Acompanhe o Estrasburgo no Flashscore
"Life’s a beach, enjoy the waves”
O percurso no futebol levou-a a conquistar títulos, a representar clubes históricos como o Sporting e a afirmar-se além-fronteiras, mas também a lidar com realidades exigentes, dentro e fora de campo. Entre a luta por melhores condições e a necessidade constante de provar o seu valor, Fátima Pinto assume-se como parte de uma geração que abriu caminho para as mais novas, sem esquecer quem o fez antes.
Atualmente nos franceses do Estrasburgo, onde encontrou um contexto mais estruturado para a equipa feminina, a média sente que a mudança para França a obrigou a evoluir na forma como lê o jogo e toma decisões.
De coração aberto, a internacional portuguesa, que passou recentemente a marca das 100 internacionalizações, abriu a porta da sua carreira ao Flashscore para uma conversa sobre futebol e... vida!

Viagem às origens: "Vinha de um meio onde tudo isto parecia impensável"
- O que é que ainda reside em si daquela menina que nasceu e cresceu na Madeira e que se prolonga até hoje?
Acho que a resiliência é algo que ainda está comigo, desde muito pequena. Fui sempre muito batalhadora para conseguir aquilo que queria e sinto que isso continua muito presente em mim.
- Sente que o facto de ter crescido numa ilha, longe da realidade do continente, a moldou enquanto jogadora? De que forma é que esse início a influenciou, também em termos de mentalidade?
Não foi fácil, porque era um meio muito pequeno. Não havia muitas jogadoras a praticar futebol e eu tive de começar com os rapazes. Só mais tarde é que fui para uma equipa feminina. Éramos apenas cinco equipas, num campeonato pouco competitivo, sem grandes condições. Jogava-se sobretudo pelo divertimento e pelo amor ao futebol.
Por ser um meio pequeno, eu também não tinha grande noção da realidade do futebol feminino fora dali. Saí da Madeira com 17 anos e, na altura, lembro-me de o único jogo que ter visto da nossa seleção ter sido o apuramento das sub-19 para o Europeu. Não tinha grande perceção do que era a seleção nacional, dos escalões, da dimensão que o futebol feminino já tinha fora da Madeira. Só comecei a ganhar essa consciência quando fui chamada às sub-19. Mesmo aí, ainda não tinha noção do mundo que existia, da qualidade que havia no continente ou fora do país. Via Europeus e Mundiais na televisão, mas parecia-me uma realidade muito distante.

- Para que as pessoas percebam, na Madeira jogava futebol de sete e, quando foi ao Europeu, foi a primeira vez que jogou futebol de onze no feminino?
Com os rapazes já tinha jogado futebol de onze, mas no futebol feminino jogávamos futebol de sete, porque nem sequer havia praticantes suficientes para fazer um campeonato de futebol de onze. Foi uma realidade engraçada, mas também mostra bem o contexto em que cresci.
Acho que ter nascido num meio pequeno fez-me querer lutar ainda mais pelas coisas e isso faz parte da pessoa que sou hoje. Também sempre gostei de contrariar um bocadinho aquilo que era esperado. Ouvia muitas vezes que as meninas não jogavam à bola, mas eu jogava. Sempre gostei de ir contra essa ideia.
- Ainda hoje sente essa responsabilidade de representar uma região e de servir de exemplo para as meninas da Madeira?
Claro que sim. Acho que aquilo por que passamos pode ser importante para as mais novas. Lembro-me de, na minha altura, olhar para a Laura Luís ou para a Amélia Pereira como referências. Para nós, ver uma jogadora a atuar nos Estados Unidos já era um sonho enorme. Sinto que hoje, de certa forma, também posso ser isso para algumas meninas que estão a crescer e acho importante transmitir um bom exemplo.
- Já disse no passado que cumpriu muitos dos objetivos que tinha em criança. Qual foi o objetivo que mais a surpreendeu por o ter conseguido concretizar?
Vou ser muito sincera: tudo o que fui alcançando, passo a passo, acabou por ser um pouco surreal para mim, precisamente porque vinha de um meio onde isso parecia impensável.
Sou sportinguista desde pequena e, claro, sonhava jogar no Sporting, mas nunca achei verdadeiramente que isso fosse acontecer. Jogar uma Liga dos Campeões ou ir a um Mundial eram coisas que via na televisão. Quando cheguei ao Ouriense e fomos campeãs nacionais, ou quando vencemos a Taça de Portugal, tudo isso me parecia inacreditável. Ia vibrando muito com cada conquista, porque vinha de uma realidade muito diferente e de condições bastante duras. Fui sonhando com tudo isso, mas aquela menina da Madeira nunca acreditou verdadeiramente que fosse possível.

