Feminino: Colômbia conquista a Liga das Nações da CONMEBOL numa final marcada por episódio de racismo

Colômbia festeja o título
Colômbia festeja o títuloDANIEL DUARTE / AFP

A Colômbia sagrou-se esta terça-feira campeã da primeira edição da Liga das Nações feminina da América do Sul ao vencer o Paraguai por 4-3, num duelo intenso disputado em Assunção.

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As cafeteras já se tinham qualificado antecipadamente juntamente com a Argentina para o Mundial-2027 e esta terça-feira festejaram em dose dupla com o título.

Colômbia defrontou um aguerrido Paraguai que mostrou todas as suas armas desde o início do encontro.

Uma falta da guarda-redes colombiana Katherine Tapia sobre Rebeca Fernández resultou num penálti a favor das guaranis. Dulce Martínez converteu o primeiro golo aos 3'. As cafeteras responderam de imediato. Um ressalto na área e um toque da defesa Guzmán aos 7' igualaram o marcador em 1-1.

Dois minutos depois, aos 9', um cabeceamento da jovem Claudia Martínez colocou as paraguaias em vantagem, mas Marcela Restrepo aos 44' restabeleceu a igualdade. Não houve tempo para festejos colombianos. O Paraguai não perdoou e, no minuto seguinte, Lice Chamorro marcou o terceiro do Paraguai.

Na segunda parte do encontro, Linda Caicedo aos 60' voltou a empatar o marcador em 3-3 e Guzmán deu o título às cafeteras aos 89'.

Caicedo descreveu cada golo paraguaio como um autêntico "balde de água fria". "Marcávamos um golo e o Paraguai dava a volta. Acho que temos de celebrar mais do que nunca", afirmou.

O encontro ficou manchado por alegados insultos racistas vindos da bancada dirigidos a Caicedo. No minuto 71, a árbitra ergueu os braços formando um X como sinal de ativação do protocolo contra a discriminação e interrompeu o jogo durante um minuto.

Depois de festejar efusivamente no final do encontro, Ana María Guzmán, autora do golo do título para a Colômbia, afirmou que a chave para o triunfo da seleção colombiana foi "a fé, o acreditar".

"Nunca me saiu da cabeça vencer porque já perseguimos este objetivo há muitos anos. Sonhámo-lo desde pequenas", disse Guzmán visivelmente emocionada.

"A Liga das Nações é uma autêntica montanha-russa para nós. Isto significa imenso para mim, mas fico com o que representa para o meu país. É um orgulho para nós", celebrou o selecionador da Colômbia, Ángelo Marsiglia.

 Triunfo amargo 

Com um golo agónico de Florencia Bonsegundo (90'), jogadora do Sporting, a Argentina venceu em Quito por 1-0, mas não foi suficiente para levantar o troféu da competição.

"Fizemos um torneio espetacular, escapou-nos no fim. A Colômbia leva o título, mas nós garantimos a qualificação para o Mundial", afirmou Florencia Bonsegundo.

No Olímpico Atahualpa, argentinas e equatorianas permaneceram no relvado a acompanhar o desfecho do encontro entre Colômbia e Paraguai. Ao apito final ouviu-se o grito de alegria das tricolores. O triunfo da Colômbia beneficiou as equatorianas, que terminaram em quarto lugar na classificação e garantiram, juntamente com a Venezuela, o acesso ao play-off.

"Estamos muito entusiasmadas. Mostrámos nestes últimos jogos do que somos feitas e ninguém nos vai tirar esse sonho que temos" de ir ao Mundial, comentou a avançada equatoriana Karen Flores.

O torneio de repescagem será disputado entre confederações em duas fases, em campo neutro, segundo a FIFA. A primeira decorrerá entre novembro e dezembro deste ano e a segunda em fevereiro de 2027.