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Sérgio Conceição: "Portugal tem de se assumir como favorito a ganhar"

Sérgio Conceição, treinador português de 51 anos
Sérgio Conceição, treinador português de 51 anosČTK / imago sportfotodienst / Ali Issa

Sérgio Conceição, treinador português de 51 anos, sem clube desde que deixou o Al Ittihad, no final da época passada, deu uma entrevista ao "Koora Break", da Arábia Saudita. Nesta segunda parte, o técnico falou sobre a relação com os filhos, a família e a carreira como treinador.

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Momento mais difícil na gestão pai/treinador: “Quando treinei o Rodrigo tive uma vez um episódio em que tive que lhe dizer, no dia anterior, que ele não seria convocado para estágio. Foi se calhar o pior momento da minha vida profissional, nesta gestão pai/treinador. Levei um bocadinho daquilo que era esse meu dia-a-dia no futebol para dentro de casa. Lembro-me perfeitamente que ele estava a arranjar a mala, pensando que ia seguir para estágio, e eu não o levei e comuniquei-lhe. Foi um momento marcante para mim, porque era meu filho, porque tenho um amor absolutamente incondicional por ele, e depois tive de deixar o treinador falar mais alto. Foi em casa, ele estava preparar a mala com uma vontade, um brilho nos olhos incrível, e depois tive que ter uma conversa com ele e explicar-lhe. Foi um momento extremamente difícil, marcante para mim.”

Perda do pai e consequências para a vida: “O meu pai faleceu um dia depois de eu assinar contrato com o FC Porto. Foi um momento forte, muito difícil na minha vida, tinha na altura 16 anos. Lembro-me que dessa situação começou a nascer um miúdo um bocadinho diferente, na forma como via os obstáculos, a dificuldade, da forma como olhava para os desafios que iam surgindo ao longo da vida. E agudizou-se, sem dúvida nenhuma, dois anos depois, com o falecimento da minha mãe, aos meus 18 anos, no meu primeiro ano de sénior, estava eu no Penafiel. Nesse período houve momentos muito difíceis de ultrapassar, mas foi também com a ajuda do futebol e das pessoas que fui encontrando no futebol que consegui sair desses momentos mais escuros, olhar para aquilo que eu achava que era absolutamente essencial, que era estar focado a 1000% naquilo que eu queria e sonhava enquanto jogador, e foi assim que fui construindo uma carapaça, que para alguns transmite, se calhar, uma pessoa muito efusiva, algo arrogante, difícil de lidar, exatamente porque se calhar a vida proporcionou-me algumas situações em que, numa guerra, entre aspas, temos de ser determinados, ambiciosos, trabalhadores e ultrapassar essas dificuldades.”

Geração de ouro do futebol português: “A mim dizem-me que eu fiz parte da geração de ouro mas eu acho que a geração de ouro é aquela que ganha. Estão alguns jogadores ainda no ativo que foram campeões da Europa e ganharam duas Ligas das Nações, e essa é que é a verdadeira geração de ouro, na minha opinião.”

Portugal no Mundial-2026: “Eu acho que esta é uma geração de jogadores de altíssimo nível, jogam nos melhores clubes do mundo, mas nós não vamos ser lembrados certamente porque a Espanha sentiu dificuldades no jogo contra Portugal. Mas a Espanha vai ser lembrada porque ganhou o campeonato do mundo. Se queremos crescer e competir com os melhores, e se queremos assumir essa responsabilidade, não podemos dizer sempre que somos candidatos. Com esta geração, somos favoritos. Os nossos jogadores são de elevado nível e não é só a qualidade técnica, também têm inteligência de jogo e atributos físicos muito interessantes. Acho que não temos de ter desculpas, temos de entrar nos quartos de final da Liga das Nações para ganhar, e depois no Europeu para ganhar também, e deixar de baixar expetativas onde não temos de o fazer. Temos de ter ambição e acompanhá-la no campo com trabalho e dedicação, mas não podemos dizer que falta qualidade. Até porque olhamos para as gerações mais jovens, como os sub-21, e vemos o trabalho fantástico que eles fazem. Estão em finais de campeonatos da Europa ou estão numa fase final de um campeonato do Mundo, e eu vejo com bastante otimismo todos esses jovens que estão a aparecer nos diferentes escalões de formação, e que na minha opinião vão dar continuidade a estes últimos êxitos. Isto sim é Portugal, não o Portugal que tinha dificuldade em qualificar-se para uma fase final de um mundial ou de um europeu, mas um Portugal que tem de se assumir como favorito a ganhar.”

Cristiano Ronaldo na Arábia Saudita: “Ele foi a primeira grande estrela a ir para a Arábia Saudita, e sinceramente o que ele fez na Arábia é o que ele fez nos outros clubes e nos sítios onde trabalhou, na seleção... É um jogador extremamente rigoroso e exigente consigo mesmo, muito ambicioso, que se foca no seu trabalho como uma prioridade absoluta, e isso faz com que um jogador de 41 anos continue a competir, senão era muito difícil.”

Lazio: “Foi talvez o grupo mais difícil em que eu estive inserido enquanto jogador. Eram treinos bem acesos, quentes. Eu lembro-me que tínhamos o Simeone, o Fernando Couto, o Mihajlovic, o Mancini, o Vieri… Tínhamos gente de grandíssimo caráter, de grande personalidade, e que a espelhavam no treino. Mas isso não invalidava que existisse o tal coletivo forte, porque todos tinham consciência de que toda essa ambição e determinação no dia a dia eram para dar à equipa o máximo dentro das tarefas de cada um, para conseguirmos objetivos importantes, que foi o que fizemos.” 

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