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De “melhor central do mundo” a uma saída cinzenta: o declínio de Ronald Araújo no Barcelona

Ronald Araújo no seu primeiro treino com o Liverpool
Ronald Araújo no seu primeiro treino com o Liverpool@LFC

O uruguaio chegou a tornar-se numa das grandes referências defensivas do Barça, mas as suas últimas épocas ficaram marcadas pela irregularidade, erros em noites decisivas, expulsões e um período de afastamento. Agora parte por empréstimo para o Liverpool à procura de recuperar a versão que um dia pareceu destinada a liderar a defesa blaugrana durante uma década.

Houve um momento em que Ronald Araújo parecia intocável. A sua potência, velocidade a corrigir, capacidade nos duelos e personalidade transformaram-no num dos pilares do Barcelona e alimentaram até o debate sobre se estaria entre os melhores centrais do mundo. Com Xavi atingiu provavelmente o seu auge e tornou-se num dos futebolistas mais acarinhados pelos adeptos. No entanto, essa progressão começou a travar-se e as últimas épocas deixaram uma versão muito mais irregular do uruguaio.

O primeiro grande revés surgiu frente ao PSG nos quartos de final da Champions 2023/24. Com o Barcelona em vantagem na eliminatória, Araújo foi expulso na primeira parte por uma falta sobre Bradley Barcola e a equipa blaugrana acabou por perder 1-4 em Montjuïc e 4-6 no total. Xavi reconheceu depois que essa ação mudou completamente o jogo. O lance ficou desde então como um dos episódios mais difíceis de dissociar da análise da sua passagem por Barcelona.

Erros recorrentes em jogos grandes

O problema é que não acabou por ser um acidente isolado. Araújo alternou exibições dominantes com falhas de concentração e decisões precipitadas em cenários de máxima exigência. A história voltou a repetir-se diante do Chelsea na Champions 2025/26: já amarelado, fez uma entrada sobre Marc Cucurella e viu o segundo amarelo antes do intervalo. Mais uma eliminatória europeia, mais um jogo importante e mais uma expulsão que deixou o Barcelona condicionado.

Os números de Ronald Araújo
Os números de Ronald AraújoFlashscore

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Isso acabou por afetar também o próprio jogador. Depois do episódio em Stamford Bridge, Araújo pediu para afastar-se temporariamente da competição para cuidar da sua saúde mental e posteriormente viajou para Israel com autorização do clube em busca de uma desconexão espiritual e pessoal. Meses depois falou publicamente sobre esse período e admitiu que precisava de pedir ajuda. A sua ausência quebrou definitivamente a continuidade de uma época em que já tinha perdido peso dentro da equipa.

O regresso também não permitiu recuperar em definitivo o central dominante de outros tempos. O sistema defensivo, a concorrência interna e as suas próprias dificuldades em manter um rendimento estável foram reduzindo o seu protagonismo. Araújo continuou a protagonizar jogos de enorme potência física, mas deixou de transmitir aquela sensação de segurança que marcou os seus melhores anos. A época passada terminou com uma participação limitada e a sua situação desportiva abriu definitivamente a porta a uma saída.

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O desfecho representa uma das reviravoltas mais marcantes dos últimos anos no Barcelona. Araújo, renovado até 2031 e considerado durante muito tempo um dos grandes ativos desportivos do clube, parte agora por empréstimo para o Liverpool, que terá uma opção de compra próxima dos 55 milhões de euros. Não sai como aquele central destinado a tornar-se símbolo de uma geração, mas sim à procura de se reconstruir longe de Barcelona. Do futebolista que chegou a ser colocado entre os melhores defesas do planeta resta agora uma incógnita: ver se Anfield recuperará essa versão ou se a sua saída discreta acaba por ser o epílogo de uma etapa que prometia muito mais.