"É cansativo sentir que temos de pedir constantemente o básico"
- Disse recentemente que só agora, passados tantos anos, treina diariamente em relva natural. O que é que isso lhe diz sobre o caminho do futebol feminino?
Diz muito, e deixa-me triste. Há muitas equipas que não têm relvado natural para treinar, seja em Portugal ou fora. Passei por Espanha, estou agora em França, e essa continua a ser uma realidade. Ao fim de 20 anos a jogar futebol, só agora poder treinar todos os dias em relva natural é algo que, se compararmos com o futebol masculino profissional, seria impensável.
Quando estava no Sporting, isso era uma discussão que tínhamos com os diretores. Era algo que exigíamos. Por isso, quando a Mariana (Cabral) fala do cansaço de estar sempre a pedir o que devia ser normal, eu identifico-me totalmente. A nossa carreira foi muito isso: estar constantemente a pedir condições básicas. E isso desgasta.
- Sente que faz parte de uma geração que teve de abrir muitas portas para as que vieram depois?
Sim, mas nunca podemos esquecer quem abriu caminho antes de nós. Carla Couto, Edite Fernandes, Paula Cristina e muitas outras fizeram muito para que hoje possamos ter as condições que temos na seleção. Elas batalharam muito e merecem esse reconhecimento.
Quanto à minha geração, claro que sinto orgulho por tudo o que fomos alcançando com a seleção. À medida que íamos fazendo história, pensava que um dia poderia contar aos meus netos que estive presente nesses momentos. Isso é muito gratificante.

- Quando olha para as jogadoras mais novas, sente que às vezes lhes falta paciência para lidar com o processo?
Faz parte da evolução. Se hoje elas se queixam de coisas diferentes das que nós vivíamos há 20 anos, isso até é um sinal positivo. Significa que houve progresso.
Mas sinto, de facto, que as gerações mais novas cresceram com tudo muito mais rápido e, por vezes, querem tudo de imediato. Há muito talento, sem dúvida, mas noto que às vezes lhes falta essa paciência para perceber que o processo exige tempo. Antigamente, se uma jogadora fazia dois minutos na seleção, saía dali ainda mais motivada para trabalhar no clube e ganhar espaço na convocatória seguinte. Hoje, por vezes, há uma frustração imediata. É normal ficarem tristes, porque todas queremos jogar, mas é preciso transformar isso em motivação.
- A Fátima é uma voz ativa na luta pelos direitos das mulheres no futebol. Onde é que sentiu mais resistência à mudança?
(suspiro) É um tema delicado. Muitas vezes sentia que tínhamos de estar agradecidas por tudo. Como se o simples facto de nos darem um balneário ou uma refeição significasse que já não podíamos pedir mais nada. E isso foi algo que senti ao longo de muitos anos. Nós somos seniores, profissionais e temos de andar constantemente a pedir tudo. É cansativo.
Claro que sou agradecida a todos os clubes por onde passei e por tudo o que me deram, mas isso não invalida que pudesse querer melhores condições. Sempre achei que tínhamos o direito de reclamar do que estivesse mal. Horários de treino maus, viagens mal organizadas, falta de campos de treino, falta de balneários, falta de material. Tudo isso continua a existir em alguns contextos e é cansativo sentir que temos de pedir constantemente o básico.

