Flashback: Lisboa 2014, o sonho do Atlético quebrado nos descontos

Atlético Madrid ficou à beira da conquista do troféu em Lisboa
Atlético Madrid ficou à beira da conquista do troféu em LisboaMANUEL BLONDEAU / AOP PRESS / DPPI VIA AFP

A equipa de Simeone dominou e colocou as mãos naquela que poderia ter sido a sua primeira Liga dos Campeões até ao desempate por grandes penalidades: depois, o cabeceamento de Sergio Ramos mudou a história, abrindo caminho para o triunfo dos merengues no prolongamento.

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Para Diego Pablo Simeone, a Liga dos Campeões nunca foi um objetivo episódico, mas uma constante. Desde que assumiu o banco do Atlético de Madrid, a qualificação para a principal competição europeia tornou-se uma regra, quase um hábito. Um facto visto hoje como natural, mas que antes da sua chegada não o era de todo para o clube rojiblanco.

Dentro desta continuidade europeia, no entanto, permanece uma ferida que nunca sarou: a final de 2013/14 em Lisboa. O Atlético chegou lá depois de uma época extraordinária, que culminou com a conquista da LaLiga à frente do Barcelona e do Real Madrid.

Uma equipa compacta, aguerrida, construída sobre a identidade de El Cholo e capaz de desafiar os gigantes mesmo ao nível da personalidade. À sua frente, o Real Madrid de Carlo Ancelotti, em busca da cobiçada Décima, o troféu perseguido durante quase três lustros e que se tornou quase uma obsessão para o clube blanco.

O jogo começou logo com um episódio pesado: em menos de dez minutos, Diego Costa foi obrigado a abandonar o relvado por lesão. Uma escolha forçada que condicionou profundamente as rotações e a gestão do jogo, embora durante longos períodos o equilíbrio colchonero não parecesse estar comprometido.

O Atlético resistiu, sofreu, atacou. A vantagem é assinada por Diego Godín, um golo que parece encaminhar definitivamente a final. A equipa de Simeone defendeu-se de forma organizada, compacta, e durante quase 90+3 minutos acariciou um sonho que parecia próximo. Mas depois chegou o momento que mudou tudo.

Cabeça de Ramos

A meio dos descontos, segundos antes do apito final, um canto do Real Madrid passou à história: Sergio Ramos subiu de cabeça e fez o golo do empate. É o minuto 90+3 - também conhecido como 90+2' e Ramos - e é o remate que arrasta o jogo para o prolongamento, quebrando o equilíbrio emocional do jogo e as pernas do Atlético.

A equipa de Simeone chegou ali desgastada, física e mentalmente: não contava ter de jogar mais meia hora. Assim, o Real Madrid assumiu o controlo e marcou primeiro com Gareth Bale e depois com Marcelo. Cristiano Ronaldo rematou de penálti, festejado de forma exageradamente icónica, amplificando a fratura emocional de uma noite que ficará na memória de Madrid e do futebol europeu.

Os pormenores, os percalços (como a lesão precoce de Diego Costa) e a subsequente gestão de energia, acabam por se tornar elementos decisivos na interpretação do jogo. Mas sem o golo de Ramos no último suspiro, a história poderia ter contado um desfecho completamente diferente, deixando-nos com a primeira Liga dos Campeões do Atlético de Madrid.

Uma primeira que ainda não chegou. E que Simeone continua a perseguir, época após época, entre regressos, ciclos e novos desafios europeus, como o que a partir desta noite vai opor os seus rapazes ao Arsenal: mais uma final em jogo... Será a certa?