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Jürgen Klopp não quer deixar o "orgulho nacional nas mãos erradas"

Jürgen Klopp em conferência de imprensa esta quinta-feira
Jürgen Klopp em conferência de imprensa esta quinta-feiraREUTERS/Kai Pfaffenbach

O novo selecionador da Alemanha, Jürgen Klopp, não quer deixar "o orgulho nacional nas mãos erradas", afirmou esta quinta-feira em conferência de imprensa, num país marcado por uma forte ascensão da extrema-direita numa recente eleição regional.

Técnico de sucesso nos bancos do Mayence, do Borussia Dortmund e do Liverpool, Jürgen Klopp foi nomeado selecionador da Alemanha após a eliminação nos 16 avos de final do Mundial-2026, o terceiro fiasco consecutivo depois de 2018 e 2022.

Esta quinta-feira, apresentou a sua primeira convocatória com 44 jogadores para os seus quatro primeiros jogos na Liga das Nações e aproveitou a conferência de imprensa para transmitir uma mensagem clara contra a extrema-direita na Alemanha.

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"Tivemos uma eleição em que alguns puderam pensar que estava tudo bem, e outros pensaram: 'Meu Deus, mas o que se passa aqui?'", comentou Klopp, referindo-se à eleição na Saxónia-Anhalt, em que o partido de extrema-direita AfD alcançou 43,8% dos votos, falhando por pouco a maioria absoluta no parlamento regional.

Apesar de sublinhar que não era um "especialista" em política, acrescentou: "Do meu ponto de vista enquanto desportista, posso dizer que gostaria de voltar a pegar na bandeira por mim, por nós. Não quero deixar o orgulho nacional nas mãos erradas".

"Mas já nem sei se ainda se pode usar este termo desta forma. Disseram-me que se pode falar em patriotismo positivo. Com todo o gosto", precisou.

"Na verdade, acho que somos um país extraordinário", considerou Klopp, defendendo, tal como fez ao construir a sua primeira convocatória, "olhar de vez em quando para aquilo que temos de bom": "Posso ter orgulho em ser alemão, sendo ao mesmo tempo aberto, diverso, simpático e amável".

"É mais importante termos médicos. É mais importante termos pessoal de saúde. É mais importante termos muitas pessoas em tantas profissões", sublinhou. Mas o futebol pode "criar um sentimento de comunidade, fazer-nos sentir verdadeiramente a força do desporto".

Klopp citou os recentes êxitos de Alexander Zverev, vencedor de Roland Garros em junho e do US Open de ténis no domingo, dos hoquistas em campo campeões do mundo, do Mundial feminino de basquetebol ou ainda os resultados nos Campeonatos da Europa de atletismo.

"É a nossa missão. Temos de criar o ambiente, eu sei disso. Mas para isso, é preciso que as pessoas estejam dispostas a aceitá-lo", concluiu Klopp, que usava um boné com as cores da bandeira e a inscrição "Um entre 83 milhões".

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