Nova vida em Estrasburgo: "Aqui ouvem-nos e querem melhorar as nossas condições"
- Chegando agora ao Estrasburgo, que balanço faz desta experiência até ao momento?
Muito positivo. Uma das coisas que mais me marcou foi perceber que aquilo que o clube prometeu, cumpriu. Em muitos sítios ouve-se dizer que vão construir isto ou melhorar aquilo, e depois nada acontece. Aqui, disseram-me que iam criar um espaço só para a equipa feminina e fizeram-no.
Temos uma zona só nossa, com balneário, sala de fisioterapia, sala de reuniões, cozinha, área de convívio. É importante sentir que o clube quer mesmo proporcionar conforto e melhores condições à equipa feminina. E mais importante ainda: ouvem-nos. E sinto que querem melhorar as nossas condições. Isso é algo que valorizo muito.
- Portanto, sente que encontrou no Estrasburgo um contexto de maior compromisso com a equipa feminina?
Sim, sem dúvida. É sentir que há um compromisso real com a equipa feminina. Que não estamos ali como um acrescento ou como se nos estivessem a fazer um favor. Isso sente-se e faz diferença.
- O que é que percebe, neste momento, sobre a ambição futura do projeto?
Neste momento ainda não consigo responder com grande clareza, porque essa será uma conversa para mais tarde. Mas esta época o objetivo era terminar entre os seis primeiros e a evolução em relação à época passada já foi grande. No ano anterior, o clube esteve perto da descida e este ano a permanência foi assegurada cedo.
Se calhar, no futuro, o objetivo poderá passar por aproximar-se ainda mais dos primeiros lugares, mas neste momento isso seria mais uma leitura minha do que algo que me tenha sido dito diretamente.
- Este sétimo lugar reflete o momento da equipa ou sente que há margem para fazer ainda melhor?
Acho que esta equipa tem potencial para mais. Chegaram muitas jogadoras novas e isso exige tempo até se criar química dentro de campo, perceber os movimentos umas das outras, as rotinas, os timings. Isso levou algum tempo.
Não sei se nesta época ainda conseguiremos refletir isso totalmente na classificação, porque faltam poucos jogos e todos serão difíceis, mas acredito que, se esta base se mantiver, a equipa pode fazer melhor no futuro.
- E em relação ao seu próprio futuro, já pensa na próxima época?
Ainda não pensei em nada. Estou a viver o dia a dia e, quando chegar o momento certo, pensarei nisso.
- O balneário tem várias nacionalidades. Como é que isso influencia a dinâmica da equipa?
É engraçado, porque trouxe uma dinâmica diferente. Temos muitas estrangeiras e isso acabou por dar mais vida ao balneário. Nós, culturalmente, somos mais expansivas, mais barulhentas, enquanto algumas colegas são mais reservadas. Mas acho que temos uma boa relação entre todas.
Ao início foi mais difícil, até por causa da língua. Nem todas falavam inglês e eu e a Bruna (Lourenço) ainda não falávamos francês. Agora já conseguimos comunicar melhor e isso ajuda muito. No geral, acho que temos um bom grupo.
- Como posiciona o campeonato francês em relação às realidades que já conheceu?
É um campeonato muito intenso. Em Portugal, sobretudo quando jogava no Sporting, encontrávamos muitos blocos baixos, o que fazia com que o jogo tivesse uma intensidade diferente para uma equipa dominadora. Em Espanha, pelo contrário, jogava numa equipa que lutava para não descer e isso trazia outra exigência. O campeonato espanhol é muito competitivo e nunca sabemos bem o que vai acontecer.
Em França, a maioria das equipas joga em bloco médio, com exceção dos jogos contra o Lyon, o que gera muito espaço e muitas transições. Isso torna os jogos muito intensos e exige muita concentração durante os 90 minutos. É um campeonato muito físico, intenso e competitivo.

