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"Nunca encarei o empréstimo ao Valadares como um passo atrás"
- Matilde, seis jogos, dois golos e duas assistências. Que balanço faz deste início de época no Valadares Gaia? Está a superar as suas expectativas?
Sim, está a ser um início incrível. Sinceramente, não imaginava que as coisas fossem correr tão bem. Esperava ter mais minutos de jogo, mas estou muito feliz por conseguir ajudar o Valadares e contribuir desta forma para a equipa.
- Sentia que precisava deste empréstimo para mostrar aquilo de que é capaz?
Na época passada tive alguns minutos no Sporting, mas não tantos como gostaria. Faz parte do processo e temos de saber aceitar essas situações. Vi este empréstimo como uma boa oportunidade para jogar mais, ganhar experiência e mostrar aquilo que valho.

- Foi difícil sair da sua zona de conforto? Afinal, cresceu no Sporting e sempre esteve muito ligada ao clube. Como foi tomar a decisão de sair para poder evoluir?
Foi uma decisão difícil, sobretudo porque estou no Sporting desde muito pequena. O Sporting foi sempre a minha casa e, por isso, não foi uma decisão que tenha tomado de ânimo leve. Mas acredito que, nesta fase da minha carreira, foi a melhor escolha que podia fazer.
- O Valadares tem sido uma boa plataforma de crescimento para jovens jogadoras, incluindo algumas emprestadas pelo Sporting, como a Carolina Santiago e a Maísa Correia. Essas experiências ajudaram-na a perceber que este poderia ser o passo certo?
Sim, sem dúvida. Eu vivia com a Santi quando estávamos no Sporting e ela sempre me falou muito bem do Valadares. A Maísa e a Inês Meninas também me transmitiram boas referências sobre o clube. Por isso, sempre tive uma imagem muito positiva do Valadares e nunca encarei este empréstimo como um passo atrás na minha carreira.
Pelo contrário, via-o como uma oportunidade de crescimento. E agora que estou cá percebo que aquilo que me diziam corresponde à realidade. É um clube que aposta nas jogadoras jovens, lhes dá oportunidades e cria boas condições para evoluírem. Acho que foi uma excelente decisão para mim.

- Este início de época tem sido marcado por golos e assistências. O que sente que mudou no seu futebol para estar a conseguir apresentar um rendimento tão positivo?
Acho que é sobretudo uma questão de confiança. Tenho mais minutos, mais espaço e mais tempo para mostrar o meu futebol. Tento aproveitar essas oportunidades ao máximo e fazer aquilo que sei fazer. Se conseguir contribuir com golos e assistências, ainda melhor.
- Que avaliação faz da equipa e do que pode alcançar esta temporada?
Acho que temos uma equipa muito jovem, com várias jogadoras ainda em fase de crescimento, mas que já está a mostrar muito bom futebol. Mesmo quando estava no Sporting, sabia que defrontar o Valadares era sempre complicado. Era uma equipa diferente, com qualidade em vários aspetos do jogo, e que nos criava muitas dificuldades. Acho que essa continua a ser uma das principais características do Valadares. É uma equipa que pode surpreender qualquer adversário.
- Como avalia o atual momento da Liga feminina portuguesa? É um campeonato com apenas dez equipas, mas que tem procurado evoluir nos últimos anos.
Acho que ainda é uma Liga em crescimento. Estamos longe da realidade de outros campeonatos europeus, mas acredito que temos vindo a progredir. Espero que, daqui a alguns anos, o campeonato português consiga atingir um patamar semelhante ao de ligas como a espanhola ou a inglesa. E espero ainda estar a jogar nessa altura, para poder acompanhar essa evolução dentro de campo.

