2005 foi um ano agitado: em Espanha foi aprovado o casamento entre pessoas do mesmo sexo, faleceu o Papa João Paulo II e Bento XVI assumiu a liderança da Igreja, o YouTube foi lançado, a Apple revolucionou o mercado com os iPod Nano e Shuffle, estreou-se o quarto filme de Harry Potter, o punk rock e o R&B dominaram o panorama musical, o mundo preparava-se para assistir em 2006 à despedida do Mundial de lendas como Ronaldo ou Zidane e, acima de tudo, o Real Betis jogou pela primeira e única vez a Liga dos Campeões.
O que os adeptos do Betis não imaginavam, a 6 de dezembro de 2005, quando se despediram da Champions com uma derrota por 0-1 frente ao Anderlecht, no então Estádio Manuel Ruiz de Lopera, era que teriam de esperar mais de duas décadas para voltar a ouvir o hino da competição no seu estádio.
Agora, a equipa verdiblanca vai finalmente voltar a sentir a emoção de defrontar os melhores clubes da Europa e tentar tornar-se um deles, mas durante muito tempo só lhes restou a memória do que aconteceu nos primeiros meses da época 2005/06.
Memórias que, apesar da eliminação precoce, foram realmente felizes. Enquanto 'Sugar, we're goin down' dos Fall Out Boy e 'La tortura' de Shakira dominavam a música, o Betis e os seus adeptos preferiram agarrar-se ao ritmo brasileiro de Ricardo Oliveira, Marcos Assunção e Edú.
Um percurso complicado
Nessa equipa, onde também estavam Joaquín e Denilson – este apenas participou na qualificação –, o comando técnico era de Lorenzo Serra Ferrer e a presença na Champions não foi nada fácil logo desde a ronda de qualificação, em que teve de ultrapassar o Mónaco, vice-campeão em 2004, numa eliminatória difícil que terminou 3-2 a favor dos andaluzes.
A fase de grupos revelou-se ainda mais complicada, com os verdiblancos inseridos no mesmo grupo de dois gigantes da Premier League: o Liverpool de Rafa Benítez e o poderoso Chelsea de José Mourinho. O quarto elemento do grupo eram os belgas do Anderlecht.

Foi precisamente frente às equipas inglesas que se criaram as melhores recordações, com um 0-0 em Anfield e, acima de tudo, com a vitória por 1-0 com golo de Dani no Ruiz de Lopera frente aos Blues, que fez o Betis sonhar com uns oitavos de final que nunca chegaram.
O Betis terminou em terceiro lugar e acabou por disputar a Taça UEFA, mas a eliminação da Liga dos Campeões desencadeou uma série de acontecimentos que chega até aos dias de hoje: a Google comprou o YouTube, o iPod acabou por cair no esquecimento, o R&B perdeu terreno para o reggaeton, Zidane despediu-se ao perder a final do Mundial depois de dar uma cabeçada a Materazzi e Ronaldo passou de ser um jovem talentoso a um predador do golo que em 2026 disputará o seu último Mundial.
O que acontecerá na próxima época, quando o Betis de Manuel Pellegrini voltar a marcar presença na Champions?
