A arte de marcar golos vem com a experiência. Acima de tudo, exige paciência. Essa é uma qualidade que Guirassy desenvolveu ao longo do tempo, agora que chega aos 30 anos. O avançado do Borussia Dortmund bisou na visita ao Sabah e soma agora quatro golos em três jogos na Liga dos Campeões.
A sua equipa venceu sempre que ele marcou. Três desses golos foram apontados com o pé esquerdo, o seu pé mais fraco, enquanto o quarto surgiu na conversão de uma grande penalidade que conquistou contra o Villarreal.
Excecionalmente eficaz na frente da baliza, o avançado que escolheu representar a Guiné continua a viver uma lua de mel no mais exigente torneio de todos.
Já tinha sido o melhor marcador partilhado da edição de 2024/25, ao lado do avançado do Barcelona Raphinha. Esta época, Guirassy já igualou os quatro golos marcados na temporada passada. Isso significa que reencontrou o seu instinto goleador e está pronto para repetir a sua melhor forma.
Na vitória em Bacu, o guineense não foi apenas um goleador implacável. Voltou também a demonstrar a excelente capacidade de combinação com os companheiros, recuando para o meio-campo para abrir espaços às movimentações dos restantes jogadores de ataque. Depois, quando foi chamado a aparecer no sítio certo em frente à baliza, não perdoou.
Mais vale tarde do que nunca
Chegar tarde é um conceito abstrato, sobretudo na era moderna, em que tudo se move a uma velocidade quase insustentável. O natural de Arles demonstrou-o ao conseguir a sua afirmação definitiva aos 27 anos, na época 2023/24, quando marcou 28 golos em outros tantos jogos pelo Estugarda.
À sua frente, com 36 golos, estava Harry Kane, que beneficiara bastante da qualidade dos seus companheiros no Bayern Munique.
Antes de se mudar para a Alemanha, Guirassy também fez história no Rennes. Na época 2020/21, marcou o primeiro golo de sempre do clube bretão na Champions League, ao converter uma grande penalidade contra o Krasnodar, num empate 1-1. A partir desse momento, desenvolveu uma relação perfeita com a mais prestigiada competição de clubes da Europa.
Desde que chegou à Alemanha, na época 2022/23, o avançado africano marcou 80 golos em 121 jogos em todas as competições. Esses números confirmam a sua notável evolução goleadora depois dos 25 anos. Na Liga dos Campeões, 21 dos seus 23 golos foram marcados nas últimas três épocas. Afinal, nunca é tarde demais.
As origens
Capitão e marcador no triunfo mais recente da Guiné sobre o Quénia, o avançado nascido em 1996 procura agora dar um último salto pela seleção nacional que representa a terra natal dos seus pais.
O seu objetivo é disputar a Taça das Nações Africanas, que será realizada no próximo verão no Quénia, na Tanzânia e no Uganda. O evento quebrará a tradição de ser disputado entre dezembro e janeiro, precisamente a meio da época europeia.
Depois de inspirar a seleção nacional na sua primeira vitória em dois jogos, o avançado do Borussia Dortmund estará pronto para liderar os seus compatriotas nos próximos dois encontros contra a Eritreia, em novembro.
O objetivo é corresponder às expectativas e, juntamente com a atualmente líder África do Sul, garantir a qualificação para o torneio continental. Por agora, porém, concentrar-se-á em melhorar os seus números na Champions League, onde os seus 23 golos fazem dele o quinto melhor marcador africano de sempre.
À sua frente estão Sadio Mané e Samuel Eto'o, com mais quatro e sete golos do que ele, respetivamente. O segundo da lista é Didier Drogba, com 44 golos, enquanto Mohamed Salah lidera com 50. Para Serhou, no entanto, ainda há tempo para mostrar que nunca é tarde demais. A idade também pode trazer números ainda melhores. Afinal, tem apenas 30 anos...