De Leiria a Alcochete: "Foi uma fase muito bonita"
- Recuando um pouco no tempo, chega ao Sporting em 2020, quando tinha apenas 12 ou 13 anos. Que recordações guarda dessa fase, sobretudo das viagens constantes entre Leiria e Lisboa para conseguir treinar?
Na altura, ainda não tinha bem a noção daquilo que estava a acontecer. Nos primeiros anos, nem sequer conseguia ir a todos os treinos. Acho que ia a Lisboa apenas uma vez por semana, acompanhada pelos meus pais, e continuava a treinar em Leiria com os rapazes. Com o passar do tempo, fui conhecendo outras jogadoras de Leiria que também estavam no Sporting. Além da Ana (Alves), havia mais duas ou três com quem comecei a partilhar as viagens.
Isso facilitou muito as coisas, porque, até então, era um sacrifício enorme para os meus pais. Mas guardo excelentes recordações desses primeiros anos. Foi uma fase muito bonita, tanto pelas experiências que vivi no Sporting como pelas amizades que fui criando com as outras jogadoras de Leiria. Gostei muito dessa etapa.
- Antes de chegar ao Sporting, começa a jogar na Academia Desportiva do Colégio Conciliar de Maria Imaculada, em Leiria. Como nasceu a sua paixão pelo futebol?
Era o colégio onde estudava. Quando era mais nova, passava praticamente todos os intervalos a jogar futebol com os rapazes e com as minhas melhores amigas. Na altura, ainda não havia equipas femininas. Entretanto, as minhas amigas inscreveram-se no clube da escola e eu pensei: 'Porque não?' Foi assim que tudo começou. Ainda hoje mantenho contacto com elas. Quando vou a Leiria, estamos muitas vezes juntas e, de vez em quando, até voltamos a jogar futebol.
- Começa por jogar com os rapazes, que também eram seus colegas de turma. Como foi essa experiência? Sentiu alguma dificuldade por ser rapariga?
Não, foi tudo muito tranquilo. Nunca senti aquela diferenciação por ser rapariga. Fui sempre muito bem recebida, tanto pelos meus colegas como pelas pessoas que trabalhavam no clube. Nunca tive qualquer problema e guardo apenas boas recordações dessa altura.
Quando souberam que ia para o Sporting, ficaram malucos! Ficaram muito contentes por mim. E o mais engraçado é que, mesmo depois de entrar no Sporting, ainda continuava a treinar com eles em Leiria. Ainda hoje mantemos contacto. Às vezes metem-se comigo, mas foram sempre impecáveis.

- Cresceu no Sporting, passou por vários escalões de formação e acabou por chegar à equipa principal. Houve algum momento em que percebeu que podia realmente fazer carreira no futebol?
Sinceramente, não sei se houve um momento específico. Acho que as coisas foram acontecendo naturalmente. Talvez quando comecei a fazer a pré-época com a equipa principal tenha percebido que estava a dar mais um passo importante, mas nunca houve propriamente um clique. É um bocadinho aquela conversa de irmos passo a passo.
Acho que o mais importante é aproveitar as oportunidades e desfrutar do caminho, porque as coisas tanto podem correr bem como mal. Felizmente, até agora, têm corrido bem e espero que assim continuem.
- Recorda-se da primeira vez que treinou com a equipa principal do Sporting? Como foi partilhar o campo com jogadoras que, até então, eram referências para si?
Lembro-me perfeitamente. Acho que tinha apenas 14 anos quando fui treinar com a equipa principal pela primeira vez. Foi uma experiência incrível. Era um daqueles treinos mais leves para elas, mas eu estava supernervosa. Ao mesmo tempo, adorei cada momento. As jogadoras receberam-me muito bem, como sempre fizeram com as atletas da formação.
Até me lembro de uma situação engraçada no final do treino. Estava um bocadinho tímida, ao pé do treinador, quando ele me perguntou: 'Então, Nave, com quem é que queres tirar uma fotografia?' Eu não conseguia dizer nada, estava completamente envergonhada!
Então, ele chamou a Brenda (Pérez), que veio ter comigo, e tirámos uma fotografia juntas. Acho que o meu pai ainda a tem guardada. Foi um momento muito especial. Mais tarde, quando comecei a fazer a pré-época com a equipa principal, voltei a sentir esse apoio.
As jogadoras mais experientes recebem-nos muito bem, ajudam-nos a crescer e, acima de tudo, incentivam-nos a sermos nós próprias. Acho que isso é fundamental, porque foi precisamente por mostrarmos as nossas qualidades que conseguimos chegar àquele patamar.
- Durante esse percurso, houve alguma mensagem de uma jogadora mais experiente que a tenha marcado particularmente?
Sim, lembro-me de uma conversa com a Cláudia Neto. Foi num jogo em que comecei a titular e, como acontece muitas vezes com as jogadoras que chegam da formação, estava um bocadinho retraída. Quando subimos à equipa principal, temos tendência para nos acanharmos e acabamos por não fazer aquilo que sabemos.
A Cláudia virou-se para mim e disse: 'Nave, faz o teu jogo. O teu jogo pode ser diferente do meu, mas traz coisas diferentes à equipa que são igualmente boas. Faz as coisas sem medo.' Foi uma mensagem que me marcou muito e que ficou na minha cabeça. Mas não foi apenas a Cláudia. A Rita Fontemanha também foi sempre muito importante para mim.
Ainda hoje me manda mensagens e está sempre presente. Quando estávamos juntas no Sporting, era quase uma figura maternal dentro do balneário. Estava sempre por perto, preocupava-se comigo e procurava ajudar-me. São pessoas que tiveram um papel muito importante no meu crescimento.