- O que é que este contexto do Estrasburgo e da liga francesa mudou em si enquanto jogadora?
Mudou bastante a minha relação com a bola e com a tomada de decisão. No Sporting, por exemplo, eu podia ter 40 ações com bola num jogo. No Estrasburgo, se calhar tenho dez. Isso obriga-me a ser muito mais eficaz. Tenho menos margem para errar.
Aprendi a ter mais paciência e a perceber que, mesmo tocando menos vezes na bola, tenho de decidir muito bem. Isso fez-me crescer na forma como leio o jogo e na qualidade das decisões que tomo.
- Outro aspeto que gostava de perceber do futebol francês: que tipo de realidade encontrou ao nível de adeptos?
Vou ser muito direta: não há adeptos como os do Sporting. Foi a minha principal referência e, quando cheguei aqui, percebi isso ainda mais. Diziam-me que os adeptos do Estrasburgo viviam muito o futebol, e é verdade que há apoio, mas a comparação com o que vivi no Sporting é difícil.
- E como é viver em Estrasburgo, fora do futebol?
É uma cidade agradável, com bom ambiente e pessoas simpáticas. Não estava à espera, até porque existe muito esse estereótipo sobre os franceses, mas aqui senti as pessoas muito calorosas. Vivo perto da academia e acabo por não ir muito ao centro, mas gosto da cidade.

Ligação ao Sporting: "Tenho pena da forma como terminou"
- Olhando para trás, que significado teve tudo aquilo que construiu no Sporting?
Foi muito especial. Foram os melhores anos da minha vida. Tenho pena da forma como terminou, porque acho que as coisas não foram bem geridas, não só comigo, mas também com outras jogadoras. É triste. Ainda assim, serei sempre muito agradecida ao Sporting. Vai ter sempre um lugar muito especial no meu coração.
- A Fátima sai com 186 jogos ao serviço do Sporting. Ainda guarda a esperança de voltar e, quem sabe, chegar aos 200 jogos?
Se me perguntar se gostava, claro que gostava muito. Foi a minha casa e continuará sempre a ser. Se vai acontecer, não sei. Não acredito muito, mas também acho que nada é impossível.
- Se pudesse falar diretamente para os adeptos do Sporting, o que lhes diria?
Diria obrigada. A verdade é que, quando saí, nem sequer me despedi como gostava, porque estava magoada. Mas diria aos adeptos que lhes estou muito grata por tudo aquilo que me deram e por serem, para mim, os melhores do mundo.
- Para que se perceba, a Fátima não está magoada com o Sporting…
A questão é essa. Eu não estou magoada com o Sporting, porque o clube é muito maior do que isso. São algumas pessoas que lá estavam e a forma como geriram as coisas que, na minha opinião, não foi a mais correta.

Meta na seleção: "Quero passar a fase de grupos num Europeu ou Mundial"
- Chegou recentemente às 100 internacionalizações e teve a oportunidade de envergar a braçadeira de capitã nesse dia. Como foi viver esse momento?
É um orgulho enorme. Estar na seleção continua a encher-me o coração. Nunca tomei isso como garantido e continuo muito feliz por poder estar aqui e por continuarem a confiar em mim.
Chegar aos 100 jogos significa muito. Representa muito daquilo que sou e também tudo aquilo que esta casa fez por mim desde que era aquela menina da Madeira. Foram estas pessoas que me abriram caminhos e me ajudaram a crescer. Passarem tantos anos e eu continuar aqui é algo que me deixa muito feliz.
- Nesse jogo, recordou todo o caminho feito até aqui?
Sim, sem dúvida. Também vinha de uma lesão e isso mexeu comigo. Ser o centésimo jogo trouxe uma carga emocional extra. Estava um bocadinho nervosa. Passam-nos pela cabeça muitos momentos, tanto os bons como os mais duros, e é bonito poder revisitar tudo isso numa data assim.
- O que é que faz deste grupo da seleção um grupo tão especial?
Eu devolvo-lhe a pergunta: o que é que faz de nós especiais?
- É difícil responder a isso. Mas, do que vejo, a alegria e a forma natural como jogam umas com as outras. Nota-se que têm prazer em estar juntas, mas a Fátima é que está por dentro.
Acho que há uma mistura de confiança, amizade e conhecimento mútuo. Muitas de nós jogámos juntas durante muitos anos, seja na seleção, seja nos clubes. Há uma relação muito boa entre todas, mesmo entre jogadoras de clubes rivais.
Dentro de campo somos profissionais e competitivas ao máximo, mas fora dele há amizade verdadeira. Existe também uma base de trabalho já muito consolidada e isso nota-se na forma como nos entendemos. Isso ajuda muito. Claro que há aquela picardia, mas isso faz parte e é giro.
- O que é que ainda não viveu ao serviço da seleção e gostaria de viver?
Gostava de conseguir passar a fase de grupos num Europeu ou num Mundial. Já disse isso antes e continuo a dizê-lo. É esse o sonho que ainda me falta cumprir.

