Recorde aqui as incidências do encontro
33 segundos. Foi esse o tempo que Lamine Yamal precisou para ameaçar seriamente Musso. Quatro minutos depois, pressionando um Lenglet frágil, o 10 do Barça fez o 0-1 e aumentou ainda mais a crença na remontada. O central francês, um feixe de nervos, ofereceu um autêntico presente ao seu antigo clube.

E quase que a eliminatória ficava empatada pouco depois, com um escorregão do guarda-redes argentino, que reagiu a tempo para negar o golo a Dani Olmo. Ao Atlético, receoso, faltava-lhe firmeza na defesa e sobrava-lhe precipitação no ataque. Lookman atirou a bola para as nuvens a um metro da pequena área, na primeira aproximação perigosa à baliza de Joan García. O oposto do adversário: Lamine Yamal estava a incendiar o jogo e, com Olmo, Pedri, Fermín e Gavi, as ideias para atacar surgiam em catadupa.
Ai, ai, ai, Lenglet
Perante o sufoco e sofrimento dos colchoneros, Simeone fez alguns ajustes para travar as investidas dos culés. Mas se uma peça falha no mecanismo, neste caso Lenglet, tudo desmorona. Ferran aproveitou a fragilidade do francês e fez o 0-2. Só tinham passado 23 minutos.
O golpe foi tão duro como aquele que, instantes depois, Fermín levou no nariz, que sangrou abundantemente. O espanhol teve o terceiro golo na cabeça, mas Musso agigantou-se e evitou-o. Na queda, o guarda-redes acertou com os pitons na cara do jovem médio.

Depois de ser assistido, conseguiu continuar... mas após a retoma do jogo e de Gavi quase marcar num remate defeituoso, Llorente apanhou a defesa desprevenida e encontrou Lookman no momento e local certos para o nigeriano reduzir para 1-2. Um golo que deu ânimo e fechou as feridas dos colchoneros. Mas não por muito tempo...
Logo a seguir, os homens de Flick voltaram ao ataque, obrigando Musso a intervir mais do que um bombeiro no verão. Ferran viu o seu remate travado quando tentava incendiar novamente o Metropolitano, naquela que foi a melhor ocasião dos blaugrana antes do intervalo. Entretanto, o Atleti já não encontrava espaços para sair em transição, travado na maioria das tentativas por um enorme Eric García.
Que ritmo do Barça
Previam-se 45 minutos de cortar a respiração. A equipa catalã não perdeu tempo a tentar igualar a eliminatória. Com um ritmo frenético, encostou o anfitrião às cordas, forçou erros graves na saída de bola e ameaçou constantemente. Lookman ainda podia ter marcado, após um contra-ataque de Julián contra o mundo. Mas foi apenas um susto. Quem marcou mesmo foi Ferran, mas a sua alegria foi travada pelo VAR: estava em fora de jogo. Ainda assim, não desistiram, com um Lamine endiabrado, um Ferran ligado à corrente e um Olmo clarividente.
O Atlético sofria, sem conseguir sair do seu meio-campo porque não o deixavam. Depois aconteceu o lance de Ruggeri, que levou uma cotovelada de Gavi. Após vários minutos para estancar a hemorragia, quando o jogo foi retomado e com as substituições, a tendência mudou. O físico do Barça quebrou e os madrilenos cresceram. Tanto que Eric García não teve alternativa senão derrubar Sorloth, sendo o último defesa. O VAR voltou a entrar em ação porque o árbitro tinha anulado o lance por um fora de jogo inexistente. Era o minuto 79 e os blaugrana ficaram reduzidos a dez. Mais uma vez.
Mesmo assim, não baixaram os braços. Até com bolas bombeadas para a área, Lewandowski e Araújo levaram o susto ao Atleti, que suspirava pelo apito final. E quando este chegou, foi o êxtase num estádio que sonha com a Champions, ao encontrar o Arsenal ou o Sporting nas meias-finais.
E que belo sonho esse.