"É importante sentir que o Sporting acredita no meu potencial"
- No verão, renovou contrato com o Sporting até 2029 e, pouco depois, surgiu o empréstimo ao Valadares. Essa renovação deu-lhe uma confiança extra para esta nova etapa?
Sim, claro. Acho que a renovação representa um voto de confiança do Sporting em mim e naquilo que posso vir a fazer no futuro. É importante sentir que o clube acredita no meu potencial e quis prolongar esta ligação. Mas não quero encarar o empréstimo como uma pressão acrescida ou como uma obrigação de provar alguma coisa a toda a hora.
Acho que isso só tornaria as coisas mais difíceis. Quero continuar a fazer aquilo que sei, aproveitar as oportunidades e mostrar o meu valor dentro de campo. É essa a melhor forma de corresponder à confiança que depositaram em mim.
- Aproxima-se um jogo muito especial para si: o regresso a Alcochete, desta vez como adversária do Sporting. Como está a viver os dias que antecedem esse reencontro?
Para já, ainda estou tranquila! Mas sei que vai ser um jogo especial, sobretudo por ser em Alcochete. Vou encontrar praticamente as mesmas jogadoras e a mesma equipa técnica. São pessoas que me conhecem muito bem e com quem partilhei muitos momentos.
Tenho um carinho enorme pelo Sporting, por isso será inevitavelmente diferente dos outros jogos. Espero não ficar muito nervosa! Mas vou procurar encarar o encontro com naturalidade, dar o meu melhor pelo Valadares e ver o que acontece.
- Só tem de ter cuidado para não se enganar no balneário...
Pois, agora tenho de ter cuidado com isso! (risos)
- O foco está no Valadares, mas continua ligada ao Sporting. Que evolução gostaria de ter ao longo desta temporada e como Matilde espera regressar a Alcochete no próximo ano?
No Valadares tenho tido mais espaço e oportunidades para melhorar vários aspetos do meu jogo. Gostava de regressar ao Sporting como uma jogadora mais madura, com mais experiência e preparada para ter um papel mais importante na equipa. Naturalmente, gostava de conquistar mais espaço no Sporting na próxima época. Mas, se isso não acontecer logo, também está tudo bem. Faz parte do processo e não quero apressar as coisas.
Ainda tenho 18 anos e muito para aprender. Acho que o mais importante é continuar a evoluir, aproveitar esta oportunidade e encarar tudo com tranquilidade, sem colocar demasiada pressão sobre mim própria.

