Na sexta-feira, os Azzurri arrancam a sua campanha na Liga das Nações frente à Bélgica no Estádio Olímpico, em Roma.
Será o primeiro jogo oficial da Itália desde a derrota no play-off frente à Bósnia e Herzegovina em março, que confirmou um humilhante terceiro falhanço consecutivo no apuramento para o Mundial.
Os tetracampeões mundiais passaram por uma autêntica revolução desde aquela noite sombria em Zénica.
Mancini, o arquiteto do último grande triunfo de Itália no Euro-2020, está de regresso como selecionador, trazendo consigo um plantel renovado, com muitos jovens e jogadores ainda por testar.
"Temos de levar a seleção nacional de volta ao lugar que merece. Estou aqui para vencer e tenho a certeza de que vamos viver grandes momentos", afirmou Mancini na segunda-feira.
Fora das quatro linhas, Claudio Ranieri e Gianfranco Zola assumiram, respetivamente, os cargos de diretor técnico e coordenador de projetos de formação, enquanto o responsável pelos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina, Giovanni Malago, foi eleito novo presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC) em junho.
Este conjunto de mudanças surgiu após apelos generalizados a uma reforma profunda do futebol italiano, na sequência do desastre na qualificação que fez com que toda uma geração crescesse sem ver o seu país num Mundial.
Mas o caminho até lá esteve longe de ser fácil.

Após a derrota na Bósnia, houve várias saídas, com o treinador Gennaro Gattuso, o chefe da delegação Gianluigi Buffon e o presidente da FIGC Gabriele Gravina a abandonarem os respetivos cargos.
Quando Malago assumiu a presidência da FIGC, a sua primeira grande decisão foi nomear a lenda do AC Milan Paolo Maldini como diretor técnico, encarregado de liderar a procura por um novo selecionador.
"Amor da minha vida"
Depois de ser recusado pelo selecionador do Brasil, Carlo Ancelotti, Maldini virou-se para Pep Guardiola.
"Fomos ter com ele a Barcelona, almoçámos juntos, conversámos o dia inteiro. Ele ficou muito tentado. Esteve muito perto de aceitar. Chegou mesmo a escrever onzes em folhas de papel", contou Maldini ao Corriere della Sera.
Maldini garantiu que "o dinheiro nunca foi um problema" e que a recusa de Guardiola se deveu ao "cansaço" após uma década ao serviço do Manchester City, que terminou este verão.
O nome seguinte na lista de Maldini era o do seu antigo colega de equipa Andrea Pirlo. No entanto, Pirlo retirou-se da corrida quando rebentou a polémica sobre o seu papel como embaixador global de uma casa de apostas russa, algo que garantiu ser "exclusivamente comercial e desportivo".
O caso Pirlo levou Maldini e o seu conselheiro Leonardo a demitirem-se de forma surpreendente, apenas 16 dias depois de terem assumido funções.
Maldini explicou depois que "as condições de confiança deixaram de existir" com Malago, que ficou de novo no ponto de partida.
Mancini acabou por ser o escolhido e foi nomeado em julho, numa decisão que dividiu opiniões.
Apesar do currículo do técnico de 61 anos falar por si, a sua decisão de abandonar o cargo de selecionador de Itália em agosto de 2023 para aceitar um contrato milionário na Arábia Saudita irritou muitos italianos.
Quando o regresso de Mancini foi confirmado, o jornal romano Corriere dello Sport publicou uma carta aberta acusando-o de "traição" e afirmando que "os pedidos de desculpa não chegam", enquanto o comentador da Sky Sport, Paolo Condo, disse que a decisão de "abandonar a seleção nacional por um salário chorudo" deveria ter sido "um caminho sem retorno".
Mancini respondeu de imediato a estas críticas na sua apresentação.
"Lamento muito. A camisola de Itália foi sempre muito importante para mim. Foi como perder o amor da minha vida", afirmou.
A primeira convocatória de Mancini sublinhou que uma nova era estava a começar, com nove caras novas numa interessante lista de 34 jogadores.
Jovens como Alessandro Romano e Eddy Kouadio foram chamados, assim como jogadores que atuam fora de Itália, como o médio do Sporting, Issa Doumbia, o jogador do Brentford Michael Kayode e o avançado do Nuremberga Mohamed Ali Zoma.
"Penso que é importante ter jogadores jovens para podermos conhecê-los diretamente, porque isso é fundamental para termos uma equipa muito forte no futuro", disse Mancini.
"Temos de ser rápidos a perceber quem poderá ser opção para estar connosco nos próximos quatro anos".
Depois de receber a Bélgica na sexta-feira, a Itália defronta a Turquia por duas vezes, com uma deslocação ao terreno da França pelo meio.
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