. E eu tive a oportunidade de falar com ele, e já ali dei-lhe um pequeno sinal de que não vale a pena ser assim. E, portanto, agora, mais maduro - é essa a minha grande esperança, sempre que pense nisso -, caramba, este jogador tem este trajeto todo, está maduro, é um homem feito completamente. Então arranje forma de a gente não pensar que ele é um ególatra e que não é só o golo, é o jogo! Essas coisas todas têm de fazer parte dele. Se ele efetivamente percebe isto, bom, então temos com certeza uma festa lindíssima de despedida. Quer jogar? Então se jogar, aí pertence ao treinador se tem ou não tem condições para isso", defendeu António Simões, que foi questionado sobre se Cristiano Ronaldo ainda é uma mais-valia, do ponto de vista desportivo, para a seleção nacional.
Tudo sobre o caso Cristiano Ronaldo
Cristiano Ronaldo abandonou a 30 de setembro o estágio da seleção, na véspera do jogo com a Dinamarca. "A seu tempo, direi a verdade a todos os portugueses", prometeu o avançado de 41 anos, depois da bomba que caiu sobre o futebol português.
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"Sinceramente, tenho dúvidas se é uma mais-valia. Porque uma mais-valia implica muito mais do que ser útil. Atenção ao que se diz. Porque com 41 anos tem também de perceber que possivelmente pode ser útil em determinado momento do jogo, que pode ele implicar... fazendo alguma intimidação no que diz respeito ao seu grande nome, etc. Coisas que o treinador deve gerir, saber o que fazer com ele. Se ele quer jogar, não é nenhum crime. Agora, ele também tem de perceber que o querer jogar pode não ser todo o jogo, pode não ser tudo o que ele quer. Tem de perceber isso. É a razão de que se têm de entender", respondeu a glória do Benfica, antes de falar de um eventual castigo a Cristiano Ronaldo.
"Depende do critério de quem tem de olhar para o que se passou. Há várias formas de castigo: há o castigo simbólico, há o castigo de repreensão, há o castigo de suspender... há todos estes. Conversem primeiro. Se tiverem de pedir desculpas um ao outro, peçam! Que grande lição de civismo dão os dois e de cidadania a Portugal!", acrescentou António Simões, que até previu com que idade Cristiano Ronaldo vai deixar de jogar futebol: 49 anos.
"É uma convicção, sabe porquê? Quando é que é o próximo Campeonato do Mundo? Onde é que ele quer estar? E em 2034, onde é que ele quer estar? Façam as contas", disse o antigo internacional português, que pediu a Cristiano Ronaldo que siga o exemplo de Lionel Messi.
"Acabe com isso! Acabe, ele é um símbolo. Ele tem de acabar com o hino e toda a gente a gritar pelo nome dele. Como é que está a acabar o Messi? O Cristiano tem de acabar da mesma maneira. É esta a minha proposta, e proposta ao país, e proposta ao Cristiano, e proposta ao Jesus: façam isso, não tenham vergonha! Eu acredito, e peço, e a minha proposta é: tenham bom senso, sentem-se, resolvam no melhor para ambos e, sobretudo, para o país e a seleção. Façam isso, é a minha proposta", concluiu.
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