70 internacionalizações jovens e um sonho: "Nem todas conseguimos"
- Outra equipa muito importante na sua vida é a seleção nacional. Tem apenas 18 anos, mas já soma 70 internacionalizações pelas seleções jovens. O que significa para si representar Portugal?
Sinceramente, nem tinha bem a noção de que já tinha tantas internacionalizações! Vestir a camisola de Portugal é sempre diferente, é muito especial. Estamos a representar o nosso país e acho que isso nos dá uma motivação diferente quando entramos em campo.
É uma responsabilidade muito boa, que temos de saber aproveitar. Somos umas privilegiadas por ter a oportunidade de jogar por Portugal e, por isso, tento desfrutar ao máximo de cada momento.
- Ainda se recorda da primeira vez que recebeu uma convocatória para a seleção nacional?
Lembro-me perfeitamente! Estava sozinha no meu quarto e os meus pais estavam na cozinha. Acho que foi uma team manager do Sporting que me enviou a convocatória. Devia ter uns 14 anos e fui chamada para o escalão acima, para a Seleção Sub-16. Assim que soube, saí disparada do quarto para contar aos meus pais. Ficámos todos malucos de felicidade!
Acho que até tínhamos férias planeadas para essa altura e acabámos por desmarcar tudo. Foi um momento incrível, de que guardo excelentes recordações.
- Já representou Portugal em vários escalões, incluindo os Sub-23, e participou em fases finais de Campeonatos da Europa. Qual foi o momento mais marcante deste percurso?
Acho que foram os Europeus, sem dúvida. Recordo-me também particularmente da primeira ronda de qualificação para o Europeu de Sub-17. Foi um momento muito especial, porque já há alguns anos que não conseguíamos aquele apuramento. Foi uma sensação incrível.
Depois, ter a oportunidade de disputar as fases finais dos Europeus de Sub-17 e Sub-19 também foi muito marcante. São experiências que ficam connosco e que representam momentos muito importantes no nosso crescimento enquanto jogadoras.

- O futebol feminino português tem revelado cada vez mais jovens talentos. Como avalia a qualidade desta nova geração e o trabalho que está a ser desenvolvido pelos clubes e pela Federação?
Acho que Portugal está recheado de jovens talentos e é importante saber aproveitar essa qualidade. Os clubes estão a fazer um bom trabalho na formação e no desenvolvimento das jogadoras, criando condições para que possam evoluir. Mas também é preciso saber gerir as expectativas e os diferentes momentos da carreira.
Nem todas conseguimos chegar ao patamar mais alto. À medida que vamos subindo de escalão, o funil começa a apertar e as oportunidades tornam-se mais difíceis de conquistar. Por isso, é fundamental saber lidar com esse processo, continuar a trabalhar e aproveitar cada oportunidade. Se conseguirmos chegar à Seleção principal, será fantástico. Mas o mais importante é fazer o nosso caminho e estar preparada quando surgirem essas oportunidades.
- Depois de tantas internacionalizações nas seleções jovens, chegar à seleção principal é um dos seus grandes sonhos?
Claro que sim. Acho que qualquer jogadora portuguesa sonha um dia representar a seleção principal e eu não sou exceção. Mas não quero colocar essa pressão sobre mim. Ainda sou muito nova e sei que tenho um longo caminho pela frente. Neste momento, estou focada no Valadares, em continuar a evoluir e em aproveitar as oportunidades que tenho na seleção Sub-23. Quero fazer o meu percurso com tranquilidade. Se um dia surgir a oportunidade de representar a seleção principal, será a concretização de um sonho.