Mentalidade: "Posso sofrer, mas não sou de desistir"
- "Life’s a beach, enjoy the waves” (A vida é uma praia, aproveita as ondas) é uma frase que tem tatuada. O que é que essa ideia significa para si?
A praia sempre foi um lugar seguro para mim. Sou da ilha, cresci rodeada de mar, por isso isso tem um peso muito especial. Quando digo que a vida é uma praia e que devemos aproveitar as ondas, é no sentido de perceber que a vida vai trazendo correntes diferentes, momentos bons e maus, e temos de saber tirar partido deles. Mesmo experiências menos positivas, como tive em Espanha, acabaram por me fazer crescer. Tento sempre retirar alguma coisa boa de tudo aquilo que vivo.
- Num futebol cada vez mais exigente, que importância dá à parte mental e como é que trabalha essa dimensão?
Dou-lhe muita importância. E posso dar-lhe um exemplo. Quando fui para o Alavés, lesionei-me num estágio da seleção, numa fase em que tinha acabado de chegar um novo treinador ao clube. Estive algum tempo parada, perdi espaço e foi um período muito duro para mim. Não voltei na melhor forma e com uma desvantagem de dois meses em relação às minhas colegas.
Entretanto, chegaram as férias de Natal e eu estava muito mal. Queria ir-me embora, houve muito choro e desespero, até que me acalmei e decidi ir até ao fim. Tinha-me comprometido com o clube e não ia desistir. Comecei a fazer bi-diários e dizia para mim: “eu vou jogar”. Voltei a jogar, mas depois houve um momento em que regressei ao banco. Era ano de Mundial e tudo isso mexeu muito comigo. Ainda assim, continuei a batalhar e acabei a época como titular.
Lembro-me de ter passado por momentos muito difíceis, de pensar em desistir, mas houve sempre uma parte de mim que quis continuar a lutar. Essa é uma característica muito minha: posso ser ansiosa, posso sofrer com as situações, mas não sou de desistir. Transformo isso em motivação para trabalhar mais. Foi isso que fiz naquela altura e é isso que continuo a fazer sempre que as coisas não correm bem.
- Se pudesse falar com a Fátima de há dez anos, o que é que lhe diria?
Diria que vai dar certo. Que vai ser possível. E que deve continuar a trabalhar muito. Embora, sendo honesta, acho que a Fátima de há dez anos já tinha essa mentalidade.

"Sinto que o futebol feminino estagnou um pouco em Portugal"
- O futebol feminino em Portugal ainda está a crescer ou sente que estagnou um pouco?
Sinceramente, é difícil responder a isso... Sinto que estagnou um pouco e isso deixa-me triste. No Sporting também senti essa estagnação. Percebo quando se diz que o campeonato está mais equilibrado, mas muitas vezes esse equilíbrio acontece mais por baixo do que por um verdadeiro aumento de qualidade geral.
Continuamos a ter realidades muito duras no nosso campeonato: equipas sem campo para treinar, com condições muito fracas, com problemas logísticos. Por isso, acho que ainda estamos longe daquilo que o futebol feminino português deveria ser. Há clubes que têm feito muito com aquilo que têm, mas ainda se pode fazer mais.
- Se encontrasse o futebol na rua, como se fosse uma pessoa, o que é que lhe diria?
Dir-lhe-ia que é a minha vida. Que vai fazer sempre parte da minha vida. E agradecia-lhe por tudo o que me deu: as alegrias, as tristezas, as lágrimas, os momentos de desespero, mas também toda a felicidade. Sobretudo, agradecia-lhe por me ter permitido fazer parte dele.
- Quando terminar a carreira, como gostava de ser lembrada?
Gostava que as pessoas com quem joguei pudessem dizer que gostaram de jogar comigo, que gostaram de me ter na equipa. Honestamente, é isso que mais valorizo. É isso que gostava de deixar como marca.