Entre os relvados e a universidade: "Sempre dei muita importância aos estudos"
- Fora das quatro linhas, como é a Matilde Nave? Considera-se uma pessoa mais introvertida ou extrovertida?
Acho que sou um bocadinho das duas coisas! Ao início posso ser um pouco mais reservada, mas, quando ganho confiança, sou bastante extrovertida. Gosto muito de estar com as pessoas, de me divertir e de criar boas relações. Acho que sou uma pessoa alegre e que se dá bem com toda a gente.
- Além do futebol, continua a apostar na sua formação académica. Está a estudar Ciências da Nutrição na Universidade do Porto. Como consegue conciliar os treinos, os jogos e as exigências do ensino superior?
Não é fácil, mas acho que, com organização, conseguimos fazer as duas coisas. Normalmente, treinamos de manhã e tenho aulas durante a tarde. Isso permite-me conciliar os dois lados, embora haja dias mais exigentes. Sempre dei muita importância aos estudos e nunca quis deixar essa parte da minha vida para trás por causa do futebol.
Acho que é fundamental termos uma formação académica, até porque nunca sabemos o que pode acontecer no futuro. Uma lesão ou qualquer outra situação pode mudar completamente a nossa carreira. Por isso, quero continuar a estudar e a jogar futebol.
- Portanto, não encara o curso como um plano B, mas como outro objetivo que quer concretizar em paralelo com a carreira de futebolista?
Exatamente. Não gosto muito de pensar que tenho um plano A e um plano B. São duas coisas de que gosto e que quero fazer. O futebol é uma paixão enorme, mas também gosto da área da Nutrição e quero continuar a aprender.
Se tivesse ficado no Sporting, provavelmente teria ido estudar para Lisboa. Como surgiu a oportunidade de vir para o Valadares, acabei por escolher a Universidade do Porto. Foi uma forma de juntar as duas coisas e estou muito feliz com essa decisão.
- Sente que o futebol também a ajudou a crescer enquanto pessoa e a ganhar maturidade mais cedo?
Sim, sem dúvida. Acho que o futebol teve um papel muito importante no meu crescimento, não só como jogadora, mas também como pessoa. Desde muito nova que comecei a conviver com jogadoras mais velhas, com experiências e formas de pensar diferentes das minhas. Isso obrigou-me a crescer mais depressa, a ganhar responsabilidade e a aprender a lidar com várias situações. Acho que todas essas experiências me ajudaram a tornar-me mais madura.

"Gostava de ser um exemplo para as jogadoras mais novas"
- Se pudesse voltar atrás e falar com a Matilde que começou a jogar futebol em Leiria, que conselho lhe daria?
Diria para continuar a divertir-se e a fazer aquilo de que gosta. Acho que, quando somos mais novas, o mais importante é jogar com alegria, sem pensar demasiado no futuro ou colocar muita pressão sobre nós próprias. Também lhe diria para continuar a trabalhar, porque o talento, por si só, não chega.
É preciso dedicação, esforço e vontade de melhorar todos os dias. Mas, acima de tudo, diria para nunca perder o prazer de jogar futebol.
- Quando pensa no futuro, que objetivos gostaria de concretizar e que marca quer deixar no futebol?
Não penso muito nisso. Mas gostava muito de chegar à seleção principal e de conseguir afirmar-me no Sporting. São dois objetivos que tenho e pelos quais quero continuar a trabalhar. Também não excluo a possibilidade de um dia jogar no estrangeiro. Acho que seria uma experiência muito interessante, tanto a nível pessoal como profissional.
Mas, acima de tudo, gostava de ter uma carreira longa, sem grandes lesões, e de continuar a fazer aquilo de que gosto durante muitos anos. E gostava de ser um exemplo para as jogadoras mais novas, tal como outras jogadoras foram para mim. Se conseguir inspirar alguém a continuar a jogar futebol e a acreditar nos seus sonhos, já será muito especial.

- Se tivesse de dizer alguma coisa ao futebol, depois de tudo aquilo que já lhe proporcionou, o que lhe diria?
Essa é difícil! (risos) Acho que lhe diria obrigada. O futebol faz parte da minha vida desde que me lembro e já me proporcionou momentos incríveis.
- Para terminar, gostava que fizesse uma espécie de autorretrato enquanto futebolista. Como define a Matilde Nave dentro de campo?
Acho que sou uma jogadora bastante versátil. Gosto de jogar nas alas, mas também me sinto confortável em posições mais interiores, no meio-campo. Gosto de ter liberdade para aparecer em diferentes espaços e participar no jogo. Considero-me uma jogadora criativa, que gosta de arriscar, de fazer o último passe e de procurar situações de finalização. Gosto de ser imprevisível e de tentar fazer coisas diferentes, porque acho que isso também faz parte do meu futebol.
- E qual é o aspeto em que sente que ainda tem mais margem para evoluir?
Acho que tenho de melhorar sobretudo o meu trabalho defensivo. É uma parte do jogo em que sei que posso evoluir e tornar-me mais completa.
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